Panacéia dos Amigos

VISITAÇÃO

terça-feira

Contato, o filme

Há algum tempo estou para escrever este post. Muitos anos atrás quando participava de um fanzine o "Lúdico Ditado", o filme estava nos cinemas e demos destaque. Eu tive a oportunidade de assisti-lo nas telas do cinema. E foi impactante.
Tudo parecia promissor: Um bom diretor como Robert Zemeckis, apesar de que "De volta para o futuro", fosse um estilo diferente de uma ficção científica "séria" como esta, mas bem, é o diretor de "Forrest Gump" também, certo? Jodie Foster encabeçava o elenco, e não há nada que precisa ser dito mais do que já foi sobre seu talento. E além de tudo isto, era a adaptação de um romance de mestre Carl Sagan! Este dado era especialmente nostálgico para mim, na época, havia muito tempo que eu assistira "Cosmos", mas a imagem de Sagan e deste programa ainda viajavam e encantavam minha memória.
Bem, o que poderia dar errado? Muita coisa, mas felizmente nada aconteceu. Como ainda não li o livro, não posso dizer o valor da adaptação. Colegas que leram afirmam que apesar de ligeiras alterações é um grande filme. Eu cheguei a ouvir um pouco de um áudio livro de Contato ditado pela Jodie Foster! O filme em si, lançado em 1997, conta a história da Drª Eleanor Ann "Ellie" Arroway.

Depois de um ínicio visual empolgante com diversas imagens que lembram um pouco a série “Cosmos”, começamos a conhecer a história de Ellie Arroway, a menina que teve no pai, um grande incentivador em sua curiosidade natural sobre as estrelas. Fatos importantes acontecem na vida da pequena Ellie que transformam sua vocação, em uma quase obsessão: entrar em contato com alguma civilização extraterrestre.

Se tornando uma cientista do SETI, programa que busca vida inteligente extraterrestre, Ellie é uma radioastrônoma que consegue, depois de muita dedicação pessoal e anos de luta, descobrir um sinal extraterrestre transmitido a partir da estrela Vega. Este sinal contém um conjunto de informações entre as quais se destacam a primeira grande transmissão televisiva realizada na Terra (dos Jogos Olímpicos de Berlim, na qual Hitler aparece) assim como instruções para construção de uma máquina de transporte espacial. A máquina é construída e Ellie, apesar de todo o mérito que possa ter pela descoberta, deve lutar contra mais adversidades para que possa ser escolhida para realizar a viagem. No final do filme, Ellie tem ainda que provar perante todos que realmente realizou a viagem. A adaptação do livro foi relativamente fiel, no entanto os finais são relativamente diferentes.

Toda a trajetória desta cientista é um caminho é árduo e desacreditado. Embora seja reconhecida pelos seus pares como uma cientista notável e brilhante, sua escolha como campo de pesquisa “a busca por homenzinhos verdes” a torna constantemente alvo de grosserias e chacotas. Na verdade, para quem assistiu a série e conhece um pouco da vida de mestre Sagan é fácil perceber muito de sua visão e vivência nesta história. Afinal, ele mesmo muitas vezes foi ridicularizado porque tinha os mesmos objetivos de sua personagem.

Também encontramos outros elementos do pensamento de mestre Sagan no personagem de Matthew McConaughey, o “quase religioso” Palmer Joss. Na verdade, ele é o que Sagan vislumbra como a mente religiosa ideal. Pois, mantém sua fé, mas possui uma mente aberta as possibilidades da ciência, sem uma visão restrita ou ortodoxa. Talvez, sábia e ponderada.
Em contraponto, o filme apresenta líderes contrários a qualquer possibilidade de um encontro com uma civilização extraterrestre e as consequências que isto gera no conceito de fé. Alguns mais radicais ainda se tornam elementos totalmente perniciosos e desesperados capazes de destruir o trabalho da ciência para não vivenciar novas descobertas!
Esta parte do enredo tem seu fundo histórico na história do cientistas Jônios ou mesmo na destruição da Biblioteca de Alexandria, histórias contadas pelo próprio Sagan em “Cosmos”.

Tudo reverbera diante da possibilidade de um contato com uma inteligência extraterrena. O filme, sempre dinâmico, nos mostra os interesses mesquinhos de empresas, governos, religiosos e mesmo entre os cientistas do projeto. O medo, a esperança das pessoas em relação a mensagem do espaço.

A direção é competente, a história é dinâmica e emocionante, os atores cumprem seu papel, menos Jodie Foster que simplesmente sobra na tela como a cientista Ellie Arroway. Na verdade, existe uma nota curiosa porque em um determinado momento do filme Ellie tem uma visão que deveria trazer uma emoção enorme, quase uma revelação. Mas, o efeito especial da cena já estava pronto e a interpretação dela, que não conhecia a imagem, foi filmada depois. Os técnicos de efeitos lamentaram este descompasso. Por quê? Porque a emoção transmitida por Jodie Foster foi muito, muito além da imagem que eles produziram. O talento de Jodie Foster foi muito além dos que os técnicos poderiam ter imaginado..
"Contato" é um verdadeiro filme de Ficção Científica, digo verdadeiro, porque para ser Ficção Científica não basta a história situar-se no espaço sideral, são necessários elementos como reflexão, investigação e ciência.
Tudo o que foi incentivado e divulgado por mestre Sagan em toda a sua vida. O filme baseado em seu romance traz tudo isto e não deixa de lado a humanidade de seus personagens, qualidades e fraquezas com as quais nos indentificamos e passamos a torcer por eles.
Um filme inteligente, empolgante e emocionante. Com todos estes atributos ainda adiciona-se mais um: Imperdível..

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