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sexta-feira

A fraternidade das religiões - as lendas comuns - Annie Besant

Theosophical Publishing House Adyar, Madras, Índia Primeira Edição em fevereiro de 1913 Reimpresso em outubro de 1919 Há certas histórias, que se contam sobre os Fundadores das Religiões, cujo perfil é semelhante em todas elas; esta identidade de linhas gerais se deve ao fato de que cada Fundador é visto como uma encarnação do Logos, e que o símbolo do Logos, em todos os credos, é o Sol. De fato o Sol - a fonte da vida e da luz para os mundos deste sistema - é considerado nas antigas religiões como sendo o corpo do Logos, Sua forma manifesta no plano da matéria física, ao passo que nas religiões modernas o Sol é usado como símbolo do Senhor onipresente, imagem perfeita para Aquele que sustenta todos os mundos. A sempre repetida lenda do Sol, a história anual de nossa Terra, é a verdade fundamental, é o mito estruturador da manifestação física de todo Fundador de uma grande religião, e Suas vidas humanas sempre repetem o drama do Sol sobre o palco do mundo. Esta declaração não vale quanto à religião do Islã, e a razão é evidente. O grande Profeta da Arábia é considerado pelos seus seguidores como sendo puramente humano, e não como uma encarnação do Logos, e eles pensam corretamente; mas em todas as religiões onde o Fundador é visto como uma encarnação divina reaparece o perfil do grande mito. Este fato tem sido usado como argumento para provar que os Fundadores não possuem existência histórica, mas isso é um equívoco. A vida histórica contém os elementos que reencarnam o mito, e da figura histórica fulgem os raios do Sol divino; não é que seja o Sol o Fundador, mas que ambos, Sol e Ele, são representantes físicos da vida central de um sistema mundial, e aquilo que o Sol é para seu sistema o Fundador é para Sua religião. O Mitra da Pérsia tinha como ícone o Touro, assim como Osíris no Egito, porque o Touro era o signo zodiacal do equinócio vernal - a Ressurreição - quando a religião se estabeleceu; Oannes na Caldéia tinha o Peixe como símbolo, pela mesma razão; Júpiter era Júpiter Ammon; e Jesus era o Cordeiro, pela mesma razão. O Fundador Divino nasce em um lugar secreto, assim como o fez Shri Krishna em uma prisão, e o Senhor Mitra em uma caverna, e o Senhor Jesus em uma gruta - mudada para estábulo nos relatos canônicos. Os mistérios de Adônis antes eram celebrados, diz-se, também numa gruta. O nascimento é no solstício de inverno, e é sempre acompanhado por eventos maravilhosos, que variam conforme a nação. Os Devas fazem chover flores sobre Devâki, a mãe, e sobre seu Filho Divino; os Anjos enchem o ar com suas canções quando Maria, a Mãe Virgem, dá à luz o Divino Infante; vozes divinas cantam que o Senhor nasceu quando Neith, a Virgem Imaculada, dá nascimento a Osíris, o Salvador; quando nasce Zoroastro, a luz de seu corpo enche o aposento com sua radiância; os Devas cantam jubilosos quando Buda nasce, e nos escritos chineses, embora não nos indianos, diz-se que ele nasce de uma Mãe Virgem, Mâyâ, encoberta por Shing-Shin, o Espírito. O nascimento de diversos destes Seres foi anunciado pelo aparecimento de uma estrela. Krishna e Jesus foram ambos ameaçados de morte na infância, um por Kamsa, o outro por Herodes. Nârada proclama a natureza de Krishna infante, Asita fala das futuras glórias do pequeno Buda, Simeão saúda o Jesus bebê como a salvação do mundo. Buda é tentado por Mâra, e Jesus por Satã. Todos estes Grandes Seres curaram doentes, endireitaram deformados, ressuscitaram mortos. Assim se assemelhando em suas vidas, os Fundadores das Fés mundiais se assemelharam também em suas mortes. Sua morte é violenta, de qualquer forma que ocorreu; e sempre emergiu da idéia de sacrifício, o sacrifício do Logos por quem os mundos foram criados, como consta no Purusha Sukta do Rig-Veda. Desta morte Eles se erguem triunfantes, ascendendo ao céu. Osíris é assassinado, Seu corpo é desmembrado, como o do Purusha do Veda; mas Ele se ergue e reina. Thammuz é lamentado morto, e festejado ressurrecto. A história de Adônis é uma réplica do Thammuz sírio. Krishna é alvejado por uma flecha de um caçador, e sobe para Seu próprio mundo. Mitra é morto, e ascende da morte, para a salvação de Seu povo. Jesus é morto, mas se ergue e ascende aos céus. E todas as mortes e ressurreições recaem no equinócio vernal. Estas inumeráveis semelhanças não podem surgir do acaso, são sinais de uma trajetória comum, reaparecendo continuamente. As semelhanças superficiais saltam aos olhos à medida que folheamos as páginas das escrituras mundiais, e quanto mais estudamos, mais as lendas comuns se revelam os sempre repetidos contos de fadas da Lenda Mundial.

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