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Panacéia dos Amigos
domingo
segunda-feira
ANTIMATÉRIA: O INVERSO DA MATÉRIA
A antimatéria é o inverso
da matéria. As antipartículas possuem as mesmas características das partículas
elementares, mas apresentam carga elétrica oposta.
Literalmente, a
antimatéria é o inverso da matéria. Cada partícula elementar que conhecemos
possui uma partícula oposta que apresenta exatamente as mesmas características,
exceto a carga elétrica, que é o inverso. O pósitron, por exemplo, é a
antimatéria do elétron, portanto, possui a mesma massa, mesma rotação, mesmo
tamanho, mas carga elétrica de sinal oposto.
A antimatéria não é
produzida naturalmente na Terra. Tudo o que se sabe sobre essas antipartículas
vem de experiências realizadas em aceleradores de partículas, que apresentam
antipartículas como produto. A dificuldade de produzir e analisar esses
materiais está no fato de que, no encontro da matéria com a antimatéria, sempre
ocorre aniquilação, isto é, uma destrói a outra, e o resultado é uma grande
quantidade de energia.
Em 1928, o físico
britânico Paul Andrien M. Dirac revisou a equação da equivalência entre massa e
energia proposta por Einstein e propôs que a massa deveria ser considerada com
valores positivos e negativos. A proposta de Dirac permitiu considerar a possibilidade
da existência de antimatéria.
Em 1932, Carl Anderson
detectou a presença de elétrons positivos durante um experimento com raios
cósmicos. O antielétron detectado foi chamado de pósitron e tem as mesmas
características do elétron, mas apresenta carga elétrica de sinal positivo.
Em 1955, cientistas
criaram o antipróton por meio de um acelerador de partículas. Desde então, os
estudos relacionados com antimatéria vêm revelando antipartículas de nêutrons,
quarks, léptons etc.
De forma prática, podemos
citar o exame PET scan, que utiliza a emissão de pósitrons para formação de
imagens tridimensionais usadas na detecção de tumores. Os elétrons do corpo
humano sofrem aniquilação ao se depararem com pósitrons emitidos por uma
determinada substância. O produto da aniquilação é a geração de radiação gama,
que é utilizada para a formação de imagens 3D.
A aniquilação em larga
escala existente no encontro de partículas e antipartículas pode gerar quantidades
exorbitantes de energia. Uma quantidade de 10 quilos de antimatéria pode gerar
a energia correspondente a seis anos de pleno funcionamento da Usina de Itaipu!
O rendimento de 1 g de antimatéria em um carro teria uma autonomia aproximada
de 10 mil quilômetros.
As forças armadas
norte-americanas desenvolvem pesquisas para a criação de bombas feitas com
antimatéria. A aniquilação gerada pelo contato da matéria com a antimatéria das
bombas poderia gerar explosões com potencial destrutivo muito maior que o das
ogivas nucleares.
As distâncias que nos
separam de determinados corpos celestes no espaço tornam inviáveis quaisquer
tentativas de aproximação. Uma viagem até a estrela Alpha Centauri, por
exemplo, estrela que, depois do Sol, é a mais próxima da Terra, levaria cerca
de 80 mil anos com as tecnologias atuais. Se as naves espaciais fossem movidas
por antimatéria, o tempo dessa viagem seria significativamente reduzido, o que
poderia tornar o “passeio” totalmente viável.
Ao acelerar átomos a
altíssimas velocidades com um acelerador de partículas, elas podem ser
colididas com um determinado alvo. As antipartículas resultam dessa colisão e
são separadas pela ação de campos magnéticos. O armazenamento desses elementos
é feito em uma espécie de garrafa magnética, que impede que a antimatéria entre
em contato com a matéria, o que poderia ocasionar aniquilação e destruição das
antipartículas. Por ano, apenas um trilionésimo de grama de antiprótons é
produzido.
Fonte:
JúNIOR, Joab Silas Da Silva. "O que é antimatéria?"; Brasil Escola.
EFEITO DO HÉLIO SUPERFLUIDO: A CAPACIDADE VIBRACIONAL CONSTANTE NO ZERO ABSOLUTO
A superfluidez decorre de
regras contra intuitivas da mecânica quântica. E, ao contrário de outros
fenômenos quânticos, o comportamento estranho do hélio superfluido é visível a
olho nu.
Se você resfriar hélio
líquido, por exemplo, a alguns graus abaixo do seu ponto de ebulição, de –269º
C, ele bruscamente assume características diferentes de outros fluidos, como
escorrer por micro rachaduras da espessura de moléculas, escalar as bordas de
um recipiente até transbordar e permanecer imóvel enquanto o recipiente gira.
O hélio neste estado deixa
de ser um simples líquido e se transforma em um superfluido – um líquido que
flui sem atrito. “Se girarmos uma xícara até que o líquido nela contido passe a
girar, você verá que alguns minutos depois, ele parou de se mover”, explica
John Beamish, físico experimental da University of Alberta, em Edmonton,
Canadá. Os átomos do líquido colidem uns com os outros e se desaceleraram, “mas
se isso for feito com hélio a baixas temperaturas, um milhão de anos mais tarde
ele ainda estará se movendo”.
As primeiras evidências
desse comportamento do hélio foram observadas em 1911 pelo físico holandês,
Heike Kamerlingh Onnes, premio Nobel de física em 1913 e um mestre da
refrigeração. Ele foi o primeiro a liquefazer o hélio. Onnes descobriu que esse
elemento passa a ser um bom condutor de calor abaixo de –270,92º C, temperatura
também conhecida como o ponto lambda.,Somente em 1938 o físico russo Pyotr
Kapitsa e, de forma independente, os britânicos John Allen e Don Misener,
mediram a velocidade do fluxo de hélio abaixo dessa temperatura usando dois
discos de vidro adaptados a um tubo de sucção e a um tubo fino de vidro. A
viscosidade observada foi tão baixa que Kapitsa, vencedor do prêmio Nobel em
1978 por esse trabalho, o batizou de “superfluido” – inspirado em
“supercondutor”, o termo para um material bom condutor de corrente elétrica com
baixa resistência.
Esse
efeito se baseia na capacidade única do hélio de permanecer líquido até o zero
absoluto (–273,15º C), a temperatura em que os átomos, em princípio, se
imobilizam.
Quando a maioria dos
líquidos é resfriada, a pequena atração entre os átomos no fluido finalmente
supera as vibrações térmicas e as partículas se acomodam num padrão regular, ou
seja, um sólido. Entretanto, os átomos de hélio são tão leves e fracamente
atraídos por outros que, mesmo quando os movimentos atômicos comuns cessam, os
átomos vibram com o movimento do ponto zero, um leve momentum imposto pelo
princípio da incerteza da mecânica quântica; por isso, eles nunca formam um
sólido.
O fato de o hélio
continuar no estado líquido a baixas temperaturas o permite realizar uma
transformação chamada condensação de Bose-Einstein, na qual as partículas
individuais se agregam até exibirem um comportamento coletivo como uma única
partícula. Átomos que se comportem como um condensado de Bose-Einstein perdem
suas características individuais.
Normalmente o hélio
superfluido é considerado como uma mistura de dois fluidos, um comum e um
superfluido. Experimentos diferentes evidenciam as características
contrastantes dos dois componentes. O experimento mais simples é observar um
recipiente cheio de hélio líquido começar a transbordar enquanto o hélio é
resfriado a temperaturas abaixo do ponto lambda. A componente superfluida
começa a escorrer pelas frestas microscópicas onde a componente líquida normal
não pode penetrar, gerando os supervazamentos.,À medida que a temperatura
diminui, a componente superfluida começa a ter maior participação na mistura.
Pesquisadores mediram a proporção entre as duas componentes inserindo uma
amostra em um recipiente metálico suspenso por um fio. Ao girar o fio, o
cilindro começa a rodar em um sentido e depois no outro. Mas apenas a
componente normal gira junto com o cilindro, devido ao atrito entre ela e as
paredes do cilindro. A componente superfluida resiste ao movimento do fluido
normal e permanece imóvel. À medida que a porção superfluida aumenta, o
cilindro gira mais rápido, como se estivesse perdendo peso, ou inércia.
A natureza dupla do hélio
superfluido pode ser observada também quando escala as paredes de um
recipiente. Um líquido comum é limitado pelas paredes do recipiente que o
contem, graças à pequena atração entre os átomos, mas o atrito interno do
líquido define até onde o líquido pode se espalhar. No hélio superfluido, a
película – na qual não há atrito – recobre o recipiente inteiro, delimitando um
volume onde o superfluido pode escoar.
Fonte:
Scientific American Brasil
A TEORIA DAS CORDAS..VIBRAÇÃO UNIVERSAL
A Teoria das Cordas é uma
tentativa de unificar a Teoria da Relatividade e a Mecânica quântica. Ela afirma
que todas as partículas do universo são formadas por cordas.
O século XX foi extremamente
marcante para o desenvolvimento da ciência e para a compreensão sobre a
composição do universo. Isso ocorreu graças ao desenvolvimento das teorias mais
completas já criadas para descrever a estrutura do universo: A relatividade
geral, de Albert Einstein, e a Física Quântica.
Apesar do sucesso dessas
teorias, elas deixaram algumas questões em aberto. Primeiramente, a
Relatividade Geral não consegue explicar a teoria do Big Bang nem o
comportamento dos buracos negros. Em segundo lugar, a Física Quântica não
oferece uma explicação satisfatória para a gravitação.
A Teoria das Cordas foi
desenvolvida na tentativa de unificar essas duas principais teorias da Física
Moderna. Ela começou a ser desenvolvida em 1919, por Theodor Kaluza, e continua
evoluindo. A última inovação foi proposta por Edward Witten entre 1994 e 1997.
O que é a Teoria das
Cordas?
Se você observar um
deserto, em certa altura, o que você verá será um espaço contínuo cuja cor
dependerá da coloração da areia que o compõe. Mas se você chegar perto desse
deserto, verá que ele é formado por minúsculos grãos de areia. Esses grãos, por
sua vez, são constituídos por partículas ainda menores que são invisíveis a
olho nu: os átomos. Estes têm sua estrutura formada por elétrons, prótons e
nêutrons. Os prótons e nêutrons formam-se de partículas elementares chamadas de
quarks. É até esse ponto que vai a Física convencional. A Teoria das Cordas vai
um pouco mais além.
De acordo com a Teoria das
Cordas, os quarks são formados por pequenos filamentos de energia semelhantes a
pequenas cordas vibrantes, daí o nome dado à teoria. Essas cordas estariam
vibrando em diferentes padrões, com frequências distintas, produzindo as
diferentes partículas que compõem o nosso mundo. Observe o esquema da figura a
seguir:
Para facilitar a
compreensão, podemos fazer uma analogia entre essas cordas e as cordas de um
violão: da mesma forma que as diferentes vibrações das cordas de violão
produzem sons diferentes, as vibrações desses pequenos filamentos de energia
produzem partículas diferentes.
Ao afirmar que tudo que
forma o universo é constituído de uma única forma, a teoria das cordas consegue
unificar todas as teorias da Física. Já que todas as partículas que formam a
matéria são formadas por apenas uma entidade, todas elas podem ser explicadas
por apenas uma teoria. É por isso que a teoria das cordas também pode ser
chamada de teoria de todas as coisas (Theory of Everything - TOE).
A principal consequência
da Teoria das Cordas está na sua demonstração matemática: ela não funciona em
um universo com três dimensões espaciais, mas, sim, em um com dez dimensões de
espaço e uma de tempo! Isso quer dizer que, se a teoria for comprovada, existem
sete dimensões espaciais que não conseguimos perceber e que vão além da altura,
comprimento e largura. Isso representa uma nova visão do universo bem diferente
do que já conhecemos.
Apesar de todos os avanços
já apresentados, a Teoria das Cordas é, ainda, apenas uma ideia e não pode ser
demonstrada experimentalmente. Espera-se que, com o avanço das pesquisas em
torno dos aceleradores de partículas, seja possível comprová-la nos próximos
anos.
Por
Mariane Mendes
Graduada
em Física
Fonte:
Brasil Escola
sexta-feira
MATÉRIA ESCURA: A MISTERIOSA CONSTITUIÇÃO DO UNIVERSO..
É uma parte do Universo
que os astrônomos sabem que existe, mas ainda não sabem exatamente o que seja.
É matéria, porque se consegue medir sua existência por meio da força
gravitacional que ela exerce. E é escura, porque não emite nenhuma luz. Essa
segunda propriedade é justamente o que dificulta seu estudo. Todas as
observações de corpos no espaço são feitas a partir da luz ou de outro tipo de
radiação eletromagnética emitida ou refletida pelos astros.
Como a matéria escura não
faz nenhuma dessas coisas, é “invisível”. Ainda assim, sabe-se que ela está lá.
Na década de 1930, o astrônomo Fritz Zwicky, um húngaro radicado nos Estados
Unidos, calculou a massa de algumas galáxias e percebeu que ela era 400 vezes
maior do que sugeriam as estrelas observadas!
A diferença está
justamente na massa de matéria escura. E quanta diferença! Pelas contas do
professor Fritz, você deve ter percebido que ela não é apenas um detalhe na
composição do Universo, e, sim, seu principal ingrediente. Hoje em dia,
calcula-se que ela corresponda a mais ou menos 95% do Universo.
É como se todas as
galáxias que conhecemos atualmente fossem apenas alguns pedacinhos de chocolate
encravados no grande bolo do Universo. Existem várias teorias sobre o que seria
a tal massa escura. O mais provável é que ela seja feita de partículas
subatômicas, menores que nêutrons, prótons e elétrons e ainda indetectáveis
pelos atuais instrumentos de medição dos cientistas. Para terminar, vale um
esclarecimento: apesar da semelhança no nome, matéria escura não tem nada a ver
com buraco negro.
“A massa escura é um
componente do Universo, sem luz, enquanto o buraco negro é um objeto
astrofísico com um campo gravitacional tão forte que não deixa nem mesmoa luz
escapar”, afirma o astrônomo Enos Picazzio, da Universidade de São Paulo (USP).
Fonte: Site da Superinteressante.
segunda-feira
NIÓBIO: HISTÓRIA E POTENCIAL..
Do Vale do Silício, o
maior polo de inovação tecnológica do planeta, todo mundo já ouviu falar. Foi
lá, na Califórnia, que nasceram empresas como Google, Facebook e Apple. Mas e o
Vale do Nióbio: alguém saberia dizer o que é ou onde fica? Bem, se depender do
presidente Jair Bolsonaro, será no município de Araxá, a 360 km de Belo
Horizonte (MG). Em vídeo publicado na última semana de junho, Bolsonaro aparece
mostrando as atribuições do metal para a fabricação de joias. A gravação foi
feita em Osaka, no Japão, onde ele participava do encontro do G20.
Na capital mineira
funciona a sede da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a
maior produtora de nióbio do mundo. Em julho de 2016, quando ainda era deputado
federal, Bolsonaro visitou a sede da empresa e gravou um vídeo exaltando as
virtudes do minério. “Isso pode nos dar independência econômica!”, declarou.
Logo no começo do vídeo, ele explica que os 118 elementos químicos da tabela
periódica podem ser encontrados em nosso país. O nióbio está ali, na quinta
coluna, entre o zircônio e o molibdênio. De número atômico 41, é classificado
como “metal de transição”: em poucas palavras, o minério deixa o aço (ainda)
mais forte e resistente. Foi descoberto por Charles Hatchett (1765-1847) em
1801, quando o químico inglês analisava amostras de uma rocha do acervo do
Museu Britânico, em Londres. Por ter vindo da Colúmbia Britânica, uma das dez
províncias do Canadá, recebeu o nome de columbita. O metal ganhou seu nome
definitivo em 1844 e apenas em 1949 foi reconhecido oficialmente como um elemento
químico.
Voltando ao Brasil do
século 21, o metal pode nos transformar em superpotência, como acredita o novo
presidente? O engenheiro de materiais Hugo Sandim, da Escola de Engenharia de
Lorena (USP), acha difícil. “O nióbio não tem superpoderes. Sozinho, não vai
resolver as mazelas nacionais.”
Meu nome é nióbio!
1. LAÇOS DE FAMÍLIA
De acordo com a mitologia
grega, Níobe era filha de Tântalo e Dione e foi transformada em rocha por Zeus.
Até a primeira metade do século 19 os cientistas acreditavam que o nióbio e o
tântalo correspondiam ao mesmo elemento químico.
2. É DO BRASIL
Foi o geólogo mineiro
Djalma Guimarães (1894-1973) que descobriu a reserva de nióbio em Araxá (MG),
em 1953. Entre outras proezas, ganhou o título de “Príncipe dos Geólogos” da
cientista polonesa Marie Curie (1867-1934).
3. NA BOCA DO POVO
Candidato a presidente em
1989, 1994 e 1998, Enéas Carneiro (1938-2007) foi o primeiro a usar o nióbio
como trampolim eleitoral. Em 2005, chegou a dizer que, comparado ao roubo do
minério, o mensalão era “mesada de trombadinha”.
Quem
são os donos do negócio
Detentora de uma fortuna
estimada em R$ 77 bilhões, a família Moreira Salles controla desde a década de
1960 a empresa que é a maior produtora de nióbio em todo o planeta. Em dezembro
do ano passado, João e Walter, dois dos quatro irmãos Moreira Salles, avisaram
que não pretendem “comprar” o Botafogo, seu clube do coração, porque não têm
vocação para Roman Abramovich, o magnata russo que, em 2003, comprou o clube
inglês Chelsea. Bem, não compram porque não querem. Se quisessem, poderiam.
Fernando, Pedro, João e Walter são donos da CBMM e acionistas do Itaú, o maior
banco da América Latina. A fortuna da família é estimada em R$ 77 bilhões.
Tudo começou em 1965,
quando Walther Moreira Salles (1912-2001), banqueiro e ex-embaixador do Brasil
em Washington, tornou-se acionista majoritário das operações da CBMM em uma
mina de nióbio em Araxá. Hoje, a família detém 70% das ações da empresa.
Em 2011, os irmãos
venderam uma participação de 30% — sendo 15% a um consórcio japonês-sul-coreano
e 15% a um grupo de empresários chineses — por US$ 3,9 bilhões. Quanto vale a
companhia que produz 80% do nióbio do planeta? Algo em torno de US$ 13 bilhões.
Nióbio
não falta
As maiores reservas ativas
de nióbio, em torno de 98,4%, estão no Brasil. Comendo poeira, Canadá e
Austrália aparecem em segundo e terceiro lugares, respectivamente, com
modestíssimos 1,11% e 0,46%. “O nióbio não é raro”, diz Eduardo Ribeiro, CEO da
CBMM. “Há reservas na Rússia, nos EUA e em países do continente africano. Como
o mercado é limitado, ainda não entraram em operação.” Por aqui, a extração é
feita por duas empresas. Uma delas é a já citada CBMM, a maior produtora do
mundo. A outra é a CMOC Brasil, subsidiária da China Molybdenum (CMOC), que
fica em Catalão, a 256 km de Goiânia (GO).
Os estados de Minas Gerais
(cidades de Araxá e Tapira), Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Presidente
Figueiredo) e Goiás (Catalão e Ouvidor) são os donos das maiores reservas
nacionais. Estudos realizados por especialistas indicam que apenas em Araxá há
ao menos 842 milhões de toneladas disponíveis do metal. O que isso quer dizer?
É nióbio que não acaba mais! O suficiente para suprir a demanda mundial — que
foi de 106 mil toneladas em 2018 — pelos próximos dois séculos. Ou seja, até
2219. Para efeito de comparação, a CBMM produziu 90 mil toneladas de produtos
derivados do nióbio no ano passado.
Extraído de uma mina a céu
aberto, o minério puro é transformado em produtos acabados como ferronióbio,
óxido de nióbio e nióbio metálico. Na CBMM, a mineração é apenas a primeira das
15 etapas necessárias, que incluem o refino, a metalurgia e a embalagem. Todos
os dias, uma média de 250 toneladas de produtos de nióbio são despachadas para
mais de 60 países: nove em cada dez compradores são indústrias que fabricam
aço.
Cheio
de utilidades
Não é qualquer elemento
que pode ser usado tanto em uma ponte na França quanto em uma sonda espacial:
especialistas destacam a versatilidade das aplicações do nióbio
Você saberia dizer o que o
telescópio espacial Hubble, projetado para tirar fotografias do Sistema Solar,
tem a ver com o viaduto francês de Millau, que é suspenso por cabos e
considerado o mais alto do planeta, com 343 metros de altura? Ou então com o
Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de
partículas do mundo? Além de toda a tecnologia envolvida, esses projetos
utilizaram nióbio em muitos de seus componentes. No caso do LHC, os cabos
supercondutores, feitos de liga de nióbio e titânio (NbTi), preservam suas
propriedades originais mesmo submetidos a altíssimas temperaturas. Já o peso do
viaduto francês foi reduzido em 60% graças à adição de 0,025% de nióbio ao aço.
E não para por aí. O metal
pode ser encontrado em itens que vão de equipamentos médicos a reatores
nucleares, de plataformas de petróleo a turbinas de avião. De acordo com a CMOC
Brasil, segunda maior produtora do mundo, 34% do seu nióbio são usados na construção
civil, 32% no setor de óleo e gás, 20% na indústria automotiva e 5% na
indústria química. “O uso do metal tem aumentado por várias razões:
versatilidade, vantagens econômicas e disponibilidade de suprimento a longo
prazo”, avalia Edmilson Costa, coordenador de geologia e mineração do Instituto
Brasileiro de Mineração (Ibram). “Em muitos casos, a quantidade necessária para
produzir melhorias significativas nas propriedades mecânicas do produto é
mínima. Na fabricação de aço de alta resistência e baixa liga (ARBL), o nióbio
é adicionado em quantidade que vai de 0,01% a 0,10%.”
No
ar, na terra
Diferentes tipos de
indústria se beneficiam com a aplicação do metal
1. Dutos de óleo e gás
Por serem resistentes à
corrosão e a altíssimas pressões, ligas de nióbio são aplicadas na fabricação
de tubulações que transportam grande volume de hidrocarbonetos para abastecer
distribuidoras de combustíveis.
2. Turbina de avião
O ponto de fusão do nióbio
é altíssimo: 2.468 °C. O que isso significa? Membro da família dos metais
refratários, ele resiste a altíssimas temperaturas. Por isso, ligas de nióbio
são usadas no processo de fabricação de turbinas de avião.
3. Carros
A indústria automotiva
aposta no investimento em componentes de nióbio para a fabricação de chassis e
rodas de alumínio ou de aço para a produção de veículos mais leves (e
econômicos).
A fórmula do sucesso
EM 2018, a CBMM foi a
principal patrocinadora de duas etapas da Fórmula-E, categoria de automobilismo
que utiliza carros com motores elétricos e é conhecida como a “Fórmula 1
Sustentável”. O motivo da parceria? Pesquisadores da indústria automotiva
afirmam que o nióbio terá papel importante na produção de carros elétricos: em
testes realizados, baterias feitas com óxido de nióbio se mostraram mais seguras,
duráveis e com tempo de recarga mais rápido. “A CBMM não exporta minério bruto.
É a única do mundo que fabrica todos os produtos de nióbio. O desafio é
desenvolver tecnologias de aplicação para fomentar o mercado desses produtos”,
explica o CEO, Eduardo Ribeiro.
Apesar de manter o olho no
futuro, a companhia pretende expandir as vendas para a indústria siderúrgica —
atualmente, apenas 12% do aço produzido no mundo leva nióbio. Dona do maior
parque siderúrgico do planeta, a China fabrica somente 6% de seu aço com ligas
de nióbio. “Quanto mais resistente é o aço produzido, de menos matéria-prima
você vai precisar para construir o que quer que seja: carro, ponte ou
edifício.”
1. Tão precioso quanto o
ouro?
Nem chega perto. “O custo
de 1 kg de ouro é 1.000 vezes maior que o custo de 1 kg de nióbio existente na
liga ferronióbio”, calcula o engenheiro de materiais Carlos Ângelo Nunes.
2. Salvará o Brasil?
Também não. “Nenhuma
superpotência foi erguida com a exploração de um único item. Diversificação do
quadro produtivo é a chave para o sucesso”, diz o engenheiro Hugo Sandim.
3. A extração ameaça a
amazônia?
É provável. “Caso seja
feita, é evidente que haverá impactos”, alerta Nunes a respeito das reservas
ainda não exploradas localizadas no Amazonas.
4. Matéria-prima de
aeronaves completas?
De jeito nenhum. “O nióbio
é apenas um dos componentes usados nas turbinas de foguetes e aviões”, ressalva
Eduardo Ribeiro, da CBMM.
5. Pode parar um caminhão?
Depende de fatores como o
peso e a velocidade do veículo. “Nióbio puro é muito macio e, em tese, não
resistiria. Mas uma superliga, talvez”, especula Hugo Sandim.
Fonte: publicada
originalmente na edição nº330, de janeiro de 2019, da GALILEU.
sexta-feira
GRAFENO - MATERIAL DO(E) FUTURO..
O
grafeno é um material produzido a partir da grafite. Suas incríveis
propriedades físicas tornam-no um material com diversas aplicações
tecnológicas.
É
o material mais fino do mundo. Consiste de uma camada bidimensional de átomos
de carbono organizados em estruturas hexagonais, cuja altura é equivalente a de
um átomo. Esse material pode ser produzido por meio da extração de camadas
superficiais da grafite, um mineral abundante na Terra e um dos mais comuns
alótropos do carbono.
As
ligações químicas formadas entre os átomos de carbono e a espessura do grafeno
tornam esse elemento recordista em algumas propriedades físicas, como
resistência mecânica, condutividades térmica e elétrica. Essas características
fazem do grafeno um dos mais promissores materiais, podendo ser utilizado nas
mais variadas aplicações.
O
grafeno é um alótropo cristalino bidimensional do carbono e tem incríveis
propriedades físicas.
O
grafeno tem incríveis propriedades físicas que o tornam um material com
diversas aplicações tecnológicas. Conheça algumas propriedades que tornam esse
alótropo tão especial.
Propriedades
mecânicas
O
grafeno é o material mais resistente já conhecido, sendo capaz de suportar
pressões de até 130 gigapascal (130.109 Pa). Tamanha resistência decorre das
fortes ligações químicas formadas entre seus átomos de carbono. Materiais
largamente utilizados na construção civil, como o aço, suportam apenas um terço
dessa pressão.
Outra
propriedade interessante do grafeno é seu alto módulo de Young, indicando que,
além de resistente, esse material é bastante elástico e, por isso, retorna ao
seu tamanho original com relativa facilidade.
As
pequenas áreas de cada hexágono de carbono são responsáveis pela alta
impermeabilidade do grafeno, que pode ser usado como uma pequena rede capaz de
segurar gases que vazam muito facilmente de seus recipientes, como o gás
hidrogênio. Além de extremamente resistente, o grafeno é muito leve: sua
densidade é de 0,77 g/ m², cerca de mil vezes mais leve que uma folha de papel.
Propriedades
elétricas
Os
elétrons conseguem propagar-se no grafeno quase livremente sem sofrerem desvios
ou colisões. Em virtude da estrutura hexagonal das ligações de carbono, os
elétrons deslocam-se no interior dessas finas camadas em velocidades
relativísticas, próximas à velocidade da luz.
Em
temperatura ambiente, a resistividade elétrica do grafeno é a mais baixa que
conhecemos, cerca de 10-6 Ω.m, menor que a resistividade da prata, o melhor
condutor metálico conhecido.
Propriedades
ópticas
Apesar
de ser uma camada de carbonos com altura de um único átomo, o grafeno é visível
a olho nu, já que permite a passagem de 97% a 98 % da luz incidente. Esse
comportamento óptico surge das propriedades relativísticas dos elétrons no
grafeno. Isso implica que, ao amontoarem-se diversas folhas de grafeno, é
possível produzir um corpo perfeitamente negro, capaz de absorver quase toda a
radiação incidente sobre ele.
Propriedades
térmicas
Em
virtude das suas propriedades eletrônicas, o grafeno é um excelente condutor
térmico. Esse material é capaz de dissipar calor mais rápido que qualquer outro
conhecido. Além disso, alguns estudos sugerem que sua temperatura de fusão seja
de 4125 K, cerca de 3851° C.
O
grafeno estável e bidimensional foi descoberto acidentalmente em 2004 pelos
físicos russos André Geim e Konstantin Novoselov. Essa descoberta garantiu aos
pesquisadores, em 2010, o prêmio Nobel de Física. A existência desse alótropo
do carbono, no entanto, já era conhecida desde 1930.
Qual
é o preço do grafeno?
O
preço do grafeno ainda é elevado em virtude de seus complexos meios de
obtenção. As técnicas mais atuais que permitem a produção de camadas puras e
finas desse material funcionam com a deposição de vapor em substratos
metálicos, como folhas de cobre.
Atualmente,
uma folha de grafeno de 5,08 cm por 2,54 cm, cerca de 12,9 cm², pode custar até
275 dólares: uma média de 21 dólares por centímetro quadrado. No entanto,
fatores como impurezas e assimetrias podem reduzir drasticamente esse preço.
Outra
forma de obtenção do grafeno é a partir da grafite: com 1 kg de grafite, que
custa em torno de 1 dólar, é possível produzir até 150 g de grafeno, cujo valor
supera os 15 mil dólares¹.
Onde
encontramos o grafeno?
Apesar
de ser um alótropo do carbono, como a grafite e o diamante, o grafeno não é
encontrado na natureza em sua configuração bidimensional, isto é, contendo
apenas um átomo de altura.
Na
forma bidimensional, o grafeno tem sua estabilidade química drasticamente
reduzida, apesar de adquirir propriedades físicas e químicas que o tornam ótimo
condutor de calor e de corrente elétrica e o material mais resistente já
conhecido. Dessa forma, na natureza, é privilegiada a ocorrência do grafeno de
multicamada, que é bem menos interessante para aplicações tecnológicas.
Qual
é a composição do grafeno?
O
grafeno é composto por átomos de carbono ligados em estruturas cristalinas
hexagonais por meio de ligações sp2. Essas ligações repetem-se ao longo de um
plano bidimensional, com somente um átomo de altura.
O
que se pode fazer com o grafeno?
O
grafeno é um dos materiais mais promissores conhecidos. Suas aplicações tecnológicas
são vastas e limitam-se à capacidade de produção desse material em grandes
escalas. Dispositivos como telas de LED dobráveis, células fotovoltaicas
(painéis solares), telas sensíveis ao toque mais resistentes, transistores mais
eficientes, supercapacitores, dissipadores de calor e superbaterias de celular
são alguns exemplos de tecnologias possíveis por meio da aplicação do grafeno.
Recentemente, um aluno da University State of California, mostrou que,
submetendo-se um disco de grafeno a uma carga elétrica durante dois segundos, é
possível manter aceso um LED por até 5 minutos.
Grafeno
no Brasil
O
Brasil encontra-se na corrida tecnológica em busca da obtenção de métodos mais
baratos e eficientes para a produção de grafeno. Segundo relatório produzido em
2012 pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em poucos anos, o
mercado do grafeno deverá ser um dos mais rentáveis do mundo, tendo potencial
de atingir até 1 trilhão de dólares em 10 anos. Além disso, o Brasil detém as
maiores reservas de grafeno do mundo.
Apesar
de ter a altura de um átomo, a camada de grafeno é visível a olho nu em virtude
de efeitos relativísticos que surgem em sua estrutura.
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