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quinta-feira

Sherlock Holmes - O filme com Downey Jr.

Sou um grande fã de Sherlock Holmes. Histórias de mistério sempre me fascinaram e acompanhar o detetive de Baker Street desvendando mistérios aparentemente insolúveis sempre foi um deleite para mim. Adoro a Inglaterra e o detetive inglês sempre fez parte do meu imaginário criativo, um referencial. Li muitas histórias, muitas mesmo. Escrevi sobre o “O escândalo na Boêmia” e voltarei a escrever sobre outros.

Em filmes, não vi tantos quanto gostaria, mas o que vi me desagradaram. Holmes era “parvo” demais. É preciso entender que definitivamente, é um gênio dedutivo, mas também é energia e ação. Ele mesmo explicou que este diferencial o tornava um grande detetive, sendo que seu irmão Mycroft, que segundo o próprio tinha habilidades dedutivas tão ou mais brilhantes que as dele, não o poderia ser.

O único filme que apreciei e aprecio é o “Enigma da Pirâmide” em que Spielberg, no melhor de sua forma, nos apresenta o primeiro encontro, ainda estudantes, de Holmes e Watson em sua primeira aventura. Não há o que reclamar. Um filme perfeito em roteiro, trilha, direção e interpretação. Um clássico dos anos 80, sobre o qual já escrevi na Panacéia do Cinema.

Admito que tenho a tendência a ser puritano quando meus personagens preferidos de literatura e HQ ganham adaptações para o cinema. Sou muito exigente e se o personagem for modificado em alguma característica relevante é bom que seja por um bom motivo. Vivemos um momento de “revivals” e “reinterpretações” dos personagens, algumas muito profundas outras apenas devolvem os personagens ao que eles sempre foram o que é o caso do Batman. Versões recentes que mostram a “história que originou a lenda” se mostraram interessantes como “Rei Arthur” com Clive Owen e “Robin Hood” com Russel Crowe, por exemplo, que gostei bastante.

E é nesta categoria que eu coloquei a nova versão cinematográfica “Sherlock Holmes” de Guy Ritchie. Passei a ter a mente mais aberta para estas “atualizações de conceito” desde que passei a acompanhar em HQ a nova versão dos “Vingadores”, os “Supremos” de Mark Millar. Foi quando eu vi que era possível se divertir com isto. Bastava um mínimo de qualidade. Ou então, teríamos pelo menos boas risadas para dar.

Dei boas risadas de fato, mas também devo admitir eu aprovei. Bem, vamos lá. A idéia que Holmes, além de um gênio dedutivo, era um bom vivant com igual capacidade para os extremos da mente e das ruas, das rodas intelectuais as brigas e violência, em qualquer outro ator seria de se pensar, mas em Downey Jr...bem, vale a pena!

Sou fã do ator, ele é capaz de tudo e traz muita verdade em sua interpretação de outsider, o cara que não se adapta aos moldes tradicionais, não é adequado, mas como é bom no que faz, bem, tem que se aceitar suas excentricidades. Isto é Downey Jr! Por isto, ele interpreta este tipo tão bem seja Tony Stark ou Sherlock Holmes! Quanto ao Watson de Jude Law fugiu do que eu esperava, mas a sinergia entre ele e Downey foi boa.

A trama me pareceu confusa a príncipio, pois ia por um caminho estranho a mitologia Holminiana, digamos, mas ela acabou sendo muito divertida e interessante o suficiente para mim. Não pude deixar de notar a sutil referência a Jack, o estripador. E a presença de Irene Adler de “O escândalo da Boêmia” foi referencial para os leitores de Holmes.

Enfim, esta revitalização vem em tempo para trazer novos fãs para o detetive. Nos tempos atuais, é preciso aliar dinâmica com inteligência e uma dose de realismo para que o público se identifique. Embora não seja um admirador de Ritchie , creio que ele se aproximou disto. Esperemos a continuação!..

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