Panacéia dos Amigos

PANACÉIA DAS VISITAÇÕES

quarta-feira

CIENTISTAS CRIAM A "BATERIA QUÂNTICA"



A bateria seria preparada dentro de um "estado escuro", onde não é possível trocar energia com o ambiente.

Uma equipe de cientistas das universidades de Alberta e Toronto esboçaram uma "bateria quântica" que jamais perderia sua carga. A tecnologia ainda não foi produzida, mas caso eles consigam montar a teoria na prática, seria uma inovação revolucionária no armazenamento de energia.

"As baterias com as quais estamos familiarizados - como a bateria de íons de lítio que alimenta seu smartphone - baseiam-se em princípios eletroquímicos clássicos, enquanto as baterias quânticas dependem apenas da mecânica quântica", disse Gabriel Hanna, químico da Universidade de Alberta.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado no Journal of Physical Chemistry C. em julho deste ano. Ele explica que a bateria funciona aproveitando o poder da "energia excitônica", que é o estado em que um elétron absorve fótons suficientemente carregados.

Os pesquisadores, então, descobriram que o modelo de bateria resultante deve ser "altamente robusto às perdas de energia", graças ao fato da bateria ser preparada dentro de um chamado "estado escuro", no qual não é possível trocar energia com o ambiente, seja absorvendo ou liberando fótons.

Ao quebrar a rede quântica do estado escuro, os pesquisadores afirmaram que a bateria poderia descarregar e liberar energia no processo. No entanto, a equipe ainda não encontrou soluções viáveis para tornar isso possível. Eles também estão tentando descobrir uma maneira de escalar a tecnologia para aplicativos do mundo real..


Fonte: Olhar digital

segunda-feira

GOOGLE E O COMPUTADOR QUÂNTICO



Empresa anuncia oficialmente ter atingido a supremacia quântica; entenda o que significa a conquista.

Conforme antecipamos no fim do mês passado, o Google agora anuncia oficialmente ter atingido a chamada supremacia quântica. O anúncio marca um novo capítulo na história da computação.

O Google conseguiu fazer um de seus computadores quânticos realizar, em alguns segundos, algo que o mais potente computador do mundo demoraria cerca de 10 mil anos para fazer. O chip quântico da empresa, chamado de Sycamore, conseguiu desvendar em 200 segundos o segredo por trás de um gerador de números aleatórios, algo que o Summit - supercomputador da IBM - levaria milhares de anos para fazer.

Os detalhes da pesquisa, publicados na renomada revista científica 'Nature', serão anunciados hoje (23) pelo Google em Santa Bárbara, na Califórnia, EUA.

O feito da empresa abre portas para revolucionar como os computadores operam e amplia as possibilidades na criação de novos materiais, desenvolvimento de medicamentos e até a expansão da inteligência artificial.

Na computação tradicional, usada por PCs e celulares na atualidade, toda e qualquer informação é armazenada ou processada na forma de bits, que sempre serão representados por 0 ou 1. Já na computação quântica, os chamados qubits - bits quânticos - podem assumir inúmeros estados, num fenômeno conhecido como superposição. Isso aumenta drasticamente a quantidade de informações que pode ser processada ao mesmo tempo, superando, por muito, o funcionamento de computadores tradicionais, mesmo os mais potentes.

No passo em que um par de bits tradicionais expressa um tipo de informação de cada vez, dois bits quânticos podem expressar quatro 'estados' ao mesmo tempo. Estima-se que 300 qubits expressem um número de estados maior do que o número de átomos no universo. O chip Sycamore possui 53 qubits. A IBM, principal concorrente na busca pelo computador quântico, já havia anunciado chips com a mesma capacidade, mas ainda não havia apresentado resultados de sua utilização em operações complexas, como fez o Google.

A novidade foi reconhecida, porém, relativizada pela IBM, que publicou um artigo sobre o marco atingido pelo Google: "O experimento do Google é uma excelente demonstração do progresso da computação quântica baseada em supercondutores, mostrando a fidelidade de uma porta de última geração em um dispositivo de 53 qubit, mas não deve ser visto como prova de que os computadores quânticos são 'supremos' em relação aos computadores clássicos".

Eles ainda pedem que a comunidade científica receba com "boa dose de ceticismo" a alegação de que um computador quântico fez algo que um computador clássico não pode.

Apesar de extremamente poderoso, o computador quântico também pode ser estável. A alta quantidade de qubits contidos em um chip quântico como o do Google, pode fazer com que essas partículas muito pequenas gerem uma perturbação capaz de desalinhar o sistema e torná-lo inútil.

Para superar esse possível problema, computadores quânticos desenvolvidos pela IBM e pelo próprio Google, usam supercondutores que operam a baixíssimas temperaturas, perto de -273ºC. Para diminuir consideravelmente a possibilidade de erros, o Google adicionou ao Sycamore, um design diferenciado, como explicam John Martinis, cientista-chefe da divisão de hardware do Google Al Quantum, e Sergio Boixo, cientista-chefe de computação teórica quântica, em nota conjunta:

"Nós atingimos essa perfomance usando um novo tipo de botão de controle que pode desligar as interações entre qubits vizinhos. Com a primeira computação quântica que não pode ser emulada razoavelmente em um computador clássico, nós abrimos um novo domínio da computação a ser explorado".

Além dos pesquisadores da Google AI Quantum, diversos acadêmicos da Universidade da Califórnia participaram do estudo. O artigo descrevendo a experiência chegou a ser publicado no site da Nasa, mas foi removido rapidamente porque a empresa queria enviá-lo a uma revista científica para ser revisado.

A marca atingida pelo Google vai muito além da área de computação. A esperança, e até expectativa de muitos, é que os qubits possam ajudar a ciência a avançar em áreas ainda nebulosas, além de desenvolver inteligências artificiais bem mais precisas..

Fonte: Olhar digital

terça-feira

PQP..! O PORTUGUÊS QUE NOS PARIU – LIVRO



     Como diz o ditado popular “Quem ri de si mesmo é sábio”. Se assim for uma revisão de nossa história sob uma perspectiva bem humorada só pode ser uma leitura proveitosa. E de fato é. Para além de algumas risadas com as tiradas certeiras (outras nem tanto) e sarcásticas da autora Ângela Dutra de Menezes obtemos ainda informações muito interessantes sobre nossos antepassados portugueses e sobre o descobrimento do Brasil que são mais profundas e desmistificadoras do que aprendemos mormente em salas de aula.

   A autora é escritora e jornalista. Nasceu no Rio de Janeiro, onde mora. Enquanto exerceu a profissão de jornalista, trabalhou no jornal O Globo e foi editora da revista Veja. Abandonou as redações para se dedicar a sua verdadeira paixão: a literatura. Em 1995 recebeu o prémio de revelação na Bienal do Livro, com Mil anos menos cinquenta, considerado pelo jornal madrileno La Cultura como um dos quatro melhores lançamentos de 1997, ano da sua publicação na Europa. A pesquisa histórica e o humor são marcas registadas da autora, que também publicou Santa Sofia e O avesso do retrato, Livro do apocalipse segundo uma testemunha e Todos os dias da semana.

   Em capítulos tão interessantes quanto divertidos aprendemos que temos muito em comum com nossos antepassados portugueses (incluso alguns defeitos, ora, pois!) e a influência dos cristãos novos e da cultura árabe que fundamental na cultura portuguesa não poderia deixar de nos influenciar. Entre outras curiosidades, descobrimos que as cores da bandeira nacional não o são exatamente o quê nos explicaram, algumas expressões corriqueiras partem de princípios religiosos e que muitas futricas de família causam confusões monumentais quando os familiares usam coroas ou querem usá-las..!

    E lembrem-se: Quem lê um livro comunga com a alma deste e desta comunhão renova a sua própria!

quarta-feira

VERDADE TROPICAL: MEMÓRIAS DE CAETANO VELOSO



Dizem que um bom livro deve atrair a curiosidade do leitor em um golpe certeiro na primeira linha completa. Neste caso, Caetano não perdeu tempo, como nunca perde, em ser polêmico: “Costumo dizer que, se dependesse de mim, Elvis Presley e Marilyn Monroe nunca se teriam tornado estrelas”. Com essa isca somos fisgados para tentar entender o poliedro intelectual do artista e também muito de sua frescura de ser divo, divino, divinatório e, acima de tudo, seu deleite por ser assunto.

Não precisamente uma biografia, mas uma relembrança de si mesmo Caetano retorna ao passado de modo fluido misturando histórias do pretérito conforme elas surgem em suas memórias ou considere interessantes de contar. Uma memória de infância pode concatenar com um dialogo dos anos 60 e uma situação na prisão pode trazer outras escoações não apenas biográficas, mas históricas também. Como conheceu João Gilberto, Os anos de chumbo, a importância de Gilberto Gil em sua vida, A prisão em 1968 e tudo se cristalizando até os anos 90 quando da feitura do livro. Os pretéritos se misturam, pois de fato, como acontece com todo mundo, eles são construídos pelo viveres e somos testemunhas de nosso tempo se nos atentarmos ao fato.


Um alguém da vivência de Caetano Veloso pode oferecer histórias das mais interessantes, pois afinal foi ele o epicentro de um dos movimentos mais marcantes da arte brasileira, Tropicália. Tudo que se refere à gênese do movimento tem saborosa complexidade (e, ao mesmo tempo puro acaso) além de toda a formação intelectual do artista e como se forjaram importantes amizades/parcerias  tornando a leitura muito prazerosa.

Mas, por outro lado, como uma biografia, ou melhor, um livro de memórias tem momentos menos interessantes. Caetano por vezes enche páginas com puro exibicionismo intelectual desnecessário. Um chato mesmo. Poderia ser simples e conciso, mas faz questão de ser verborrágico. Mas, enfim, é Caetano, e ler Caetano é como ouvir Caetano: sempre ignoramos algo e perdoamos porque o encanto é maior que o deslize do narciso..



E lembrem-se: Quem lê um livro comunga com a alma deste e desta comunhão renova a sua própria!