Panacéia dos Amigos

VISITAÇÃO

quarta-feira

Frases de Confúcio

Ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo.

Aja antes de falar e, portanto, fale de acordo com os seus atos

Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão.

Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não te alies aos moralmente inferiores; não receies corrigir teus erros.

Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador.

Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo.

Se queres prever o futuro, estuda o passado.

Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.

Querem que vos ensine o modo de chegar à ciência verdadeira? Aquilo que se sabe, saber que se sabe; aquilo que não se sabe, saber que não se sabe; na verdade é este o saber.

A preguiça anda tão devagar, que a pobreza facilmente a alcança.

Frases de Oscar Wilde

A ambição é o último recurso do fracassado.

A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo.

Para ser popular é indispensável ser medíocre.

A vida é muito importante para ser levada a sério.

O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.

O Estado deve fazer o que é útil. O indivíduo deve fazer o que é belo.

terça-feira

A Loteria da Babilônia - Jorge Luís Borges

Como todos os homens da Babilônia, fui pro-cônsul; como todos, escravo; tam¬bém co¬nhe¬ci a onipotência, o opróbrio, os cárceres. Olhem: à minha mão direita falta-lhe o indicador. Olhem: por este rasgão da capa vê-se no meu estômago uma tatuagem vermelha: é o segundo símbolo, Beth. Esta letra, nas noites de lua cheia, confere-me poder sobre os homens cuja marca é Ghimel, mas sujeita-me aos de Alep, que nas noites sem lua devem obediência aos de Ghimel. No crepúsculo do ama¬nhe¬cer, num sótão, jugulei ante uma pedra negra touros sagrados. Durante um ano da Lua, fui declarado invisível: gritava e não me respondiam, roubava o pão e não me decapitavam. Conheci o que ignoram os gregos: a incerteza. Numa câmara de bronze, diante do lenço silencioso do estrangulador, a esperança foi-me fiel; no rio dos de¬lei¬tes, o pânico. Hera¬cli¬des Pôn¬tico conta com admiração que Pitágoras se lembrava de ter sido Pirro e antes Euforbo e antes ainda um outro mortal; para recordar vi¬cis¬si¬tu¬des análogas não preciso recorrer à morte, nem mesmo à impostura.

Devo essa variedade quase atroz a uma instituição que outras repúblicas des¬co¬nhe¬cem ou que nelas trabalha de forma imperfeita e secreta: a loteria. Não indaguei a sua história; sei que os magos não conseguem por-se de acordo; sei dos seus poderosos propósitos; o que pode saber da Lua o homem não versado em astrologia. Sou de um país vertiginoso onde a loteria é a parte principal da realidade: até o dia de hoje, pensei tão pouco nela como na conduta dos deuses indecifráveis ou do meu coração. Agora longe da Babilônia e dos seus estimados cos¬tu¬mes, penso com certo espanto na loteria e nas conjecturas blasfemas que ao crepúsculo mur¬mu¬ram os homens velados.

Meu pai contava que antigamente — questão de séculos, de anos? — a loteria na Babi¬lônia era um jogo de caráter plebeu. Referia (ignoro se com verdade) que os barbei¬ros trocavam por moedas de cobre, retângulos de osso ou de pergaminho ador¬na¬dos de símbolos. Em pleno dia verificava-se um sorteio: os contemplados recebiam, sem outra confirmação da sorte, moe¬das cunhadas de prata. O procedimento era ele¬men¬tar, como os senhores vêem.

Naturalmente, essas “loterias” fracassaram. A sua virtude moral era nula. Não se di¬ri¬giam a todas as faculdades do homem: unicamente à sua esperança. Diante da indife¬rença públi¬ca, os mercadores que fundaram essas loterias venais começaram a perder dinheiro. Alguém esboçou uma reforma: a intercalação de alguns números adversos no censo dos números fa¬vo¬ráveis. Mediante essa reforma, os compradores de retângulos numerados expunham-se ao duplo risco de ganhar uma soma e de pagar uma multa, às vezes vultosa. Esse leve perigo (em cada trinta números favoráveis havia um número aziago) despertou, como é natural, o interesse do público. Os babi¬lô¬nios entregaram-se ao jogo. O que não adquiria sortes era considerado um pusilâ¬ni¬me, um apoucado. Com o tempo esse desdém justificado duplicou-se. Eram despre¬zados aqueles que não joga¬vam, mas também o eram os que perdiam e abonavam a multa. A Com¬panhia (assim começou então a ser chamada) teve que velar pelos ga¬nha¬do¬res, que não podiam cobrar os prêmios se nas caixas faltasse a importância quase total das multas. Propôs uma ação judicial contra os perdedores: o juiz con¬denou-os a pagar a multa original e as custas, ou a uns dias de prisão. Todos optaram pelo cárcere, para defraudar a Companhia. Dessa bra¬vata de uns poucos nasce todo o poder da Companhia: o seu valor eclesiástico, metafí¬sico.

Pouco depois, as informações dos sorteios omitiram as referências de multas e limi¬taram-se a publicar os dias de prisão que designava cada número adverso. Esse la¬conis¬mo, quase inadvertido a seu tempo, foi de capital importância. Foi o primeiro apa¬recimento, na lo¬teria, de elementos não pecuniários. O êxito foi grande. Instada pelos jogadores, a Companhia viu-se obrigada a aumentar os números adversos.

Ninguém ignora que o povo da Babilônia é devotíssimo à lógica, e ainda à simetria. Era incoerente que se computassem os números ditosos em moedas re¬don¬das e os infaustos em dias e noites de cárcere. Alguns moralistas raciocinaram que a posse das moedas não determina sempre a felicidade e que outras formas de ventura são talvez mais diretas.

Inquietações diversas propagavam-se nos bairros desfavorecidos. Os membros do co¬légio sacerdotal multiplicavam as apostas e gozavam de todas as vicissitudes do terror e da esperança; os pobres (com inveja razoável ou inevitável) sabiam-se excluídos desse vaivém, notoriamente delicioso. O justo desejo de que todos, pobres e ricos, participassem por igual na loteria, inspirou uma indignada agitação, cuja me¬mó¬ria os anos não apagaram. Alguns obsti¬na¬dos não compreenderam (ou simularam não compreender) que se tratava de uma ordem nova, de uma necessária etapa histórica... Um escravo roubou um bilhete carmesim, que no sorteio lhe deu direito a que lhe queimassem a língua. O código capitulava essa mesma pena para o que roubava um bilhete. Alguns babilônios argumentavam que merecia o ferro candente, na sua qualidade de ladrão; outros, magnânimos, que se devia condená-lo ao carrasco porque assim o havia determinado o azar... Houve distúrbios, houve efusões la¬men¬tá¬veis de sangue; mas a gente babilônica finalmente impôs a sua vontade, contra a oposição dos ricos. O povo conseguiu ple¬na¬mente os seus generosos fins.

Em primeiro lugar, conseguiu que a Companhia aceitasse a soma do poder público. (Essa uni¬fi¬ca¬ção era indispensável, dada a vastidão e complexidade das novas operações.) Em segunda etapa, conseguiu que a loteria fosse secreta, gratuita e geral. Ficou abolida a venda mercenária de sortes. Iniciado nos mistérios de Bel, todo homem livre par¬ti¬ci¬pa¬va automaticamente dos sorteios sagrados, que se efetuavam nos labirintos do deus de sessenta em sessenta noites e que demarcavam o seu destino até o próximo exercício. As con¬se¬qüências eram incalculáveis. Uma jogada feliz podia motivar-lhe a elevação ao concílio dos magos ou a detenção de um inimigo (conhecido ou íntimo), ou a encontrar, nas pacíficas trevas do quarto, a mulher que começava a inquietá-lo ou que não esperava rever; uma jogada adversa: a mutilação, a infâmia, a morte. Às vezes, um fato apenas — o vil assassinato de C, a apoteose misteriosa de B — era a solução genial de trinta ou quarenta sorteios. Combinar as jogadas era difícil; mas convém lembrar que os indivíduos da Companhia eram (e são) todo-poderosos e astutos. Em muitos casos, teria diminuído a sua virtude o conhecimento de que certas felici¬da¬des eram simples fábrica do acaso; para frustrar esse inconveniente, os agentes da Companhia usavam das sugestões e da magia. Os seus passos e os seus manejos eram secretos. Para indagar as íntimas esperanças e os íntimos terrores de cada um, dispunham de astrólogos e de espiões. Havia certos leões de pedra, havia uma latrina sa¬grada chamada Qaphqa, havia algumas fendas no poeirento aqueduto que, con¬for¬me a opinião geral, levavam à Companhia; as pessoas ma¬lignas ou benévolas de¬po¬sita¬vam delações nesses sítios. Um arquivo alfabético recolhia essas notícias de veracidade variável.

Por incrível que pareça, não faltavam murmúrios. A Companhia, com a sua habitual dis¬crição, não replicou diretamente. Preferiu rabiscar nos escombros de uma fábrica de máscaras um argumento breve, que agora figura nas escrituras sagradas. Essa peça doutrinal observava que a loteria é uma interpolação da causalidade na ordem do mundo e que aceitar erros não é con¬tradizer o acaso: é confirmá-lo. Salien¬tava, da mesma maneira, que esses leões e esse reci¬piente sagrado, ainda que não desautorizados pela Companhia (que não renunciava ao direito de os consultar), funcionavam sem garantia oficial.

Essa declaração apaziguou os desassossegos públicos. Também produziu ou¬tros efeitos, talvez não previstos pelo autor. Modificou profundamente o espírito e as operações da Com¬panhia. Pouco tempo me resta; avisam-nos que o navio está para zarpar; mas tratarei de os explicar.

Por inverossímil que seja, ninguém tentara até então uma teoria geral dos jo¬gos. O babi¬lônio é pouco especulativo. Acata os ditames do acaso, entrega-lhes a vida, a esperança, o terror pânico, mas não lhe ocorre investigar as suas leis labirínticas, nem as esferas giratórias que o revelam. Não obstante, a declaração oficiosa que men¬cio¬nei instigou muitas discussões de ca¬rá¬ter jurídico-matemático. De uma delas nas¬ceu a seguinte conjectura: Se a loteria é uma inten¬si¬fica¬ção do acaso, uma periódica infusão do caos no cosmos, não conviria que a causalidade interviesse em todas as fases do sorteio e não apenas numa? Não é irrisório que o acaso dite a morte de alguém e que as circunstâncias dessa morte — a reserva, a publicidade, o prazo de uma hora ou de um século — não estejam subordinadas ao acaso? Esses escrúpulos tão justos provocaram, por fim, uma reforma considerável, cujas complexidades (agra¬va¬das por um exer¬cício de séculos) só as entendem alguns especialistas, mas que intentarei resumir, embora de modo simbólico.

Imaginemos um primeiro sorteio que decrete a morte de um homem. Para o seu cum¬pri¬mento procede-se a um outro sorteio, que propõe (digamos) nove exe¬cu¬to¬res possíveis. Desses executores quatro podem iniciar um terceiro sorteio que dirá o nome do carrasco, dois podem substituir a ordem infeliz por uma ordem ditosa (o encontro de um tesouro, digamos), outro exacerbará (isto é, a tornará infame ou a enriquecerá de torturas), outros podem negar-se a cumpri-la... Tal é o esquema sim¬bó¬li¬co. Na realidade o número de sorteios é infinito. Nenhuma decisão é final, todas se ramificam noutras. Os ignorantes supõem que infinitos sorteios re¬que¬rem um tempo infinito; em verdade, basta que o tempo seja infinitamente subdivisível, como o ensina a famosa parábola do Certame com a Tartaruga. Essa infinitude condiz admi¬ra¬vel¬men¬te com os sinuosos números do Acaso e com o Arquétipo Celestial da Loteria, que os platônicos adoram... Um eco disforme dos nossos ritos parece ter reboado no Tibre: Ello Lampridio, na Vida de Antonino Heliogábalo, refere que este imperador escrevia em conchas as sortes que destinava aos convidados, de forma que um recebia dez libras de ouro, e outro, dez moscas, dez leirões, dez ossos. É lícito lembrar que Heliogábalo foi educado na Ásia Menor, entre os sacerdotes do deus epônimo.

Também há sorteios impessoais, de objetivo indefinido; um ordena que se lance às águas do Eufrates uma safira de Taprobana; outro, que do alto de uma torre se sol¬te um pássaro, outro, que secularmente se retire (ou se acrescente) um grão de areia aos inumeráveis que há na praia. As conseqüências são, às vezes, terríveis.

Sob o influxo benfeitor da Companhia, os nossos costumes estão saturados de acaso. O comprador de uma dúzia de ânforas de vinho damasceno não estranhará se uma delas contiver um talismã ou uma víbora; o escrivão que redige um contrato não deixa quase nunca de intro¬duzir algum dado errôneo; eu próprio, neste relato apres¬sa¬do, falseei certo esplendor, certa atrocidade. Talvez, também, uma misteriosa mo¬no¬to¬nia... Os nossos historiadores, que são os mais perspicazes da orbe, inventaram um método para corrigir o acaso; é de notar que as operações desse método são (em geral) fidedignas; embora, naturalmente, não se divulguem sem alguma dose de engano. Além disso, nada tão contaminado de ficção como a história da Companhia... Um documento paleográfico, exumado num templo, pode ser obra de um sorteio de ontem ou de um sorteio secular. Não se publica um livro sem qualquer divergência em cada um dos exemplares. Os escribas prestam juramento secreto de omitir, de intercalar, de alterar. Também se exerce a mentira indireta.

A Companhia, com modéstia divina, evita toda publicidade. Os seus agentes, como é óbvio, são secretos; as ordens que distribui continuamente (talvez incessante¬men¬te) não diferem das que prodigalizam os impostores. Para mais, quem poderá gabar-se de ser um simples impos¬tor? O bêbado que improvisa um mandato absurdo, o sonhador que desperta de súbito e estran¬gula a mulher a seu lado, não executam, porventura, uma secreta decisão da Companhia? Esse funcionamento silencioso, comparável ao de Deus, provoca toda espécie de conjecturas. Uma insinua abo¬mi¬na¬vel¬men¬te que há séculos não existe a Companhia e que a sacra desordem das nossas vidas é puramente hereditária, tradicional; outra julga-a eterna e ensina que perdu¬ra¬rá até a última noite, quando o último deus aniquilar o mundo. Outra afiança que a Companhia é onipotente, mas que influi somente em coisas minúsculas: no grito de um pássaro, nos matizes da ferrugem e do pó, nos entressonhos da madrugada. Outra, por boca de heresiarcas mas¬ca¬rados, que nunca existiu nem existirá. Outra, não menos vil, argumenta que é indiferente afirmar ou negar a realidade da tenebrosa corporação, porque a Babilônia não é outra coisa senão um infinito jogo de acasos.

Texto extraído do livro “Ficções”, Editorial “Livros do Brasil”  Lisboa, Portugal, 1969, pág. 65, traduzido do original “Ficciones” por Carlos Nejas.

segunda-feira

Rafael

Rafael (1483-1520), pintor renascentista italiano, considerado um dos maiores e mais importantes artistas de todos os tempos. Entre suas primeiras obras, realizadas em Perúgia, destacam-se duas grandes composições: O casamento da Virgem (1504) e a folha do retábulo de Cittá de Castello, que representa a Crucificação com dois anjos, a Virgem e os santos Jerônimo, Madalena e João Evangelista (1503). PERÍODO FLORENTINO Em 1504, transferiu-se para Florença. Nessa época, efetuou uma mudança estilística que abrange da composição geométrica (ver Geometria) e a ênfase na perspectiva até uma maneira mais natural e suave de pintar. As obras destacadas desse período são Madona do grão-duque(1504-1505), A bela jardineira (1507-1508), a Virgem do pintassilgo (1505) e a Madona do baldaquino (1508). Entre suas primeiras obras, realizadas em Perúgia, destacam-se duas grandes composições: O casamento da Virgem (1504) e a folha do retábulo de Cittá de Castello, que representa a Crucificação com dois anjos, a Virgem e os santos Jerônimo, Madalena e João Evangelista (1503). PERÍODO ROMANO Em 1508, a chamado do papa Julio II, foi para Roma, onde se encarregou da decoração mural de quatro pequenos aposentos do Palácio do Vaticano. Entre as pinturas de cavalete desse período romano destacam-se o retrato de Julio II (1511-1512), a Madonna Sistina (1514?) e a Transfiguração (1517-1520). Em 1508, a chamado do papa Julio II, foi para Roma, onde se encarregou da decoração mural de quatro pequenos aposentos do Palácio do Vaticano. Entre as pinturas de cavalete desse período romano destacam-se o retrato de Julio II (1511-1512), a Madonna Sistina (1514?) e a Transfiguração (1517-1520).

Cosmogênese, os Titãs e Zeus

No princípio, havia apenas o Caos. O Caos era o vazio, uma massa sem forma e confusa. Não existia tempo, nem amor, nem tristeza. O Caos produziu uma grande vibração e assim surgiu Nix, a Noite e seu irmão Érebo. Nix era a existência da escuridão absoluta superior, envolvendo tudo com seu manto de tecido leve e escuro, onde haviam lindas estrelas prateadas bordadas. Ela sozinha teve seis filhos: Perdição, Destino, Morte, Hypnos, Morfeu e Nêmesis. Érebo era a escuridão absoluta inferior, onde habitavam os mortos. Nix e Érebo se uniram. Desta união Nix pôs um ovo e dele nasceu o Amor, e de sua casca partida ao meio, surgiu Urano, o céu e Gaia, a terra. Gaia e Urano se apaixonaram e tiveram muitos filhos. Esses filhos eram os Hecatônquiros, os Ciclopes, os Titãs e as Titãnidas. Esses filhos eram gigantescos, estranhos e tinham a força do terremoto, do furacão e do vulcão Os Hecatônquiros eram muito grandes e feios. Possuíam cinqüenta cabeças e cem braços. Seus nomes eram Briareu, Coto e Giges. Urano não gostava desses filhos, e assim que nasciam, eram presos nointerior da terra. Sobre a terra ficavam apenas os Ciclopes e os Titãs. Os Ciclopes também eram muito grandes, e receberam esse nome, porque possuíam um único olho redondo como uma roda no centro da testa. Brontes, o trovão, Estéropes, o relâmpago e Arges, o raio. Os Titãs eram Oceano, Hipérion, Japeto, Céos, Créos e Cronos. E as Titãnidas eram Téia, Réia, Têmis, Mnemôsine, Febe e Téis. Cronos para libertar seus irmãos que estavam presos, com incentivo da mãe, castrou seu pai e do sangue dele nasceram os Gigantes e as Erínias, que perseguiam os que fizessem mal aos outros. Os outros monstros acabaram sendo expulsos da Terra, mas as Erínias permaneceram. Cronos tomou o poder como senhor do Universo juntamente com a rainha-irmã Réia. Os gregos acreditavam que a Terra era redonda e chata, como um disco de pizza e que a sua volta estava o titã Oceano, que a banhava e protegia. Oceano é o titã mais velho, filho de Urano e Gaia. Tem por esposa, Tétis, uma titânida, com quem teve cerca de mil ninfas chamadas Oceânidas, os rios, as fontes. Tétis, em grego, significa "ama, nutriz", é a deusa da água, matéria-prima quem entra na formação de todos os corpos. Possui um carro formado de uma linda concha branca como marfim, puxado por cavalos-marinhos, acompanhada de lindos delfins, que brincam ao seu redor, dos Tritões quem tocam corneta com suas conchas curvas e pelas Oceânidas coroadas de flores. Temis é a personificação da ordem do mundo. É a lei e o eterno equilíbrio. É representada tendo nas mãos uma balança e uma espada. Seus olhos vendados significam imparcialidade de suas sentenças. Teve três filhas com Zeus: Irene (paz), Eunomia (disciplina) e Dikê (justiça). Mnemôsine simboliza a memória. Foi amante de Zeus com quem teve 9 musas: Aoede (Canto); Calliope (Poesia Épica); Clio (História); Erato (Artes Líricas); Euterpe (Flauta); Melete (Prática); Melpomene (Tragédia); Mneme (Memória); Polymnia (Mímica); Terpsichore (Dança); Thalia (Comédia); Urania (Astronomia). Eurília e Crio casaram-se e tiveram os filhos Perses, Palas e Artreu. Japeto é considerado o avô dos mortais, pois é pai de Promoteu, quem os criou. Hipérion casou-se com sua irmã Téia, e juntos tiveram Hélio (o sol), Selene (a lua) e Eo (a aurora). Os mais importantes titãs são Cronos e Réia. Eles geraram cinco deuses: Héstia, Deméter, Hera, Hades e Possêidon. Gaia profetizou que Cronos perderia o trono para um de seus filhos e assim, Cronos com medo que a profecia se realiza-se, engolia os filhos assim que nasciam. Réia, grávida do sexto filho, estava desesperada, não agüentava mais ver seus filhos serem engolidos, armou um plano. Fugiu no dia do nascimento de Zeus, podendo assim esconder a criança na ilha de Creta aos cuidados das ninfas. Como deveria dar a criança para Cronos comer, ela, com muito medo que ele descobrisse, enrolou panos em uma pedra, como se esta fosse a criança, e logo que Cronos viu o embrulho, o engoliu, sem perceber que havia engolido uma pedra, e não seu filho. Zeus cresceu e foi encontrar com seu pai. Ele preparou uma poção para Cronos beber, e assim que bebeu, vomitou todos os filhos que havia engolido. Seus irmãos reuniram-se à volta de Zeus, e o elegeram como o novo Rei. A briga entre titãs e deuses havia começado, mas Zeus, muito esperto, libertou os Hecatônquiros e os Cíclopes, que lutaram ao seu lado. Com a vitória, Zeus recebeu dos Cíclopes o trovão e o raio divino e passou a ser o Deus dos Deuses e dos Homens.

Lendas Nórdicas - Asgard - A Morada dos Deuses.

Asgard era a morada dos deuses e se ligava à Terra pela ponte do Bifrost, que nada mais era que o arco-íris.
Lá habitavam duas famílias de cunho divino: os Aesir e os Vanir, que após um período de hostilidade passaram a conviver harmoniosamente. Conta a lenda que os Vanir ainda no período em que não habitavam o Asgard enviaram a este uma poderosa feiticeira, conhecida pelo nome de Gullveig, detentora não só de grande conhecimento como também de enorme fortuna.. Os Aesir quiseram por tudo descobrir o segredo de tão grande riqueza; e como Guílveig se mantivesse irredutível, optaram por queimá-la viva. Porém, foi enorme a surpresa dos deuses, ao perceberem que a feiticeira renascia das próprias cinzas. Feita mais uma vez prisioneira, Gullveig foi terrivelmente torturada até a morte. Inconformados, os Vanir intimaram os Aesir a indenizar-lhes com enorme quantia de ouro.

Como estes últimos houvessem refutado a proposta, as duas famílias envolveram-se em longos e frustrantes embates que se prestavam apenas para desgastá-los. Dentro de algum tempo, os dois lados acabaram concordando com uma trégua. A divida seria perdoada, a paz retornaria e os Vanir seriam admitidos no Asgard. Assim, os Aesir seriam a mais importante família, caracterizada pela presença de deuses combativos e guerreiros, eram também empreendedores de grandes aventuras e detentores de singular interesse pela magia. Nesta família, destacamos especialmente a presença do deus Odin e de seu poderosíssimo filho, o deus Thor. Os Vanir, por sua vez, ocupavam-se da prosperidade financeira e bem-estar humano. Seriam deuses de temperamento pacífico e simpatizantes das riquezas, fecundidade e relações sociais.

Em nível arquetípico, podemos dizer que os Vanir seriam deuses que descenderiam de antigas divindades ligadas ao culto da terra e aos ritos orgiásticos, dos quais teriam surgido os rituais de fecundidade. Os representantes desta família que mais se destacam são os deuses Freyr e sua irmã Freya. Odin o deus pai possui o palácio Valaskjálf onde está o seu alto trono Hliðskjálf, o palácio Glaðsheimr onde fica o salão Valhalla outro lugar muito famoso e muito cobiçado pelos Odinistas, Thor possui seu lugar chamado Þrúðheimr no salão Bilskirnir. Heimdallr habita no Himinbjörg onde esta a ponte Bifröst, essa é a ponte que liga asgard à miðgard e a outros mundos e lugares, os deuses usam essa ponte também para chegar a outro importante lugar de Asgard a fonte de Urðr, onde as Nornes moram e os Deuses julgam, Baldr habita no Breiðablik, Viðarr habita em Viði, Njörðr habita no Nóatún, os vikings acreditavam que todos que morriam no mar habitariam a morada de njorð na vida-pós-morte. As deusas habitam seu próprio lugar em Asgard, Vingólf, Frigg habita em Fensalir, Freya habita Fólkvangr no palácio Sessrúmnir onde metade dos guerreiros mortos iam após a morte, a outra metade habita Valhalla.
Fonte: http://nibelungsalliance.blogspot.com