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Panacéia dos Amigos
quarta-feira
UM GESTO CONTRA O HORROR
terça-feira
TEMÍSTOCLEIA, MESTRA DE PITÁGORAS
Temistocleia (séc. VI a. c.), foi a matemática quem ensinou Pitágoras, a Geometria e a Aritmética, mas também ensinou os Princípios da Ética.
Mulher... Sacerdotisa... Filósofa... Matemática... Temostocleia ensinou a quem queria aprender, com sua didática e pedagogia extremamente eficiente, o que a faz Mestra dos Mestres.
E na terra dos antepassados gregos tinham muitos que queriam, aprender! E foram muitos os que aprenderam com Temistocleia ... iniciaram no conhecimento e, por sua vez, iniciaram a próxima geração.
Temistocleia era também uma Sacerdotisa Délfica. Mencionada por Diogenis Laertios, um estudioso e escritor.
Os templos dos deuses gregos com sacerdotes e sacerdotisa não funcionavam exclusivamente como centros religiosos. Um dos mais famosos e conhecidos em todo o mundo antigo, o Santuário do Deus Apolo em Delfos, onde os gregos antigos julgavam ser o centro da Terra, o umbigo do mundo, também serviu como uma Universidade.
As ordens dos sábios gregos, esculpidas nas colunas do templo, foram destinadas a cultivar alta moralidade em seus numerosos visitantes.
E o topo e misterioso Delphic "E" até hoje é interpretado por muitos como uma forma de receber o visitante de Apolo, que significa "eu sou" mas também "Você é" um vínculo inquebrável entre deuses ancestrais e humanos.
Pitágoras, um homem sábio com ética rara, foi ensinado por quase a totalidade dos seus princípios morais por Temistocleia. A Mestra ainda ensinava aos visitantes de Delfos que tinham a vontade relevante.
Temistocleia era uma matemática e ensinou a Pitágoras os princípios da Geometria e Aritmética Puras e Aplicadas. Pitágoras admirava muito o seu conhecimento e sabedoria.
De acordo com Aristóxenes,l filósofo grego do séc. IV a. c., sua admiração e respeito por esta mulher foi a razão pela qual ele, mais tarde, aceitou mulheres em sua escola, não só como estudantes, mas também como professores, entre os quais estavam sua esposa e filhas.
segunda-feira
EDMOND ALBIUS
Edmond Albius era apenas um garoto de 12 anos, escravizado e sem educação formal, em 1841. No entanto, ele conseguiu desenvolver uma técnica inovadora para polinizar orquídeas baunilha de forma rápida e lucrativa, resolvendo um enigma que intrigava os principais botânicos da época. Sem sua contribuição, a baunilha não teria alcançado a popularidade que tem hoje.
Na década de 1820, os colonos franceses trouxeram cápsulas de baunilha para a ilha Reunião, onde Albius nasceu em 1829, próxima a Madagáscar, e para Maurício, vindas do México. Logo ficou claro que nenhum inseto na região poderia polinizar as orquídeas baunilha, ao contrário do que ocorria no México, onde as abelhas selvagens faziam esse trabalho. Na década de 1830, o botânico belga Charles Morten desenvolveu uma técnica manual de polinização, mas era demorada e exigia muita mão de obra.
Albius, aos 12 anos, usou folhas de erva ou pedaços finos de madeira para levantar a tampa da flor e dobrar a parte masculina, permitindo que o pólen entrasse em contato com a parte feminina. Depois, com seu polegar, pressionava levemente, realizando a polinização de forma eficaz. Embora simples, sua técnica revolucionou a indústria, transformando Reunião em um dos maiores fornecedores mundiais de baunilha.
As contribuições de Albius para a ciência passaram despercebidas durante sua vida, e ele faleceu na pobreza e no esquecimento. Somente muitos anos após sua morte, seu trabalho foi reconhecido e celebrado como um avanço significativo na história da botânica. Até hoje, em Madagascar, a técnica de Albius é utilizada, e o país se destaca como o maior fornecedor de baunilha do mundo.
sexta-feira
A VERDADEIRA HISTÓRIA DA BRANCA DE NEVE
Nascida em 1729 na cidade alemã de Lohr, Maria Sofia não viveu uma vida de conto de fadas. Afetada pela varíola em sua infância, a doença deixou-a parcialmente cega. Aos 12 anos, em 1741, sofre outro golpe emocional: a morte da mãe. Seu pai, o príncipe Philipp Christoph von Erthal, casou-se novamente dois anos depois com Claudia Elisabeth Maria von Venningen, a condessa de Reichenstein, que se tornou sua “madrasta maligna. ”
AGNODICE, A MÉDICA, A MULHER
O escritor Caio Júlio
Higino (64 a.C – 17 d.C) nascido em Valência dos Edetanos, na Espanha,
escreveu a história da grega de Atenas Agnódice (ou Agnodike), nascida no ano
IV a.C, como sendo a primeira mulher no mundo a exercer a profissão na
medicina.
Na Grécia antiga, as mulheres eram proibidas de estudar medicina por vários anos até que alguém infringisse a lei. Nascida em 300 a.C., Agnodice cortou seu cabelo e entrou na faculdade de medicina de Alexandria vestida de homem.
Enquanto andava pelas ruas de Atenas depois de completar sua formação médica, ela ouviu os gritos de uma mulher em trabalho de parto. No entanto, a mulher não queria que Agnodice a tocasse, embora ela estivesse com muitas dores, porque pensava que Agnodice era um homem. Agnodice provou que era uma mulher ao tirar suas roupas sem que ninguém a visse e ajudou a mulher a dar à luz seu bebê.
A história logo se espalharia entre as mulheres e todas as mulheres que estavam doentes começaram a ir para Agnodice. Os médicos homens ficaram invejosos e acusaram Agnodice, que eles pensavam ser homem, de seduzir pacientes do sexo feminino. Em seu julgamento, Agnodice, apresentou-se diante do tribunal e provou que era mulher, mas desta vez foi condenada à morte por estudar medicina e praticar medicina como mulher.
As mulheres se revoltaram com a sentença, especialmente as esposas dos juízes que haviam dado a pena de morte. Algumas disseram que se Agnodice fosse morta, elas iriam para a morte com ela. Incapazes de resistir às pressões de suas esposas e de outras mulheres, os juízes levantaram a sentença de Agnodice e, a partir de então, foi permitido às mulheres praticarem medicina, desde que elas só cuidassem das mulheres.
Assim, Agnodice deixou sua marca na história como a primeira médica e ginecologista grega. Esta placa que representa Agnodice no trabalho foi escavada em Ostia, Itália.
Por: Dr. Lauro Arruda
Câmara Filho
segunda-feira
PADRE HIMALAIA
Inventou engenhos extraordinários. Quis resolver problemas energéticos, ecológicos e agrícolas. O Padre Himalaya foi um pioneiro português cuja memória tem sido reabilitada nas últimas décadas. Em Arcos de Valdevez, estão agora a nascer as Oficinas de Criatividade Himalaya.
Em 10 de Novembro de 1906,
a revista Occidente rejubilava: “O Padre Himalaya é hoje uma glória portuguesa
e por isso tudo o que a seu respeito se possa dizer terá para o público a
curiosidade que despertam os homens privilegiados por seus talentos e obras
extraordinárias.” Não era caso para menos.
Manuel António Gomes, o
inventor de batina nascido em Cendufe (Arcos de Valdevez), tinha então 38 anos
e acumulava já 17 de experiências em Portugal e no estrangeiro com estranhos
engenhos para captação da energia solar, entre outros inventos que o público
nem sequer sonhava. Ganhara dois anos antes o Grande-Prémio da Exposição
Mundial de Saint Louis (EUA), com uma máquina que a propaganda da época
assegurava atingir o “grau supremo de calor”, o máximo possível de temperatura
medida. Espantara sábios e capitalistas nos Estados Unidos, vencendo a sátira
inicial e conduzindo sucessivas experiências para fundir metais. Mais: ao
contrário de inventores do “primeiro mundo”, apresentara-se em Saint Louis
quase sem apoios, sem mecenas, sem máquina de propaganda. “O país ficou
conhecido em toda a América e em todo o mundo como um país onde há mais do que
vinho do Porto, cortiça e pescadores”, assegurava o artigo.
Para Himalaya, o padre que
desde o seminário ganhara essa alcunha bem-disposta em virtude da sua estatura
pouco comum para a época, o céu parecia o limite para a sua capacidade
inventiva. Pareciam definitivamente para trás as agruras de um jovem que
dependera do mecenato para prosseguir os estudos (primeiro de Madame Emília dos
Santos, uma benemérita brasileira que financiara as primeiras experiências, e
depois da Condessa da Penha Longa, que custeara boa parte do projecto solar).
Parecia também esquecido o seu grande fiasco: em Abril de 1902, prometera
mostrar ao rei Dom Carlos, na Tapada da Ajuda, a potencialidade da máquina
solar que desenvolvia desde o final do século passado em França. “A experiência
correu mal”, conta Jacinto Rodrigues, o seu biógrafo e principal responsável
pela reabilitação da figura do Padre Himalaya nas últimas quatro décadas. “A
máquina desengonçou-se e a energia captada acabou por destruir as próprias
pernas da máquina solar. Foi um fiasco, mas o Padre Himalaya era resiliente.”
Uma vida aquém do génio.
Carismático, mas também ingénuo, o padre Himalaya captou a atenção de todos,
mas aceitou, depois da Exposição, um convite para visitar os Estados Unidos.
Quando regressou, o seu engenho tinha sido vandalizado. Fonte: Jacinto
Rodrigues ("A Conspiração Solar do Padre Himalaya") e Município de
Arcos de Valdevez.
Em 1906, com um punhado de
invenções bem sucedidas e o pioneirismo já reconhecido numa exposição mundial e
por várias patentes registadas, o Padre Himalaya poderia ombrear com os grandes
inventores do início do século XX. Mas o seu destino seria diferente. Da mesma
forma que a sua invenção fora pilhada no final da feira de Saint Louis em 1904,
despojada dos 6.117 espelhos côncavos de cristal que lhe permitiam operar,
apagando-se para sempre, também a memória do feito do Padre Himalaya foi sendo
coberta de nuvens. A história política do país, na antecâmara de uma mudança
revolucionária de regime, a que se seguiriam anos turbulentos de golpes e
revoluções, não criou condições para a consolidação do inventor. Em 1933,
quando morreu, os ecos dos seus triunfos já se esfumavam nas brumas da história
e assim permaneceriam durante quatro décadas, com uma curta excepção em 1968,
ano em que se celebrou o centenário do seu nascimento e foi publicada uma
pequena obra de exaltação.
Entrou então em cena o
segundo investigador extraordinário desta história.
DO EXÍLIO PARA A ACADEMIA
Jacinto Rodrigues
exilara-se em França na década de 1960, fugindo à ditadura portuguesa. Ali
leccionara disciplinas de Sociologia Urbana e Organização do Território,
apaixonando-se pelas questões relacionadas com a energia e a ecologia.
Regressou a Portugal após a revolução de 1974 e, por feliz acaso, esbarrou num
alfarrabista com uma revista de 1905 exaltando o pioneiro que acabara de
espantar os norte-americanos em Saint Louis. Como um arqueólogo do
conhecimento, fez primeiro uma sondagem do terreno, descobrindo, com espanto,
que pouco ou nada se sabia do Padre Himalaya.
“Não era totalmente desconhecido na academia”, gosta de lembrar. “Existiam alguns trabalhos fragmentados sobre as suas experiências, mas a sua biografia era quase desconhecida.” Em Arcos de Valdevez, o investigador (hoje catedrático aposentado da Universidade do Porto) iniciou a dura tarefa de recomposição das peças do puzzle de uma vida. Recuperou a pista de dois sobrinhos-netos do padre, que dispunham ainda de algumas memórias dos anos finais do inventor. E lançou-se nos arquivos.
Como todas as quimeras, a
busca de informação sobre o Padre Himalaya teve momentos de desespero (uma
gaveta com cartas e outros documentos inéditos tinha sido queimada) e momentos
de revelações formidáveis. Jacinto Rodrigues percebeu que a busca não se
poderia limitar ao território português. Himalaya fora um verdadeiro
trota-mundos, viajando pelas colónias portuguesas em África como missionário
(onde aliás contraiu malária), por Espanha, por França, pela Alemanha, pelos
Estados Unidos e pela Grã-Bretanha. As migalhas de informação foram-se
juntando. Em Sorède, uma pequena aldeia de montanha nos Pirenéus Orientais, o
investigador encontrou vestígios de uma máquina solar que o inventor ali
agregara, com peças encomendadas de Paris. “Havia até memórias de um padre que
conduzira experiências exóticas na região, com calor extremo”, lembra.
Forno Solar de Sorede.
Também nos Estados Unidos
foi possível reconstituir as visitas de Himalaya a centros de conhecimento e de
indústria, validando a autoridade que o inventor português granjeara e intuindo
também a dispersão dos seus interesses. “Essa tem sido a verdadeira revelação
sobre o Padre Himalaya: ele foi mais do que o inventor de máquinas solares.
Acumulou mais de duas dezenas de patentes e, sobretudo, foi precursor da
ecologia e do pensamento sistémico sobre a natureza no nosso país. E essa parte
da história estava totalmente por escrever.”
O forno solar do padre
Himalaya. Em 1904, na exposição Universal de Saint-Louis, um inventor português
arrecadou o grande-prémio, duas medalhas de ouro e uma de prata e espantou
cientistas, curiosos e até o presidente norte-americano Theodore Roosevelt.
Fonte: Jacinto Rodrigues ("A Conspiração Solar do Padre Himalaya") e
Município de Arcos de Valdevez.
RENOVÁVEIS AVANT LA LETTRE
Entre 1891 e 1892, o Padre
Himalaya teve um problema grave na sua carreira eclesiástica. “Aparentemente, a
paixoneta de uma senhora casada conduziu-o a uma reflexão sobre o seu vínculo à
igreja. Era um homem muito sério, com uma postura muito interessante. Pediu
para ser reduzido ao estado laical (pedido esse que seria recusado), mas essa
documentação tem também o mérito de nos mostrar a sua obsessão com a ciência.
Ele argumenta que, embora se mantivesse cristão, queria prosseguir as suas
experiencias científicas, intensificar contactos e aprofundar o conhecimento.”
Na transição para o século
XX, a Igreja católica está então em plena efervescência com debates teológicos
sobre a infalibilidade do papa e a doutrina social exposta por Leão XIII. Em
Portugal, o clero é uma força vinculada à monarquia, à medida que crescem, nas
hostes republicanas, os movimentos jacobinos de contestação radical. Assolado
por fogo de duas baterias, o padre Himalaya distancia-se do trabalho pastoral e
do debate ideológico, concentrando a sua energia na ciência. Destacado para o
Colégio da Visitação no Porto, aprofunda o seu conhecimento das ciências
naturais, ao mesmo tempo que se maravilha com as potencialidades da construção
do ferro, da metalomecânica e dos processos de fundição. Todos esses átomos de
conhecimento juntar-se-ão nas suas prodigiosas experiências.
“Um dos aspectos mais
curiosos da investigação deste homem é a permanente obsessão com a fertilização
dos solos”, conta Jacinto Rodrigues que, além de artigos, publicou “A
Conspiração Solar do Padre Himalaya” em 1999 e uma antologia de textos inéditos
em 2013. “Esse é o motor que o alimenta. Ele pretende desenvolver melhores
processos para adubagem dos solos, e a invenção da himalaíte, um explosivo que
passa à posteridade com o nome do seu inventor, resulta dessa busca de soluções
para tornar produtivos solos rochosos e pouco férteis.”
Gradualmente, o Padre
Himalaya evolui de uma perspectiva micro para uma noção macro dos problemas que
pretende resolver. “É uma evolução epistemológica”, explica o seu biógrafo que,
nos últimos anos da sua carreira docente, leccionou precisamente Ecologia
Urbana. “Trabalhando em questões de energia, de solos, de biodiversidade, ele
começa a relacionar esses campos com a própria biosfera. Concebe o planeta como
um ser vivo. O contributo do Padre Himalaya não é apenas um triunfo
tecnológico. É a sua visão sistémica da natureza e do planeta, que antecipa o
movimento ecologista em várias décadas. É a intuição de que os sistemas da
Terra estão interligados e que a manipulação de uma das variáveis tem
repercussões em tudo o resto.”
Esta tese tem sido
substanciada pelas duas últimas décadas de pesquisa documental de Jacinto
Rodrigues sobre as cartas que o Padre Himalaya escreveu e as conferências que
proferiu na Academia das Ciências de Portugal. “São ecos de um homem
multifacetado, que tanto se interessa pela fundamentação do cristianismo, face
aos ventos evolucionistas que põem em causa alguns dogmas sobre a Criação, como
pelas questões do desenvolvimento sustentável”, diz Jacinto Rodrigues. Numa das
intervenções, o Padre Himalaya chega a articular a conclusão de que a pobreza
proverbial do país não será necessariamente um calvário eterno – tudo depende
do modelo de desenvolvimento a escolher. “E faz ali a apologia das energias
renováveis avant la lettre”.
OFICINAS DE CRIATIVIDADE
De alguma forma, a
invenção mais sonante do Padre Himalaya, a máquina para aproveitamento da
energia termo solar, foi condicionada pela evolução da indústria que adoptou o
paradigma dos motores de combustão alimentados a combustíveis fósseis. No
grande duelo tecnológico do início do século XX, quando duas imensas avenidas
se abriram para exploração das sociedades industriais, a aposta no carvão e no
petróleo (mais fáceis de obter e mais baratos) teve repercussões esmagadoras
sobre o Ambiente. O Padre Himalaya, que chegou a propor veículos alimentados a
energia eléctrica, permaneceu no pólo dos vencidos da história e talvez essa
seja a principal causa para o progressivo esquecimento do seu contributo.
Uma
vida aquém do génio. Carismático, mas também ingénuo, o padre Himalaya captou a
atenção de todos, mas aceitou, depois da Exposição, um convite para visitar os
Estados Unidos. Quando regressou, o seu engenho tinha sido vandalizado. Fonte:
Jacinto Rodrigues ("A Conspiração Solar do Padre Himalaya") e
Município de Arcos de Valdevez.
Em Arcos de Valdevez,
porém, à medida que se aproxima o centenário da morte do pioneiro da vila, há
esforços árduos para reabilitar a figura de Himalaya e o seu contributo para a
ciência. À frente da locomotiva que está a movimentar as Oficinas de
Criatividade Himalaya, está o matemático João Manuel Esteves, especializado em
ciências da computação e apaixonado por ciência. É presidente da autarquia
local e, em 2015, comandou a candidatura do projecto a apoios comunitários.
“Se quiser que lhe
expresse a nossa ideia numa equação simples, dir-lhe-ei que, em Arcos de
Valdevez, n + h = ds, que é como quem diz, a natureza somada ao homem produz
desenvolvimento sustentável”, diz, com uma gargalhada. Num concelho que acumula
figuras de protecção ambiental (ainda no interior do Parque Nacional da
Peneda-Gerês, com vários sítios da Rede Natura, uma reserva da biosfera e a
Paisagem Cultural do Sistelo), é natural que as teses do Padre Himalaya tenham
ainda utilidade pedagógica. “Foi um pioneiro do desenvolvimento sustentável e
da ecologia”, lembra o autarca. “Fizemos-lhe justiça, aplicando princípios da
economia circular ao projecto, na medida em que o instalámos no antigo liceu
desactivado e procurámos que as Oficinas de Criatividade tivessem uma pegada
ecológica mínima”, acrescenta.
Pronto a inaugurar no
início de 2021 (a pandemia forçou o adiamento da inauguração, que esteve
prevista para 9 de Dezembro, a data de nascimento do Padre Himalaya), o
projecto pedagógico tem a filosofia de um centro interpretativo, juntando-lhe
uma dimensão de promoção da ciência, do conhecimento e da eco-cidadania. O
visitante é ali chamado a maravilhar-se com duas réplicas das máquinas solares
de Himalaya: a de Saint Louis tem quase a escala real e foi naturalmente
despojada das condições que lhe permitiriam obter as temperaturas
extraordinárias que Himalaya atingiu na Exposição Mundial; a dos Pirenéus,
implantada no topo de um dos edifícios, é já o ícone do equipamento e recorda
que, em ciência, os pequenos avanços são tão necessários como os grandes
saltos.
No interior, há jogos de
ciência e laboratórios. Um holograma do Padre Himalaya interpela os visitantes
e fornece informação. Numa bicicleta, pode pedalar-se até produzir força motriz
suficiente para acender uma lâmpada. Os laboratórios permitem colocar a mão na
massa, com experiências reais. E, se tiver estômago para isso, o labirinto só
lhe permite progredir com as peças armazenadas na mochila de cada visitante e
com as respostas certas sobre a vida e obra do pioneiro de Cendufe. Resta-lhe,
no final, entrar para o interior de uma bolha de sabão ou ainda assistir a
conteúdos em alta definição projectados num hemisfério/dome de 360 graus.
Mais de cem anos depois do
grande êxito da carreira inventiva do Padre Himalaya, ainda há zonas sombrias
na biografia deste homem? Jacinto Rodrigues continua a maravilhar-se com as
conferências proferidas pelo seu biografado sobre agricultura, represamento de
rios, construções de betão armado e até uma participação ainda mal esclarecida
no esforço de guerra português, durante a Primeira Grande Guerra, desenvolvendo
técnicas de detecção de submarinos. Há igualmente ecos de um livro de memórias
escrito mas perdido por Himalaya no final da vida.
Como a cordilheira que lhe
deu nome, o Padre Himalaya viu mais alto do que a maioria dos seus contemporâneos.
A partir do próximo ano, as Oficinas de Criatividade Himalaya, em Arcos de
Valdevez, chamam por si para compreender melhor o legado de um homem
extraordinário.
Texto: Gonçalo Pereira Rosa
Fotografias: Município Arcos Valdevez e Revista
Occidente
Ilustrações: Anyforms
A TRAJETÓRIA ACADÊMICA DE BRIAN MAY, O GUITARRISTA DO QUEEN
Brian May graduou-se bacharel em física pelo Imperial College London, com honras de ser o segunda classe. Entre 1970 e 1974, cursou doutorado no Imperial College London.
Quando o Queen começou a ter sucesso internacional em 1974, ele abandonou seus estudos de doutorado, mas foi co-autor de duas pesquisa publicadas em periódicos científicos de grande respeito, a Nature e Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.[
Em outubro de 2006, May tornou a se matricular no Imperial College London para concluir o doutorado. Apresentou sua tese em agosto de 2007 (um ano antes do que ele estimava que levaria para concluir). Além de redigir o trabalho anterior que ele havia feito, May teve que revisar o trabalho sobre a poeira zodiacal nos últimos 33 anos.
A tese revisada (intitulada "A Survey of Radial Velocities in the Zodiacal Dust Cloud") foi aprovada em setembro de 2007, cerca de 37 anos depois de ter sido iniciada. Seu doutorado investigou a velocidade radial através de espectroscopia de absorção e espectroscopia doppler de luz zodiacal por meio de interferômetro Fabry-Pérot. As observações foram realizadas no Observatório Teide, em Tenerife. Ele se formou em cerimônia no Imperial College London, realizada no Royal Albert Hall em 14 de maio de 2008.
Ele continua publicando, bem como atuou como pesquisador colaborador da NASA.










