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terça-feira

Godless


Godless é o nome dado a uma minissérie em quatro edições publicada na década de noventa pela Editora Trama. O título, escrito por William Shibuya e Márcio Alex Sunder,desenhado por Alex Sunder, e colorizado por Alexandre Jubran, figura-se como uma das primeiras iniciativas da editora no mercado dos quadrinhos, ao lado de U.F.O Team. 

Na época, houve uma grande expectativa e entusiasmo porque se tratava de uma proposta ousada por parte da editora: produzir HQ´s nacionais com alto padrão de qualidade técnica (formato, papel, colorização), que se aproximasse do melhor produzido no mercado americano ( os trabalhos da Image, nestes termos, estavam no topo, naquele momento).

Pude assistir a todo o processo de maneira privilegiada, pois, conhecia pessoalmente os autores (Shibuya, Alex Sunder), o que tornou possível ver o roteiro (muito interessante) e pude conseguir uma entrevista para a caderno cultural “Mania” que produzia na época. Este roteiro inicial que li acabaria se tornando uma linha de base sobre a qual foi inserida novos argumentos, a arte de Alex Sunder teve momentos brilhantes e a colorização de Jubran nada ficou a dever as HQ´s estrangeiras.

O roteiro tratava de um mundo pós-apocaliptico em que, após o caos, erigiu-se uma nova ordem que unia governo e religião. No entanto, distantes de qualquer anseio altruístico, estes novos líderes desejavam o controle absoluto de mentes e almas em proveito próprio. Estabelecendo uma ditadura administrativa, militar e filosófica distorceram e remodelaram a influência dos conceitos religiosos de acordo a seus interesses para retirar das pessoas o pensamento crítico e o livre arbítrio. Esta elite passa a se autodenominar os DOUTRINANTES.
Diante dessas circunstâncias dois outros grupos se formam e se rebelam: os TECNOCRATAS que lutavam pelo renascimento da lógica, da Ciência e tecnologia (supostamente banida pelos Doutrinantes por ter sido a causadora da hecatombe que levou o mundo ao abismo), e os RENEGADOS que lutavam para que não morressem as expressões culturais, artísticas e filosóficas geradas pelo livre pensamento (também banida pelos Doutrinantes que desejavam o domínio sobre as massas o que necessariamente passa pela aniquilação da cultura e da filosofia) materializadas na literatura, música, arte e outros.

A luta entre essas facções (Ainda que, de certa forma, Tecnocratas e Renegados fossem “forçados” a uma aliança,com ressalvas, é claro.) é o pano de fundo da história que revela a existência de um anjo chamado MITZRAEL e um demônio de nome ACHERON. Ora, a existência de tais seres coloca as ações em outro patamar obrigando as facções a tentar compreender como devem se utilizar ou não destes seres e do que eles representam. Qual é a verdade e a mentira relativa a toda história que conhecem? O que deve ser feito? O enredo obteve sucesso junto ao público que aprovou a minissérie e a tornou um marco inicial importante para que outros trabalhos do gênero tivessem impulso para se lançarem no mercado.

Como curiosidade vale lembrar que a terceira edição teve um postêr de Roger Cruz com os personagens Mitzrael, Acheron e a renegada Crysallis.

Pessoalmente, lamento apenas que este universo não tenha continuado. Com certeza, havia muito mais a ser explorado e esses personagens tinham muito a oferecer.

Um comentário:

  1. Ah eu li essa HQ, tenho ainda os 4 volumes que comprei na banca. Lembro que gostei bastante da história. Nem sabia que a história era nacional! :O

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