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sexta-feira

Estranhos no Paraíso – Terry Moore

Conheci este trabalho na mesma época de “Bone”, de Jeff Smith. Chamaram-me atenção por serem trabalhos em “preto e branco” na época das multi-coloridas-por-computador-brilhantes-impactantes-acachapantes-capas-e-páginas-da-Image. Que precisamente era muito “Image” e nenhum conteúdo. Estranhos no Paraíso de Terry Moore era de uma linhagem diferente.

O fulcro da trama é a complexa relação entre três personagens, Katchoo, Francine e David. Katchoo é selvagem, desbocada, mal humorada, violenta (muito violenta), artista e culta. Completamente apaixonada por Francine uma garota insegura, mal amada e gordinha e de continuadas paixões que acabam em coração partido (o dela). Completando a “família” temos David, um rapaz gentil até demais, companheiro até demais e apaixonado até demais por Katchoo, com todas estas qualidades ele se torna o último homem da Terra que ela gostaria de namorar.

Foram 90 edições nos EUA que duraram cerca de 14 anos. Mas a série não se resume a um tipo de “soap opera” em HQs sobre relacionamentos, com o desenrolar da trama, o passado de Katchoo vai sendo desvendado. O relacionamento com Francine se torna ainda mais intenso. David, demonstra ter mais camadas em sua personalidade e contamos ainda com conspirações governamentais, sociedades secretas, assassinatos, brigas com ex-namorados, brigas com a balança e por aí vai. E em meio a tudo isto em constante mutação fica a relação dos três personagens. Com diversas reviravoltas ao longo das 90 edições, ficamos na expectativa do desenvolvimento dos personagens, nos identificamos, vivemos suas agruras e aventuras diferentes e ao mesmo tempo tão próxima da realidade dos jovens adultos e seus conflitos emocionais.

Com um traço particular, uma temática adulta, a preferência pelo preto e branco e ótimo roteiro, “Estranhos no Paraíso” era um alívio mental em tempos negros de Spawn, Wild. C.A.T.S, Youngblood, Cyberforce e os piores roteiros que Marvel e DC conseguiram produzir em muito tempo. Uma verdadeira Idade das Trevas iniciada em 1994.

A série conquistou o prêmio Eisner e uma premiação de Best Comic Book pela GLAAD Media Awards (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation) que homenageou a inserção e bom senso na trama ao tratar do tema através da personagem Katchoo.

Estranhos no Paraíso é um dos grandes trabalhos das Histórias em Quadrinhos, vale a leitura.

Um comentário:

  1. Estranhos no Paraíso me pegou de jeito, principalmente com o ultimo volume lançado Santuário. Por isso, estou fazendo campanha para que a série chegue ao seu final por aqui. No meu blog fiz um especial de tudo que já foi publicado até aqui e portanto gostariam que se fosse possivel, divulgue, passe adiante e peça para todos os cantos do mundo para que essa maravilhosa série chegue ao fim em nosso país.

    http://cinemacemanosluz.blogspot.com.br/2013/05/cine-especialhq-estranhos-no-paraiso_26.html

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