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sábado

Mulheres de coragem em nossa história




Em um episódio que ficou célebre, no inverno de 1943, em Berlim, um protesto de mais de 6 mil mulheres fez o governo nazista recuar e soltar 1700 judeus casados com alemãs. O ato ficou conhecido como Protesto de Rosenstrasse. Houve apenas um Rosenstrasse, mas outras grandes figuras femininas conseguiram feitos notáveis na luta contra o horror. Usando da influência dentro do Partido Nazista, confeccionando passaportes falsos, escondendo pessoas dentro de casas de oficiais alemães ou resgatando crianças em campos de concentração, algumas pagaram com a própria vida. Saiba quem foram elas.

Um grito na guilhotina
QUEM
SOPHIE SCHOLL

NASCIMENTO
FORCHTENBERG (ALEMANHA)

ONDE ATUOU
MUNIQUE

POR QUE É HEROÍNA?
FOI GUILHOTINADA POR DISTRIBUR PANFLETOS ANTINAZISTAS

Dia 22 de fevereiro de 1943. Silêncio na Corte Popular do Palácio de Justiça de Munique. No banco dos réus, a alemã Sophie Scholl, 21 anos, aguardava a sentença. O juiz Roland Freisler selou seu destino: pena de morte por alta traição ao 3º Reich. Seu irmão, Hans Scholl, e o amigo Christoph Probst receberam pena idêntica. Naquele mesmo dia, às 17 horas, os três estudantes perderam a vida na guilhotina. Sophie integrava a Rosa Branca, uma organização de resistência não violenta contra o nazismo. Em vez de empunhar armas, o grupo usava um mimeógrafo e uma máquina de escrever. Imprimia folhetos que denunciavam as atrocidades do regime. "Por que o povo alemão está tão apático em face desses crimes abomináveis?", dizia um dos papéis. Outro anunciava: "Nosso povo está pronto para se rebelar contra a escravização nacional-socialista da Europa". Os panfletos eram enviados por correio a alunos e professores de faculdades da Alemanha. Sophie e seus colegas mandavam as cartas de vários pontos do país. Tanto fizeram que atraíram a atenção da Gestapo.

"A Gestapo pensava que a Rosa Branca era uma organização enorme. Não sabia que tinha apenas 6 membros no núcleo principal", diz a pesquisadora americana Kathryn J. Atwood no livro Women Heroes of World War II (inédito no Brasil). Além de Sophie, Hans e Christoph, o grupo central era formado por outros dois alunos da Universidade de Munique e um professor, Kurt Huber. Foi Huber que escreveu o sexto e último panfleto, no início de 1943. Foi quando os estudantes cometeram um erro fatal: distribuíram o panfleto pelos corredores da universidade e foram vistos pelo funcionário Jakob Schmidt, nazista de carteirinha que os dedurou à Gestapo. Os outros integrantes se salvaram por falta de provas. Durante o julgamento, sem autorização para falar, Sophie gritou: "Alguém tinha de começar! O que escrevemos e falamos é o que muitas pessoas pensam, mas não têm coragem de dizer em voz alta!".


A condessa generosa
QUEM
MARIA VON MALTZAN

NASCIMENTO
MILICZ (POLÔNIA)

ONDE ATUOU
BERLIM

POR QUE É HEROÍNA?
ABRIGOU MAIS DE 60 JUDEUS EM SEU APARTAMENTO

Em 1943, o governo declarou que Berlim estava judenfrei ("livre de judeus"). No entanto, vários deles viviam escondidos pela cidade. Um dos refúgios era o apartamento da Maria von Maltzan, filha de um conde alemão. Ela havia se doutorado em ciências naturais em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder. Desde então arriscava a própria pele para proteger judeus em fuga.

Os refugiados ficavam em seu apartamento por alguns dias até conseguirem um jeito de sair do país. Mas o namorado de Maria, o escritor judeu Hans Hirschel, mudou-se de mala e cuia para lá. Quando alguém chegava, Hans se ocultava no fundo falso de um sofá na sala. Maria não levantava muitas suspeitas porque era da fina-flor de Berlim, tinha acesso a informações da elite do Partido Nazista e sua posição privilegiada na sociedade a livrava de maiores problemas.

Até o que dia em que um oficial bateu à sua porta. Ao entrar no apartamento, ele olhou para o sofá e perguntou: "Como posso saber se alguém não está escondido aqui?" Maria decidiu correr o risco: "Se você está seguro de que tem alguém aí, vá em frente e atire. Mas, antes de fazer isso, deixe uma declaração por escrito garantindo que vai pagar pela restauração do sofá". Deu certo. O oficial não disparou e saiu do apartamento.

Até a rendição alemã, em maio de 1945, ela continuou ajudando vítimas do nazismo. Fez documentos falsos e contrabandeou pessoas dentro de móveis para a Suécia. "Maria sozinha salvou mais de 60 judeus e inimigos políticos dos nazistas, além de ajudar no resgate de muitos outros", diz a pesquisadora americana Kathryn J. Atwood. Depois da guerra a condessa se casou com Hans e trabalhou como veterinária em Berlim até morrer, em 1997.


Virou amante do major e salvou 12
QUEM
IRENE GUT

NASCIMENTO
KOZIENICE (POLÔNIA)

ONDE ATUOU
UCRÂNIA

POR QUE É HEROÍNA?
ESCONDEU 12 JUDEUS NA MANSÃO DE UM OFICIAL ALEMÃO

A enfermeira polonesa Irene Gut tinha 17 anos quando fugiu para a fronteira com a União Soviética. Voltou à cidade onde morava (Radom) em 1942, aos 20 anos, quando o major nazista Eduard Rugemer lhe ofereceu emprego de garçonete. Servia os oficiais e, nas horas vagas, contrabandeava comida para o gueto. Rugemer foi para a Ucrânia. Irene também foi enviada para lá, onde seria governanta de sua mansão. Ela escondeu 12 judeus na casa. O major sempre voltava do trabalho na mesma hora. Um dia, porém, chegou mais cedo e flagrou três judias na cozinha. Topou guardar segredo desde que ela virasse sua amante. A jovem cedeu. No fim da guerra Irene se uniu à resistência polonesa. Por sua valentia, recebeu homenagens do papa João Paulo 2º e do Museu do Holocausto de Jerusalém.


"Você me tirou do gueto"
QUEM
IRENA SENDLER

NASCIMENTO
OTWOCH (POLÔNIA)

ONDE ATUOU
GUETO DE VARSÓVIA

POR QUE É HEROÍNA?
LIVROU 2500 CRIANÇAS DO GUETO EM MALAS, BALDES E SACOLAS

Conhecida como "O Anjo de Varsóvia", a enfermeira salvou mais de 2500 crianças da morte. Irena era administradora do Serviço Social de Varsóvia. Quando a guerra estourou, em 1939, começou a fazer documentos falsos, fornecer remédios, roupas e dinheiro para os judeus. Sua atuação passou a ser mais incisiva a partir de 1942, quando os nazistas enclausuraram centenas de milhares de judeus em uma área de 16 quadras. Horrorizada com o Gueto de Varsóvia, a enfermeira se tornou recruta da Zegota, movimento de resistência polonês.

Com livre trânsito nos campos de concentração, que visitava sempre com uma estrela de Davi no braço em solidariedade aos prisioneiros, Irena distribuía comida e medicamentos aos confinados. Usando como pretexto um surto de febre tifoide, que os alemães temiam que se expandisse além das fronteiras do gueto, conseguiu retirar as 2500 crianças "doentes" em ambulâncias da Zegota. Uma vez fora do gueto, as crianças eram escondidas como dava: em sacolas, maletas de ferramentas, baldes e cestos de lixo. Irena anotava o nome de suas famílias e enterrava em local seguro para que depois da guerra pudessem retornar a suas casas. E encontrava famílias não judaicas para cuidar delas. Usava o antigo tribunal à beira do Gueto de Varsóvia, conventos católicos e orfanatos como rotas de "contrabando" de crianças.

Em 1943 Irena foi presa pela Gestapo e torturada na prisão de Pawiak. Foi condenada à morte, mas escapou graças a um gordo suborno da Zegota. No pós-guerra, renegava o título de heroína: "Cada criança salva com a minha ajuda é a justificação da minha existência na Terra, e não um título de glória. Eu poderia ter feito mais. Esse lamento vai me seguir até a minha morte". Foi premiada com a honraria máxima da Polônia, a Ordem de Águia Branca, com o título de Justo entre as Nações e indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Depois que sua foto apareceu nos jornais, passou a receber várias ligações. "Um homem, um pintor, me telefonou e disse: ‘Eu lembro do seu rosto’, disse ele. ‘Foi você quem me tirou do gueto. Obrigado’." O "Anjo de Varsóvia" morreu em 2008.


A líder sem roupa
QUEM
MARIE-MADELEINE FOURCADE

NASCIMENTO
MARSELHA (FRANÇA)

ONDE ATUOU
FRANÇA E INGLATERRA

POR QUE É HEROÍNA?
FOI A ÚNICA LÍDER FEMININA DA RESISTÊNCIA FRANCESA

Em tempos de guerra, o pudor não era prioridade. Marie-Madeleine Fourcade conseguiu escapar duas vezes de prisões nazistas - na última, já combatente veterana, saiu sem roupas. Sua história de luta começou em junho de 1940. A francesa, divorciada e mãe de dois filhos, não engoliu a rendição de seu país e abandonou o emprego em uma editora para ingressar na Resistência Francesa, na rede chamada Alliance. Quando o chefe da rede foi preso, em maio de 1941, assumiu o posto - foi a única líder mulher da Resistência. Sua unidade trabalhava com informação, observando e transmitindo para os ingleses movimentos e posições dos nazistas e colaboracionistas. Em agosto de 1941, impressionados com seus serviços, os ingleses supostamente enviaram um operador de rádio para auxiliá-la. Era uma armadilha: o operador era um agente nazista. Marie-Madeleine e vários membros de sua rede foram presos, mas ela conseguiu fugir em 10 de novembro de 1942 aproveitando uma distração dos nazistas. Depois disso, mandou os filhos para a Suíça e passou a viver na clandestinidade. Em 1943, os ingleses decidiram tirá-la da França em uma operação secreta, e ela passou a operar em solo britânico até pouco depois do Dia D, quando desembarcou de novo na França e voltou a espionar os nazistas. Foi presa novamente pela Gestapo, mas não se fez de rogada: tirou as roupas e, magra, conseguiu atravessar por entre as grades. Após a guerra, fundou associações de veteranos da resistência e participou dos julgamentos do colaboracionista Maurice Papon e do nazista Klaus Barbie.


Bala na faca
QUEM
ETA WROBEL

NASCIMENTO
LOKOV (POLÔNIA)

ONDE ATUOU
FLORESTAS POLONESAS

POR QUE É HEROÍNA?
ATUOU NA GUERRILHA POLONESA

Eta Wrobel atuou na resistência desde o início da invasão da Polônia. Começou criando passaportes falsos para judeus. Em 1942, quando o gueto de Lokov foi liquidado, conseguiu fugir com o pai para a floresta e ajudou a fundar uma brigada judaica. Dos 80 integrantes iniciais, só 7 eram mulheres. Eta se recusava a lavar e a cozinhar. Seu negócio era o combate. "Para nós, era difícil conseguir armas. Os russos tinham muitas, mas não queriam nos dar. Então nós roubávamos deles", contou. Um dia, recebeu um tiro na perna e arrancou a bala com uma faca. Viveu no fogo cruzado até 1944. No mesmo ano, casou-se e mudou para os EUA, onde morreu em 2008.


A predadora dos ares
QUEM
MARINA RASKOVA

NASCIMENTO
MOSCOU (RÚSSIA)

ONDE ATUOU
VÁRIOS FRONTS

POR QUE É HEROÍNA?
ORGANIZOU AS DIVISÕES FEMININAS DA FORÇA AÉREA SOVIÉTICA

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompeu o pacto de não agressão com Josef Stálin e invadiu a União Soviética. Tinha início a Operação Barbarossa, que contava com 3 milhões de soldados alemães. Em agosto, as forças do Führer haviam capturado 3800 tanques e feito prisioneiros mais de 870 mil soldados soviéticos. Mas a URSS virou a mesa, e não só graças aos homens de suas tropas. Muitas mulheres tiveram sinal verde para combater inspiradas no exemplo da piloto Marina Raskova. Nos anos 30, ela havia se tornado a primeira navegadora da Força Aérea Soviética. E colecionava aventuras, como um voo ininterrupto de mais de 26 horas que quase acabou em tragédia - o mau tempo obrigou a tripulação a fazer um pouso forçado. Ela e duas colegas ficaram dias à espera de resgate. Em fins de 1941, organizou três esquadrões formados inteiramente por mulheres - das mecânicas às oficiais. O de número 588 voava em missões noturnas e gerava enormes danos às divisões alemãs. Sua máquina de guerra era o caça Yakovlev Yak-1, que levava 3 metralhadoras e tinha um raio de ação de 600 quilômetros. Raskova também comandou o Regimento de Aviação 125. Vários países tinham mulheres pilotos, mas, segundo Robert Jackson, autor de Air Aces of WWII, a URSS foi a única a usá-las em combate. Marina morreu em 1943, em um pouso forçado provocado por uma falha mecânica. Tinha 30 anos. Recebeu uma medalha póstuma por sua bravura, caso raro entre as soviéticas.

Fonte: Superinteressante

sexta-feira

Quem foram os Illuminati?

"Eles vivem no mundo moderno. Estão na presidência de bancos, em restaurantes de clubes e campos de golfe. É o seu grande momento." As palavras do acadêmico aventureiro Robert Langdon no romance Anjos e Demônios (estreia nos cinemas em 15 de maio) resumem o mito dos Illuminati: poderosos que comandam o mundo dos bastidores. Ficção à parte, eles realmente existiram e conspiraram, mas sumiram sem realizar seus planos.

A sociedade secreta foi criada em 1776, no reino da Bavária (na atual Alemanha), que eles queriam transformar em uma república de ideais iluministas - daí o nome, "iluminados" em latim. Só faltou combinar com o príncipe Karl Theodor, que em 1785 baniu o grupo e exilou seus líderes, acabando com os Illuminati.

Com seu fim surgiu a tese de que eles apenas fingiram sair de cena, na verdade se infiltrando em todos os governos - todos - para formar um Estado único, a Nova Ordem Mundial. Mas não passa de teoria da conspiração - ao menos, é o que eles querem que você acredite.

A mentira está lá fora
Os Illuminati têm mais membros imaginários que reais

Reais
O criador dos Illuminati, Adam Weishaupt, buscou autoridades e celebridades, como o poeta Goethe, para fortalecer o grupo. Chegaram a ser 2 mil membros em 20 nações europeias.

Supostos
Teorias da conspiração incluem Galileu e outros cientistas como precursores dos Illuminati, e Winston Churchill como a figura que consolidou o seu poder após a 2ª Guerra..
Fonte: Superinteressante

quinta-feira






O George Orwell, aqui em cima, fez um mini-guia de redação. São só seis regras – e tão boas que abrem o Manual de Estilo da Economist, a revista mais bem-escrita do mundo. A elas:


1. Em circunstância alguma utilize um vocábulo extenso onde um reduzido soluciona.

2. Se, por algum acaso, for possível cortar, eliminar, extirpar uma palavra, não se dê de rogado: elimine-a de uma vez por todas.

3. A voz passiva não deve ser utilizada quando a voz ativa puder ser escrita.

4. Nunca use figuras de linguagem que já viraram arroz de festa. Eles podem ser o calcanhar de aquiles do seu texto. Não faça isso, nem pela bagatela de um milhão de reais. Correm boatos de que, só evitando expressões assim, você garantirá textos de qualidade, se tornará uma figurinha carimbada da escrita e será regiamente recompesado por seus leitores, como nunca antes na história deste país.

5. Não empregue um calão tecnicista quando tiver o arbítrio de elocubrar uma elocução de uso anfêmero. E, finalmente:

6. Quebre qualquer uma dessas regras antes de escrever algo tosco.

Fonte: Superinteressante

quarta-feira

10 casos de pessoas que desapareceram misteriosamente

1. Os príncipes da Torre de Londres


Ano: 1483
Já que estamos falando de casos enigmáticos, nada melhor do que começar a prosa com um mistério que se prolonga há quase 600 anos (!). O desaparecimento dos dois filhos do Rei Eduardo IV da Inglaterra intriga o mundo desde o século 15. Depois da morte do monarca, seu filho, Eduardo V, que então tinha 12 anos, seria o herdeiro do trono. Mas, para quem é fã de Game of Thrones, o que aconteceu depois não é surpresa: o irmão de Eduardo, Ricardo de Gloucester, fez com que o Parlamento declarasse ilegítimos os filhos do rei. E assim, o usurpador chegou ao trono e virou Ricardo III. Além de roubar a coroa, o tio malvado prendeu os jovens irmãos na Torre de Londres. Depois disso, eles nunca mais foram vistos – e até hoje não se sabe ao certo que fim eles tiveram. Em 1674, dois esqueletos, possivelmente dos herdeiros destronados, foram encontrados no castelo.
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2. Louis Le Prince

Ano: 1890
Quem sabe um pouquinho sobre história do cinema com certeza já ouviu falar dos pioneiros Thomas Edison e irmãos Lumière, mas, muito provavelmente, desconhece a existência de Louis Le Prince. O francês, por muitos anos deixado fora dos livros, é hoje creditado como o “Pai da Cinematografia”. Utilizando uma câmera de lente única e uma película de papel, Le Prince filmou as primeiras sequências de imagens em movimento em 1888, três anos antes de Auguste e Louis Lumière realizarem seu primeiro filme. Mas Le Prince sumiu antes de conseguir apresentar publicamente seu trabalho: em 1890, o pioneiro do cinema embarcou em um trem na cidade de Dijon, na França, rumo à Paris, e nunca mais foi visto. The End.
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3. Percy Fawcett

Ano: 1925
Arqueólogo e explorador, o britânico Percy Fawcett começou a fazer expedições na América do Sul em 1906. Seu destino era a Amazônia brasileira. Depois disso, Fawcett se aventurou em outras sete expedições pelo continente. Em 1925, o arqueólogo partiu para a Serra do Roncador, em Barra do Garças, no estado do Mato Grosso, com um objetivo inusitado: encontrar “Z”, uma cidade perdida sobre a qual havia ouvido diversas lendas. Só que nem a cidade, nem o explorador foram encontrados. Percy e seu filho Jack, que o acompanhou na viagem, desapareceram misteriosamente na região do Alto Xingu.
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4. Agatha Christie

Ano: 1926
Este caso deixaria Hercule Poirot bastante intrigado. Agatha Christie, criadora do famoso detetive belga e autora de mais de oitenta obras de suspense, desapareceu misteriosamente em 1926. Seu sumiço aconteceu pouco depois da escritora britânica descobrir que seu marido, Archie, estava tendo um caso e queria o divórcio. Se fosse uma obra da ficção, o marido certamente levaria a culpa, mas na vida real a história foi diferente. Onze dias depois, Agatha foi avistada em um hotel em Yorkshire. Ufa! A Rainha do Crime preferiu manter o mistério e nunca explicou o motivo de seu desaparecimento. Até um livro foi escrito sobre o episódio: em Agatha Christie and the Missing Eleven Days (“Agatha Christie e os onze dias perdidos” em português), Jade Cade tenta desvendar o caso conversando com pessoas próximas da escritora. Mas a verdade é que Christie levou esse segredo para o túmulo.
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5. Walter Collins

Walter e Arthur
Ano: 1928
O pequeno Walter Collins tinha apenas 9 anos quando desapareceu de sua casa, em Los Angeles. O caso ganhou as manchetes e a busca da polícia era retratada como um grande fiasco. A pressão pública aumentava até que, cinco meses depois do desaparecimento, um garoto identificado como Walter foi encontrado no estado de Illinois. Para melhorar a imagem do Departamento de Polícia, a reunião entre mãe e filho foi transformada em um evento para a imprensa, com garantia de lágrimas, abraços e pose para a foto. O problema foi que, ao chegar lá, Christine, a mãe do garoto, apontou um pequeno problema: aquele não era o filho dela. Fuén.
O que seria apenas mais um fiasco para a polícia, se transformou em um caso surreal: o encarregado pelo caso, Capitão J. J. Jones, sugeriu que Christine levasse o garoto para casa de todo jeito, “só para ter certeza”. Quando Christine insistiu que o garoto não era seu filho, ao invés de admitir a ~confusão~, a polícia escolheu interná-la em um hospital psiquiátrico! Christine só foi solta quando o garoto admitiu ter mentido – seu nome real era Arthur Hutchins Jr., de 12 anos. O caso absurdo inspirou, em 2008, o filme A Troca, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Angelina Jolie. Foi descoberto depois que o Walter de verdade foi uma das vítimas da série de sequestros e assassinatos conhecidos como “Wineville Chicken Murders”.

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6. Amelia Earhart

Ano: 1937
Amelia Earhart merecia o título de Rainha dos Ares. Primeira mulher a voar sozinha sobre o oceano Atlântico, ao longo de sua carreira nas alturas ela acumulou recordes e participou ativamente no incentivo à formação de novas pilotos, além de ter sido importante defensora dos direitos das mulheres. Foi ao tentar estabelecer um novo marco que a pioneira da aviação desapareceu no oceano Pacífico: seu objetivo era conduzir, junto de Fred Noonan, o mais longo voo de volta ao mundo, que seguiria a rota equatorial, completando um percurso de 47 mil quilômetros. Mas algo deu errado: a comunicação pelo rádio falhou e Earhart nunca chegou à Ilha de Howland, destino da aviadora. O caso permanece misterioso já que, até o dia de hoje, nem a aeronave e nem os ocupantes foram encontrados.
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7. Antoine de Saint-Exupéry

Ano: 1944
Você com certeza sabe que “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” mas talvez não saiba que, além de escritor, o francês Antoine de Saint-Exupéry era aviador. O pai d’o Pequeno Príncipe trabalhou em rotas de correio aéreo na Europa, África e América do Sul até a Segunda Guerra Mundial, quando se juntou à Força Aérea Francesa. Em 1944, Saint-Exupéry partiu para uma missão de reconhecimento em um território francês ocupado por alemães. Para o choque de todo o mundo, o escritor desapareceu sem deixar traços. Foi somente em 1998 que um bracelete com seu nome foi encontrado por um pescador. Em 2004 foi confirmado que os restos do avião Lockheed F-5B, encontrados em 2000, pertenciam à aeronave que Saint-Exupéry pilotava.
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8. As crianças Beaumont

Ano: 1966
Um simples passeio resultou na maior investigação policial da Austrália. Os irmãos Beaumont, Jane Nartare, de 9 anos, Arnna Kathleen, de 7, e Grant Ellis, de 4, desapareceram no dia 26 de janeiro de 1966. Naquele dia, foram desacompanhados até uma praia e nunca mais voltaram. Durante um ano, relatos de pessoas que diziam terem avistado as crianças juntas de um homem mantiveram o caso em evidência. Mesmo sem qualquer pista sobre o paradeiro dos Beaumont, a investigação se estendeu por 40 anos e pode ser, em breve, levada para o cinema.
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9. Oscar Zeta Acosta

Ano: 1974
Oscar Zeta Acosta foi um advogado americano, um ativista e um personagem da vida real. Talvez você nunca tenha ouvido seu nome mas, se for fã do jornalista e escritor Hunter S. Thompson, provavelmente o conhece como “Dr. Gonzo”. Foi ao lado de Oscar que Thompson partiu em uma na viagem em busca do Sonho Americano – usando um bocado de drogas para isso. A aventura foi imortalizada no livro Medo e Delírio em Las Vegas (na adaptação cinematográfica de 1998, Oscar é vivido por Benicio del Toro). A vida emocionante do Dr. Gonzo acabou resultando em uma história com final incerto: em uma viagem para o México, em maio de 1974, o advogado desapareceu. Seu paradeiro continua sendo desconhecido.

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10. Eliza Samudio
 
Ano: 2010
Denúncias de agressões, desentendimentos públicos, um sequestro. Eliza Samudio desapareceu misteriosamente em 2010 e o caso se tornou manchete até fora do Brasil. Apesar das histórias contraditórias de seu ex-namorado e pai de seu filho, o goleiro Bruno Fernandes, e de seus amigos Bola e Macarrão, as investigações concluíram que a jovem está morta – mas o corpo de Eliza nunca foi encontrado. Com o caso ainda aberto, já que os acusados estão sendo julgados separadamente, esta novela ainda tem alguns capítulos que podem explicar o desaparecimento ou deixar o mistério no ar por muito mais tempo.

Update:  Madeleine McCann


Ano: 2007
As férias de uma família britânica em Portugal ganharam inesperado ar de suspense em 2007. Numa noite de sábado, Kate e Gerry McCann deixaram seus três filhos, Madelaine e seus irmãos gêmeos, de dois anos, sozinhos no apartamento alugado enquanto jantavam em um restaurante próximo. Ao voltarem, a surpresa: a pequena garota havia desaparecido. O caso repercutiu rapidamente. Na madrugada do dia 4 de maio, poucas horas depois dos pais perceberem o sumiço, o jornal britânico The Telegraph já anunciava: “Garota de 3 anos pode ter sido sequestrada em Portugal”. A rapidez com que o caso foi parar nas manchetes de todo o mundo – e prolongada cobertura dada à investigação – não fez com que a busca pela pequena inglesa corresse melhor. Passados mais de 5 anos desde o seu desaparecimento, ainda não se tem notícias do paradeiro da garota..