Panacéia dos Amigos

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sexta-feira

Ronin

Finalmente, a Panacéia das Hqs chega a Frank Miller! E muitos outros posts serão necessários para falar de sua influência em enredos e arte. Mas, digamos que Miller foi o precursor da introdução de elementos da cultura japonesa nas Hqs americanas tanto nos elementos de seus argumentos quanto na arte.

Miller teve como principal influência o contato com a obra “Lobo Solitário”que conta a história de um samurai sem mestre e seu filho Diagoro e se tornou um entusiasta do trabalho de Kazuo Koike e Goseki Kojima. Devo dizer que por admiração ao trabalho dele, eu mesmo busquei conhecer “Lobo Solitário”, um mangá clássico que merece ser conhecido por todos e no qual de fato encontrei muitas similaridades e inspiração para o trabalho de Miller.

Todo a obra de Miller admirada no mundo todo tem sua gênesis neste trabalho, a partir de então, seu traço sofreu esta influência e em seus enredos personagens como ninjas e samurais entraram no cenário principal. E daí a criação de Elektra a ninja assassina que trouxe de vez estes elementos as aventuras do Demolidor. E o que dizer de Stick seu mestre oriental? Seu grupo de ninjas brancos em combate com o Tentáculo entraram para a história das Hqs.

Mas, neste post, quero falar especificamente de RONIN. No ínicio dos anos 90, estava lendo muito muito e muito, era uma época profícua e o destino me permitiu que um amigo me emprestasse estas obras já que eu não podia compra-las e eis que me chega RONIN.

Imediatamente, fiquei fascinado pelo ínicio da história do Samurai no japão feudal e sua luta contra o demônio Agat. O traço de Miller era muito diferente do que estava acostumado. Estilizado, próprio. Eu não sei se achei belo no momento, mas sem dúvida era atrativo e dinâmico. A cena do golpe de espada é um dos registros gráficos mais marcantes.

Quando a aventura se lança para o futuro, devo dizer que fiquei um pouco chateado. Estava adorando as aventuras do samurai no passado. Mas, de qualquer forma era uma ficção cientifica interessante e instigante.

A série RONIN foi lançada em seis edições pela DC Comics e concluída em 1984, Ronin deu início à publicação das minisséries com temática mais adulta. Começando no Japão feudal, a HQ mostra um jovem samurai que busca vingar a morte de seu mestre. No confronto final contra o assassino, Ronin e o demônio Agat acabam aprisionados numa espada mágica, ressurgindo séculos depois numa caótica e altamente tecnológica Nova York do futuro. O roteiro se desenrola a partir daí, contando com muitos duelos de espadas, cenas do Japão feudal e hordas de robôs. Bastante original em sua fusão entre passado e futuro, elementos orientais e ocidentais, o enredo básico e a temática principal de Ronin seriam, anos mais tarde, copiados pela série de animação Samurai Jack (produzida por Genndy Tartakovsky para o Cartoon Network).

Ronin serviu de laboratório para que Miller destilasse toda a inovação que pretendia em estilo e narrativa. Seu traço de linhas suaves e preenchidas, os elementos japoneses, flashbacks, monitores e outros seriam ampliados e sofisiticados em sua obra-prima: Batman-O Cavaleiro das Trevas. Mas, o fato de ter sido um campo de experimentos não a torna uma obra menor. Ronin é inovadora sob diversos aspectos e sua trama com elementos ocidentais e orientais é o prenúncio de uma influência cada vez mais marcante no mercado americano com a invasão dos mangás.

Também abriu caminho para obras mais complexas e instigantes nas HQs, apesar de não ter sido um grande sucesso comercial na época, sua relevância foi apreciada com o tempo, tornando Ronin uma obra referencial na história das HQs..

Um comentário:

  1. Não é só o ronin que viaja no tempo, a gente está voltando uns 20 anos no passado, não?

    É bem difícil a gente conseguir transmitir o que era o Frank Miller naquela época. Você falou bastante do traço do Miller, mas eu acho que não é nem o traço em si, é a força narrativa e isso a gente conseguia ver ao conhecer obras do Miller ilustradas por outros mestres. Não vou me aprofundar, pois imagino que você escreverá sobre isto em algum momento. Mas se considerarmos quadrinhos como arte sequencial, é difícil encontrar exemplos mais perfeitos do que coisas como A Queda de Murdock...Neste aspecto, nem Watchmen ganha.

    William Shibuya

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