Panacéia dos Amigos

quinta-feira

ÁLCOOL E ESPIRITISMO: COMO A BEBIDA PODE AFETAR A SUA VIDA?



Os estragos fisiológicos e psicológicos causados pelo álcool são bem conhecidos. De efeito imediato, toda substância alcoólica que ingerimos libera serotonina, deixando a pessoa mais alegre, desinibida e até corajosa.

Após algum tempo, a substância começa a deprimir o sistema nervoso central.

Em altas doses, pode provocar intoxicação e, inclusive, levar à morte. Os efeitos do álcool também são extremamente nocivos.

O alcoolismo gera deterioração psicológica e física. A doença ainda impacta as relações pessoais do indivíduo, a vida profissional e até o status socioeconômico.

Ou seja, não poupa nenhum aspecto.

Para o Espiritismo, o alcoolismo afeta também o corpo espiritual. Isso sem contar que pode abrir portas para a influência de espíritos obsessores.

Qual a visão espírita das bebidas alcoólicas?

A Doutrina Espírita não proíbe o consumo de álcool.

Isto é, não há nenhum registro de texto ou regra da Espiritualidade que condene a ingestão de bebidas alcoólicas.

Até mesmo porque o Espiritismo defende o livre-arbítrio, que é a possibilidade que o indivíduo tem de agir conforme seus próprios desejos e decisões.

Ainda assim, a Doutrina Espírita alerta para os perigos das bebidas alcóolicas.

Além de relembrar os danos que podem ser causados à saúde, como cirrose hepática, hepatite, lesões no pâncreas, dentre outras doenças, os Espíritos também avisam sobre a capacidade que o álcool tem de provocar males ao espírito na atual encarnação e nas próximas.

Quais as consequências espirituais do consumo de álcool, segundo o Espiritismo?

Além do entorpecimento psíquico, o álcool também libera toxinas que atingem o perispírito (“laço” que une o corpo físico ao espírito).

Essas impurezas, por sua vez, podem atrapalhar as vibrações energéticas e ainda são capazes de dificultar o tratamento espiritual caso esse seja aplicado.

Os danos causados pelas bebidas alcoólicas ao corpo físico também se refletem no corpo espiritual.

Aliás, o indivíduo que morre em razão do abuso do álcool é considerado um suicida indireto.

A dependência prossegue até mesmo depois da morte, podendo se estender até às vidas futuras.

Nesses casos, o perispírito carrega as lesões e pode plasmar uma predisposição orgânica no novo corpo físico.

Álcool e Espiritismo: espírita pode beber?

Como vimos, o Espiritismo não impõe regras sobre o consumo de bebidas alcóolicas.

Entretanto, ao saber das consequências espirituais, é bastante provável que o indivíduo queira manter-se afastado do álcool.

Quem é médium pode beber?

Vale para o médium o mesmo que se aplica ao indivíduo comum.

Cabe ressaltar, no entanto, que a mediunidade representa uma conexão mais aberta e profunda com o mundo espiritual.

Dessa forma, o consumo de bebidas alcoólicas pode facilitar a aproximação de espíritos inferiores.

Como consequência, o médium pode ter maiores dificuldades de executar suas nobres funções.

Beber pode atrair espíritos ruins?

As companhias espirituais que se juntam a nós são atraídas e cultivadas pelos nossos pensamentos e ações.

Assim, se fazemos o bem e mantemos nossa mente alinhada ao amor, trazemos espíritos superiores conosco.

Por outro lado, se plantamos o mal, são os espíritos ruins que se ligam a nós.

Beber não significa necessariamente fazer o mal, mas a ação é um fator de decadência orgânica e moral.

Afinal, o consumo de álcool não constitui uma necessidade básica.

Além disso, quando ingerimos álcool, simpatizamos com espíritos que se comprazem com a bebida.

Espírito que faz a pessoa beber, existe?

Sim, existe, e esses espíritos, normalmente, foram viciados nas últimas existências.

Há um tipo de influência mais complexa provocada pelos espíritos que se denomina vampirismo.

Acontece quando o espírito se satisfaz por meio das emanações do encarnado, assim como um animal vampiro que se alimenta do sangue.

No caso do álcool, já que não pode ser encontrado no plano espiritual, o obsessor influencia o obsediado a consumir mais bebidas alcoólicas para que ele se satisfaça através das suas emanações fluídicas.

Vidas passadas podem ter relação com o alcoolismo?

Uma vez que o álcool age sobre o corpo espiritual, é certo dizer que o alcoolismo pode ter relação com vidas passadas.

Se o espírito abusou do álcool em uma de suas existências, tornando-se um viciado, é provável que carregue essas impressões mesmo após a morte.

E, então, quando tiver uma nova oportunidade de retornar ao mundo físico, o espírito pode, sim, vir com uma predisposição orgânica ao alcoolismo.

Álcool e Espiritismo: a luta para sair do vício

Todo vício requer uma dura batalha para que seja vencido.

No caso do alcoolismo, o indivíduo precisa trabalhar diversos aspectos psicológicos, além de lidar com questões físicas, como os efeitos da abstinência no corpo.

Ainda assim, é possível vencer a luta.

Evidentemente, a ajuda de profissionais especializados e de uma rede de apoio é sempre bem-vinda, mas nada acontece sem a força interna, conforme explicam os Espíritos em O Livro dos Espíritos:

(Pergunta 909) Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

Resposta: “Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

5 dicas para se livrar do vício da bebida ou das drogas

Junto com a força de vontade, alguns hábitos e tratamentos espirituais podem contribuir na luta contra o vício.

Veja cinco dicas:

1. Prece espírita para dependente químico

A prece é uma projeção de pensamentos e expressões de sentimentos que alcançam Deus.

Ela tem o potencial de elevar as vibrações e atrair os bons espíritos.

Assim, fazer uma prece espírita solicitando ajuda no tratamento pode ajudar.

2. Água fluidificada

A água fluidificada é um recurso terapêutico em que os fluidos são acrescidos na água e a bebida adquire uma propriedade medicamentosa.

Essa transfusão de energias pode ser feita por um médium magnetizador ou pela própria força dos espíritos.

Basta ir até um centro espírita ou, então, deixar a bebida perto da cama e, antes de dormir, rogar aos bons espíritos que derramem os medicamentos necessários.

3. Leituras edificantes

Elevar o padrão vibratório é essencial para combater as forças do mal e manter-se firme no propósito.

Entre os hábitos que ajudam a aumentar a vibração está a leitura.

Procure ler obras da literatura espírita ou livros de autoajuda.

4. Meditação

A meditação é mais uma das técnicas que contribuem para elevar a faixa vibracional, além do que é excelente para organizar os pensamentos e reduzir a ansiedade.

Tente praticá-la frequentemente e, principalmente, nos momentos em que as emoções parecem tomar conta das ações.

5. Reforma íntima

O começo de toda a mudança parte do autoconhecimento.

Antes de tudo, é preciso olhar para si mesmo e identificar pontos que precisam ser corrigidos.

Dedique-se à reforma íntima e procure reparar maus hábitos adotados, pensando sempre na prática do bem.

Drogas e Espiritismo

Assim como o álcool, as drogas afetam o perispírito. Ele sofre todas as repercussões do uso e abuso das substâncias.

O excesso de álcool e outras drogas atribui uma forma grosseira ao corpo espiritual, condenando-o à dor, sobretudo futura, para que seja expurgada.

Os dependentes químicos ainda aproximam espíritos menos evoluídos, perturbadores e desencarnados que podem influenciar ainda mais o consumo.

Mensagem espírita sobre vícios

Para quem está enfrentando o vício, essa mensagem do espírito André Luiz pode inspirar e fortalecer a fé na luta contra o problema:

“A sua luta é consigo mesmo e não com mais alguém, é a si mesmo que você precisa vencer, ou seja, vencer seus defeitos, seus vícios, seus desejos, seus pensamentos. O único mal a temer é aquele que ainda existe em nós!”

Conclusão

As bebidas alcoólicas são fabricadas e consumidas desde a pré-história.

Ao longo desses anos, elas têm sido associadas a práticas religiosas e festivas, sendo considerada por muitas pessoas um mecanismo de interação social.

No entanto, como vimos neste artigo, o consumo de álcool e drogas representa um desvio moral.

Além disso, ele é capaz de destruir a vida do indivíduo, sem contar o estrago que pode provocar no perispírito.

Fonte: Equipe Conteúdo Espírita.


O REI INDIANO



Em plena Segunda Guerra Mundial — numa época em que as fronteiras estavam fechadas, a compaixão era escassa e a humanidade parecia estar morrendo — um pequeno navio cheio de órfãos poloneses famintos navegava pela costa indiana, implorando por misericórdia.

Eles haviam cruzado continentes.

Escapado dos gulags soviéticos.

Enterrado seus pais na neve.

E sobrevivido à fome, doenças e traumas inimagináveis.

Mas quando finalmente chegaram à Índia, então sob domínio britânico…os britânicos se recusaram a deixá-los entrar. Porto após porto, a mesma resposta:

“Entrada negada.”

“Não é problema nosso.”

“Rejeitem o navio.”

Essas eram crianças que haviam perdido tudo. E o mundo — mais uma vez — virou as costas. Até que um rei indiano disse: “Basta.”

Seu nome era Maharaja Jam Saheb Digvijaysinhji Ranjitsinhji Jadeja — o governante de Nawanagar, no atual estado de Gujarat. Quando soube que centenas de crianças polonesas estavam à deriva no mar, rejeitadas pelo governo colonial que governava suas terras, ele não hesitou, não negociou nem calculou o risco político.

Ele simplesmente disse: “Tragam-nas para mim.”

E então disse aos britânicos: “Se vocês não as salvarem… eu salvarei.”

O navio atracou em seu território — não porque o império permitisse, mas porque a humanidade de um homem superou a crueldade deles.

“Vocês não são mais órfãos. Agora vocês são de Nawanagar. E eu sou o pai de vocês.”

Quando as crianças pisaram em solo indiano — magras, doentes, aterrorizadas — o Maharaja não as recebeu como refugiadas. Ele as recebeu como se fossem seus próprios filhos. Ele lhes prometeu segurança. Ele prometeu-lhes dignidade. Prometeu-lhes uma infância.

E cumpriu cada palavra. 

Uma Pequena Polônia em Gujarat. Jam Saheb não construiu um campo de refugiados. Ele construiu um lar. O Campo de Balachadi, perto de seu palácio, tornou-se um santuário de 1942 a 1946. E ele garantiu que ali se sentisse como na Polônia:

• Professores poloneses

• Cuidadores poloneses

• Comida polonesa

• Feriados poloneses

• Orações polonesas

• Cultura polonesa

Ele lhes disse:  “Vivam como viviam em casa. Sua identidade permanece com vocês.”

Ele criou um milagre — um pedaço da Polônia na Índia — enquanto a Europa ardia em chamas. De crianças da guerra… a filhos de um rei indiano

Sobreviventes dizem: 

“Chegamos como órfãos. Partimos como família.”

“Ele nos devolveu a infância.”

“Ele era nosso Bapu — nosso pai.”  Muitos deles cresceram e se tornaram médicos, professores, diplomatas, engenheiros.

E carregaram uma lembrança para sempre: A Índia salvou suas vidas quando os poderosos os rejeitaram. A Polônia Jamais Esqueceu.

Décadas depois, a Polônia o homenageou de maneiras geralmente reservadas a heróis nacionais: 

Praça do Bom Marajá em Varsóvia

Uma escola com seu nome

A Cruz de Comendador da Ordem do Mérito da República Polonesa

O parlamento polonês declarou em homenagem:

“Lembramos o Marajá como um homem que via nossos filhos não como estrangeiros, mas como seres humanos.”

Uma história que toda geração deveria conhecer

O ato do Marajá não foi político.

Não foi estratégico.

Não foi necessário.

Foi pura humanidade — um lembrete de que nações não salvam pessoas… pessoas salvam pessoas. Num mundo onde refugiados ainda são rejeitados, fronteiras ainda se fecham e a compaixão ainda parece condicional…

Esta história importa mais do que nunca.

Porque certa vez, em 1942, quando o Império Britânico recusou 640 crianças perdidas…Um rei indiano abriu os braços e disse:

“Vocês estão em casa.”"

quarta-feira

UM GESTO CONTRA O HORROR

 


Quando o soldado americano a encontrou, ela pesava apenas 31 quilos. Seus ossos pareciam prestes a atravessar a pele, e a vida pendia por um fio tão frágil que qualquer vento mais forte poderia tê-la levado. À beira da morte, ela reuniu a última centelha de coragem que lhe restava e disse ao soldado:
“Eu sou judia.”
Ela esperava condenação. Esperava um tiro. Esperava o fim.
Mas recebeu três palavras que mudariam tudo:
“Eu também sou judeu.”
Era 7 de maio de 1945, em Volary, na Tchecoslováquia, último suspiro da guerra, quando a Europa inteira ainda cheirava a fumaça, cinzas e medo.
Gerda Weissmann estava apoiada no batente enferrujado de uma fábrica de bicicletas abandonada. O prédio parecia tão exausto quanto ela — janelas quebradas, paredes descascadas, silêncio pesado. Ela tinha apenas 20 anos, mas seus cabelos estavam completamente grisalhos, um grisalho de trauma e não de idade. No dia seguinte seria seu aniversário.
Seis anos antes, ela era apenas uma adolescente que gostava de ler. Agora, era uma sobrevivente de campos que existiam para apagar qualquer traço de humanidade.

AS BOTAS
Nos pés, ela ainda usava as mesmas botas de esqui. O último presente do pai antes de serem separados para sempre.
“Use-as. Aconteça o que acontecer.”
Essas botas a carregaram por uma marcha da morte de 560 quilômetros, sobre neve que cortava como lâminas. Cada passo era uma luta. Muitas mulheres não resistiram. Caíam — de fome, de frio, de tiros — e ficavam ali, congeladas como sombras na neve.
Gerda continuou. As botas eram sua ligação com o pai, sua âncora, sua promessa silenciosa de que ela precisava sobreviver por ele.
Agora, quase no fim de tudo, ela estava ali, imóvel, olhando para o soldado que acabava de sair de um jipe militar. Ele se aproximava devagar, com um cuidado que ela não reconhecia. Uniformes, para ela, sempre significaram brutalidade. Violência. Ordens. Morte.
Ela disse que era judia para testar o destino. Era como dizer: Acabe logo com isso.

O SOLDADO
Ele parou.
A luz da manhã de primavera refletia em seus óculos escuros. Ela não conseguia ver seus olhos, mas pôde ouvir a pausa — uma respiração profunda, quase tremida — antes que ele respondesse:
“Eu também sou judeu.”
O soldado era o tenente Kurt Klein, um judeu alemão que fugira para os Estados Unidos antes que as leis n4zis destruíssem sua família. Ele voltou à Europa como soldado americano, determinado a libertar aqueles que não conseguiram fugir — e, no fundo, na esperança de reencontrar seus pais.
Ele não sabia que eles já estavam mortos. Mas naquele instante, diante de Gerda, ele soube que precisava fazer por ela o que ninguém fizera por seus pais.

UM GESTO QUE QUEBROU SEIS ANOS DE HORROR
Depois de ouvi-la, Kurt respirou fundo e disse:
“Posso ver as outras damas?”
Damas.
Essa palavra caiu sobre ela como um milagre. Ela não ouvia algo assim desde 1939.
Nos campos, elas eram chamadas de “ratos”, “verminas”, “números”. O idioma que descrevia mulheres havia sido arrancado delas, substituído por gritos e insultos. Ser chamada de “dama” era quase inimaginável.
Gerda, fraca demais para chorar, apenas piscou devagar. Kurt, então, fez algo que Gerda lembraria pelo resto da vida: ele abriu a porta e esperou que ela passasse primeiro.
Um gesto tão pequeno, mas que devolveu algo imenso:dignidade.
“Ele abriu a porta”, ela diria anos depois. “Não para me devolver minha família — mas para me devolver minha humanidade.”

OS DIAS SEGUINTES
Gerda foi levada ao hospital. Estava tão desnutrida que os médicos decidiram alimentá-la com quantidades mínimas de comida — um pouco mais poderia matá-la. Ela mal conseguia segurar uma colher.
Kurt a visitava todos os dias. Conversava com ela com a mesma educação que teria diante de qualquer moça saudável, como se estivesse tentando reconstruir o mundo dela palavra por palavra.
Ele perguntava sobre sua vida antes da guerra, sobre livros, sobre suas amizades, sobre seus pais. Ele a ajudava a lembrar que ela era alguém antes do horror — e ainda era. A cada visita, Gerda ia recuperando pequenos pedaços de si mesma.

O PEDIDO
Quando chegou a hora de Kurt voltar aos Estados Unidos, ele não suportou deixá-la sem esperança. Perguntou o que ela faria na América. Gerda não entendeu. Então ele sorriu, com uma suavidade que ela jamais associaria a um uniforme militar:
“Você poderia se casar comigo.”
Ela disse sim.
Casaram-se em Paris, em 1946. Durante a cerimônia, todos sabiam que presenciavam algo que desafia até o mais frio dos céticos: a vida renascendo do impossível.

UMA VIDA QUE ELA NUNCA IMAGINOU TER
Gerda e Kurt construíram algo que parecia proibido para sobreviventes:
paz.
Tiveram três filhos, uma casa cheia de livros e risadas, longas conversas noturnas e uma união de 56 anos, até a morte de Kurt em 2002. Juntos, passaram décadas contando ao mundo sobre os horrores que testemunharam — não para espalhar dor, mas para evitar que ela fosse repetida.
Em 2011, Gerda recebeu das mãos do presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos.
Ela viveu até 97 anos, falecendo em 2022, cercada por família, amor e memória — o oposto absoluto do destino que os nazistas planejavam para ela.

A ÚLTIMA LIÇÃO
Até o fim da vida, Gerda lembrava das botas do pai. Elas salvaram seus pés — mas não foram elas que salvaram sua alma.
Foi uma palavra.
Foi um gesto.
Foi uma porta segurada por um desconhecido que se recusou a tratá-la como invisível.
Aquela porta não dava apenas para fora de uma fábrica abandonada.
Dava para fora da escuridão.
Para fora da desumanização.
Para fora do “nada” que tentaram fazer dela.
Do outro lado daquela porta, havia um futuro — um futuro inteiro — esperando por ela.

E TUDO COMEÇOU ASSIM
Uma jovem de 31 quilos, cabelos grisalhos aos vinte anos.
Um soldado que perdeu os pais para o mesmo ódio que a destruiu.
Uma frase dita com medo.
E três palavras de resposta que mudaram duas vidas para sempre.
“Eu sou judia.”
“Eu também sou judeu.”
Duas pessoas, de pé em uma porta enferrujada, provaram aquilo que a guerra tentou negar:
Que um único instante de humanidade pode ser mais forte que anos de crueldade.
Que segurar uma porta pode significar devolver uma vida.
E que, mesmo depois do pior que o ser humano é capaz de fazer, ainda é possível recomeçar.
Juntos, eles recomeçaram.
E o amor deles durou 56 anos.

Fonte: Facebook História Perdida

segunda-feira

UM GESTO DE BONDADE MULTIPLICADO



Salvou a educação do filho de uma família desconhecida com 15 dólares. Décadas depois, ela descobriu por que ele estava procurando por ela.

No começo dos anos 1980, um menino queniano chamado Chris Mburu estava prestes a perder o futuro. Ele era o melhor aluno da sua região rural — estudava à luz de uma lamparina, numa casa de barro sem eletricidade. Mas sua família não tinha dinheiro para pagar as mensalidades. Sem ajuda, sua educação terminaria ali. E com ela, qualquer chance de escapar de uma vida colhendo café nos campos.
Do outro lado do mundo, na Suécia, uma professora de 80 anos chamada Hilde Back viu um anúncio de um programa de patrocínio escolar. Escolheu um nome na lista: Chris Mburu, Quênia. Começou a enviar 15 dólares para que ele pudesse continuar estudando. Sem buscar atenção. Sem esperar nada em troca. Apenas um gesto silencioso de bondade em direção a uma criança que ela nunca tinha visto.
Aquele pequeno valor mudou absolutamente tudo.
Chris permaneceu na escola. Ele e Hilde trocaram cartas: ela perguntava sobre seus professores, suas matérias favoritas, seus sonhos. E, através dessas cartas, ele entendeu algo essencial — por trás da ajuda havia uma pessoa real. Uma pessoa que acreditava nele. E isso ele jamais esqueceu.
Chris terminou o ensino médio com honra. Formou-se em Direito pela Universidade de Nairóbi. Ganhou uma bolsa Fulbright para estudar na Universidade Harvard. Tornou-se advogado de direitos humanos da ONU, trabalhando em casos ligados a genocídio e crimes contra a humanidade ao redor do mundo.
Mas havia uma inquietação: ele nunca tinha agradecido de verdade à mulher que tornou tudo possível. Não sabia quem ela era além de um nome distante.
Em 2001, Chris criou um programa de bolsas para jovens como ele — estudantes brilhantes, de famílias pobres, cujo talento poderia desaparecer sem apoio. E pediu ao embaixador da Suécia no Quênia que o ajudasse a encontrar sua madrinha anônima. Queria batizar a fundação com seu nome.
Encontraram-na. Hilde Back. Viva. Idosa. Ainda na Suécia.
Chris viajou para conhecê-la. Imaginava uma grande filantropa. Mas encontrou uma senhora simples, gentil, comovida por alguém pensar que ela tinha feito algo extraordinário.
Então, a cineasta Jennifer Arnold começou a documentar o reencontro. E descobriu algo que Hilde nunca tinha contado a Chris.
Hilde não nasceu na Suécia. Ela nasceu na Alemanha em 1922, em uma família judia. Aos 16 anos — quando as leis nazistas já lhe haviam tirado o direito à educação — estranhos a ajudaram a fugir para a Suécia. Seus pais ficaram para trás. Ambos foram enviados para campos de concentração. Seu pai morreu lá. Sua mãe desapareceu para sempre.
Hilde sobreviveu ao Holocausto porque desconhecidos a salvaram. Ela foi privada de educação porque era judia.
E cinquenta anos depois, devolveu silenciosamente a oportunidade que lhe foi tirada — financiando os estudos de uma criança africana, que cresceu para lutar justamente contra o ódio que destruiu sua família.
Quando Chris soube disso, chorou. Hilde, por sua vez, não tinha ideia de que o menino que ela ajudou dedicaria a vida a combater genocídio, racismo e perseguições.
Em 2003, Hilde viajou ao Quênia para a inauguração do Hilde Back Education Fund. A cidade inteira a recebeu como uma anciã honrada. Em 2012, voltou para celebrar seu aniversário de 90 anos, cercada por centenas de crianças cujas vidas tinham mudado graças à fundação que levava seu nome.
Hilde Back faleceu em 13 de janeiro de 2021, aos 98 anos.
Hoje, o Hilde Back Education Fund já ajudou cerca de mil crianças quenianas a continuarem seus estudos. Muitos se formaram em universidades de diferentes países. E agora estão retribuindo: acompanham novos estudantes e contribuem mensalmente para apoiar a próxima geração.
Uma mulher. Quinze dólares. Uma criança.
Aquele menino criou uma fundação. A fundação transformou vidas. E essas vidas continuam transformando outras.
Chris disse uma vez:
“Você não pode mudar o mundo inteiro. Às vezes, basta ajudar uma criança.”
Hilde ajudou apenas uma. E esse pequeno ato continua se multiplicando até hoje.

Fonte: Facebook

terça-feira

UM FÃ DOS BEATLES DE 108 ANOS



Em plena Beatlemania dos anos 60, quando multidões de jovens gritavam por Lennon e McCartney, um fã muito especial surpreendia desde a Inglaterra. Não era um adolescente, nem um jovem de 20 anos, nem mesmo um homem de meia idade. Era John Mosely Turner, um carpinteiro aposentado, cego, nascido em 1856... e fã dos Beatles aos 108 anos.

Tinha vivido um mundo muito diferente: fumaça de fábricas, jornadas intermináveis de trabalho, um século XIX onde se divertir era um luxo. Mas em sua velhice, sentado na casa que tinha construído com suas próprias mãos, encontrava alegria no rádio. Especialmente quando os Beatles tocavam, cujas músicas eram conhecidas de cor.

Turner concedeu várias entrevistas e repetia sempre a mesma coisa: que os jovens dos anos 60 tinham sorte de poder dançar e curtir, porque na sua juventude só havia lugar para trabalhar.

Faleceu em 1968, com 111 anos, logo depois de ver a música que amava se tornar um fenômeno mundial. Um homem nascido sob o reinado da Rainha Vitória, que sobreviveu a guerras e mudanças de época, terminou seus dias se emocionando com Hey Jude e She Loves You.

Sua história é um lembrete de que a música não tem idade: une crianças, avós... e até os bisavós do século XIX.

quarta-feira

EPISÓDIO DE CHICO XAVIER

 



Certa vez, um amigo abordou o médium e perguntou-lhe:

– Chico, em sua opinião, qual é o homem mais rico?

Como se estivesse a ouvir a voz de Emmanuel nos escaninhos da alma, o médium respondeu:


– Para mim, o homem mais rico é o que tenha menos necessidades...


Arriscando nova pergunta, o companheiro quis saber:

– E o homem mais justo e sábio?...


Com a mesma espontaneidade, ele esclareceu:

– O homem mais justo e sábio é o que cumpre com o dever...


– Mas – insistiu, certamente, interessado em alguma revelação que lhe facilitasse a vida 

– o que você está me dizendo é o óbvio...


Com o fraterno sorriso de sempre, sem se deter na tarefa de atendimento aos que lhe procuravam a palavra, Chico redarguiu:


– Meu filho, tudo que está no Evangelho é o óbvio... 

Não existem segredos nem mistérios para a salvação da alma. 

Nada mais óbvio que a Verdade! 


O nosso problema é justamente este: queremos alcançar Céu, vivendo fora do óbvio na Terra!...

quinta-feira

SONETO DA SEPARAÇÃO - VÍNICIUS DE MORAES



De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.


A ROSA DE HIROSHIMA - VÍNICIUS DE MORAES

 



Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroxima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida.

A rosa com cirrose

A antirrosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada.


POEMA EM LINHA RETA - FERNANDO PESSOA

 


 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo.

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado

[sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

 

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

 

Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?

 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

 

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,

Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

 

Álvaro de Campos"


VERSOS ÍNTIMOS - AUGUSTO DOS ANJOS

 



Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de sua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te à lama que te espera!

O homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

 

Se alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!


sexta-feira

EU SOU UM PACOTE DE ESFORÇOS VÃOS AMARRADOS - THOREAU

 



Sou um embrulho de esforços vãos amarrados

Por um laço casual,

Balançando para um lado e para o outro, seus elos

Foram feitos tão frouxos e largos,

Acho,

Para o clima mais ameno.

 

Um buquê de violetas sem raízes,

E azedinhas misturadas,

Circundado por um fio de palha

Uma vez enrolado em seus brotos,

A lei

Pela qual estou fixado.

 

Um ramalhete que o Tempo arrancou

Daqueles belos campos Elísios,

Com ervas daninhas e caules quebrados, às pressas,

Faz a ralé debandar

Que desperdiça

O dia em que ele cede.

 

E aqui eu floresço por uma curta hora invisível,

Bebendo meus sucos,

Sem raiz na terra

Para manter meus galhos verdes,

Mas permaneço

Em uma xícara nua.

 

Alguns brotos tenros foram deixados em meu caule

Em imitação da vida,

Mas ah! As crianças não saberão,

Até que o tempo as tenha murchado,

A desgraça

Com a qual estão cheias.

 

Mas agora vejo que não fui colhido em vão,

E depois

colocado no vaso de vidro da vida enquanto pude sobreviver,

Mas por uma mão bondosa, trazido

Vivo

a um lugar estranho.

 

Esse estoque assim reduzido logo redimirá suas horas,

E por mais um ano,

Como Deus sabe, com ar mais livre,

Mais frutos e flores mais belas

Darão,

Enquanto eu aqui definho.