Panacéia dos Amigos

VISITAÇÃO

sexta-feira

O mistério sombrio de Jack, o estripador

LONDRES E WHITECHAPEL

1888.O império britânico está no auge e seus domínios estendem-se por vários territórios na Europa até a Índia. Sua influência está em todas as partes do mundo, trata-se da superpotência desta época. Sob o comando, já há meio século, da Rainha Vitória, o império britânico prospera como nunca antes em sua história.

Londres é a capital do mundo. Uma metrópole que oferecia muitos prazeres e diversões aos seus habitantes e visitantes. Pelo menos, aos que podiam pagar, aos demais cabia pagar a prosperidade dos outros com uma vida de miséria quase absoluta. Estes universos paralelos e conflitantes se representavam entre o West End que era um bairro nobre com seus teatros de luxo e belas mansões e o East End com seus cortiços, pensões e bórdeis aonde um bairro se destacava em todos os seus aspectos funestos: Whitechapel.

Whitechapel era um verdadeiro labirinto com ruelas estreitas, pátios e becos que eram escuros mesmo sob a luz do dia. As casas eram todas velhas e mal conservadas. Em geral, uma família inteira , com dez ou mais pessoas ocupava um único cômodo, sem banheiro, iluminação ou ventilação. Mesmo assim, afluíam para o bairro inúmeras pessoas que desejavam tentar a sorte em Londres, vindas do interior ou de outros países. No ano de 1888, a população de Whitechapel alcançava 2.000.000 de pessoas entre judeus, russos, poloneses, chineses, escandinavos e ingleses marginalizados, um número que superava cidades como Filadélfia ou Berlim, e a prostituição era o meio mais utilizado pelas mulheres miseráveis para garantir sua sobrevivência. Havia mais de 2.000 prostitutas vagando pelo bairro, chegando até a atender os clientes em plena rua. Além da prostituição, o crime era um meio de vida, bastante comum.

E foi no miserável bairro de Whitechapel aonde aconteceu o flagelo conhecido como JACK, O ESTRIPADOR.

OS ASSASSINATOS

A partir do mês de agosto, Jack, o estripador, transformou o bairro de Whitechapel em um matadouro. Trouxe o horror e pesadelo as almas de toda Londres. Assassinou brutalmente cinco prostitutas e desapareceu, sem deixar vestígios, repentinamente como surgiu alimentando um mito e mistério que se espalhou por todo o mundo perdurando até os dias de hoje.

A primeira vítima foi Mary Ann Nichols , sua garganta estava cortada e seu abdômen aberto. Não havia testemunhas, ninguém havia escutado nada. O investigador responsável fez com que se lavasse rapidamente o sangue deixado na rua pelo corpo, antes dos exames de legistas. Acreditou-se tratar de um crime passional nada incomum na vida das prostitutas de Whitechapel.

Este caso já caía no esquecimento quando ocorreu o segundo assassinato. O corpo de Anne Chapman , 47, foi encontrado nos fundos de uma casa em Hambury. A garganta estava cortada de lado a lado, o abdômen aberto e os intestinos jogados sobre o pescoço. Foi encontrado um avental de couro próximo ao corpo, além de três moedas e outros pequenos itens colocados meticulosamente, de maneira organizada e cujo significado escapava a polícia. O avental de couro era usualmente utilizada por açougueiros , gerando uma revolta e perseguição contra eles. A Scotland Yard resolve seguir as investigações sigilosamente, pois, o caso começa a causar confusão nas ruas.

No dia 30 de setembro, ocorre a noite dos dois assassinatos. Quando julgava-se que o assassino haveria desistido. Ele ataca de maneira assombrosa, com diversos policiais nas ruas, duas prostitutas e foge sem deixar vestígios. A primeira vítima, Elisabeth Stride, tinha a garganta cortada, mas a chegada repentina de um transeunte, fez com que Jack fugisse sem completar a mutilação. A polícia é avisada e se mobiliza nas ruas. Logo, em Mitre Square, distante não mais do que quinze minutos de corrida do local da primeira vítima, um segundo corpo é encontrado.

A vítima se chamava Catherine Eddowes, embora fosse também conhecida por outros nomes, entre eles o de "Mary Ann Kelly", sua perna esquerda estava esticada, e a direita encolhida. As palmas das mão estavam estendidas para cima, como se ela estivesse em oração ou pedindo perdão. A garganta, como de costume, cortada de lado a lado, e a parte do rosto do nariz até o ângulo direito havia afundado. Um pedaço da orelha direita estava desaparecido. Um corte havia sido feito do pescoço até o ventre. Os intestinos foram puxados e deixados em volta do pescoço e vários órgãos internos haviam sido retirados. Numa parede próxima foram encontrados pichações provocativas que envolviam os judeus. E numa fonte pública, havia sangue aonde o assassino teria lavado as mãos. Havia o desejo de fotografar o escrito, afinal, era aquela a escrita do estripador, mas o responsável da investigação mandou apagar as inscrições antes de qualquer registro alegando que logo vários transeuntes estariam ali podendo-se iniciar uma onda de anti-semitismo.

Foi então, que o horror se espalhou por toda a cidade londrina. O depto. da Scotland Yard recebia inúmeras cartas, supostamente, do assassino. Nestas cartas, ele desdenhava do esforço policial em captura-lo, divertia-se com as teorias a respeito e prometia mais mortes. A mais dramática trazia junto um vasilhame contendo um pedaço fresco de fígado, que o assassino que se identificava como Jack, o estripador, dizia haver comido a metade e que havia retirado de uma de suas vítimas. Exames realizados demonstravam que, de fato, se tratava de um fígado humano. Jack, enlouquecia de terror a população e se tornava um enigma terrível para a Scotland Yard, mas o pior ainda estava por vir.

Mary Jane Kelly, 25, era uma conhecida prostituta de Whitechapel, sua beleza, talvez, em virtude de ainda ser jovem, era muito cobiçada pelos "clientes", o que dava a Mary o "luxo" de poder utilizar um quarto que alugava em Dorset Street, nº 13.

Em 09 de novembro, o corpo de Mary Kelly foi encontrado pelo senhorio. Os lençóis e as paredes estavam banhados de sangue. Na lareira, fervia uma panela com água, e o coração de Mary estava nele. Um feto de três meses fora arrancado de seu útero e lançado contra a parede próxima da cama. Mary Kelly estava deitada, nua, sob a cama. A garganta estava cortada de orelha a orelha com profundidade até a coluna vertebral. Orelhas e nariz foram cortados e a pele do rosto foi arrancada. Do peito ao ventre foi aberta incisão deixando o abdômen e o estômago abertos. Os seios foram cortados e colocados, juntamente com todos os órgãos internos sobre uma mesa ao lado da cama. A perna direita estava flexionada e fora totalmente desossada. Roupas, provavelmente as dela, foram queimadas no fogo.

A Scotland Yard trouxe fotógrafos para tirarem fotos da retina de Mary Kelly na esperança de que a imagem do assassino estivesse neles. O local foi investigado e o assassinato em todos os seus terríveis detalhes tornou-se de domínio público horrorizando ainda mais a população. No entanto, nada mais se saberia sobre Jack, o estripador, este fora seu último assassinato.

SUSPEITOS

Existem vários suspeitos que podem ter sido Jack, o estripador. Tais suspeitas vão desde a moradores de Whitechapel, artistas plásticos, atores, ocultistas, médicos (como William Gull, médico da rainha e, de fato, necessitava-se de algum conhecimento para a mutilação, além de instrumentos médicos) até membros da nobreza britânica (O príncipe) e da Maçonaria. No entanto, provavelmente, nunca se saberá quem foi Jack, o estripador. Sua história se tornou um mito , uma parte das lendas britânicas tornando Whitechapel e os locais dos assassinatos uma atração turística visitada todos os anos por milhares de pessoas e geradora de diversos livros de pesquisa e ficção.

A identidade e as motivações de Jack, o estripador provavelmente jamais serão conhecidos, e quem sabe, isto é o melhor que possa acontecer.

CURIOSIDADES

  • Antes do assassinato do "avental de couro" uma testemunha alega ter visto um homem com bigodes para cima, cartola, bem vestido, aparentemente da alta sociedade, conversando a vítima e entrando com ela no local do assassinato. Disse que seus olhos eram frios e assustadores. Esta descrição era muito próxima do príncipe britânico, mas segundo relata-se ele estava viajando na época.
  • Na "noite dos dois assassinatos", um policial afirma ter visto um homem, bem vestido, com chapéu, capa e uma maleta que lhe cumprimentou com um "boa noite". Sua voz relata era fria e seu olhar "infernal", segundos depois avisado aos gritos por colegas saberia dos assassinatos e correu para alcançar e prender o homem e conseguiu faze-lo. Levou ao departamento de polícia mais próximo. O homem não reagiu. Ao chegar lá aproximou-se do chefe do departamento e cochichou ao ouvido dele. Segundo relata, o homem ficou branco e arregalou os olhos, então ordenou que o estranho fosse solto, perguntas não deveriam ser feitas e o caso não deveria ser relatado.
  • Segundo vizinhos de Mary Kelly, de madrugada, na noite do assassinato, ouviram uma discussão e gritos de Mary que diziam: "Não! Assassino, assassino!" Mas , como era de costume em Whitechapel, resolveram não se envolver. Outro ponto que chama a atenção é que o quarto de Mary estava com portas e janelas trancadas e as chaves estavam dentro do quarto. O senhorio abriu com cópias que possuía.
  • Ainda, num relato assombroso, conseguido tempos depois, uma amiga de Mary Kelly afirma ter ido visita-la por volta das 08:30h da manhã, mas antes de bater na porta do quarto avistou, no fim da rua, a distância, Mary afastando-se de costas de braços com um cavalheiro bem trajado, parece ter sentido a amiga, pois voltou-se e acenou para ela, entrando depois em uma outra rua e desaparecendo de sua visão. Tal relato é impressionante, pois o corpo de Mary foi encontrado no quarto duas horas depois e segundo legistas o assassinato ocorrera de madrugada e Jack havia passado horas realizando sua mutilação. Portanto, era impossível que Mary estivesse viva, no entanto, a testemunha manteve seu relato como a pura verdade.
  • A Scotland Yard tem em seu poder uma faca, de uso cirúrgico, que afirma ter pertencido a Jack, sem nunca, no entanto, revelar como a conseguiu.
  • As cartas escritas por Jack, foram guardadas e por lei só poderiam ser abertas ao público após 100 anos (1988) no entanto, tal decisão foi revogada e elas foram queimadas.

LEITURAS RECOMENDADAS

Jack, o estripador - de Tom Culle - Versão traduzida para o português, um bom livro para iniciantes no caso do assassino de Whitechapel.

O retrato de um assassino – Patrícia Cornwell – Neste livro, a autora afirma ter descoberto a identidade de Jack, como um artista plástico que, de fato, fazia pinturas baseadas em assassinatos e bastante mórbidas, segundo ela os registros de DNA que ela identificou através da faca em posse da Scotland Yard e do artista são semelhantes, mas sua teoria não é aceita por todos os estudiosos do assassino de Whitechapel.

A complete casebook Jack, the Ripper - Donald Rumbelow - Este autor é uma das maiores autoridades mundiais sobre o caso de Jack, o estripador e seu livro é a obra mais completa do assunto. Foi publicado em 1974 , no entanto, uma nova edição revisada e ampliada foi publicada depois. Uma excelente sugestão se você domina o idioma inglês.

From Hell - Alan Moore - Esta obra monumental das histórias em quadrinhos, traz a visão do genial Alan Moore (Watchmen, V de Vingança, Piada Mortal, Miracleman e outros clássicos das HQs) sobre o assassino de Whitechapel. A pesquisa de Alan foi impressionante, ao final das edições há uma listagem dos livros pesquisados que vão de A a Z. Segundo Alan sua extensa e intensa pesquisa o jogou bem próximo da mente de Jack, e ele não ousaria dar um passo a mais. Só é possível comprar edições importadas dos E. U. A, pois até então, a obra não foi lançada no Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário