Panacéia dos Amigos

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sexta-feira

Gavião Negro


Gavião Negro foi uma mini-série lançada pela Abril em 1991 em 3 edições , formato americano, dos criadores Timothy Truman, Alcatena e Sam Parsons.

Chegou em minhas mãos, se não me engano em 1992. Eu não era um fã do Gavião Negro. Havia lido muita pouca coisa do personagem. Quando comecei a ler tinha em mente sua escassa presença na "Crise" (Crise nas Infinitas Terras), coadjuvante em aventuras de personagens da DC que eu gostava (embora não fosse um grande "decenauta") e nos desenhos animados dos "Superamigos", portanto, não fiquei muito entusiasmado em ler, mas, não se deve desprezar nada sem uma leitura prévia, além do que, foi-me emprestado com ressalvas de que era um trabalho renovador do personagem. Valia conferir. De fato, valeu a pena. 


A trama era excelente. A origem do personagem era mostrada de uma nova maneira. Estávamos no mundo dos homens-alados, Thanagar, uma sociedade aparentemente perfeita aonde Katar Hol, que se tornaria o Gavião Negro, é o filho de Paran Katar o cientista que revolucionou a vida de seu mundo ao criar as asas utilizadas por toda a população.

Thanagar, um dia, foi um mundo escravizado por um império alienígena , até que Kalmoran, um escravo como tantos outros, se rebelasse e liberta-se seu mundo. E mais, conseguiu enfrentar e vencer os opressores construindo o império Thanagariano. Mas, que após sua morte se tornou tão opressor quanto o antigo império. 


Através do olhar crítico de Katar, somos apresentados as falhas da sociedade Thanagariana. O preço da prosperidade do império de Thanagar é pago pelos povos alienígenas subjugados que são oprimidos e escravizados vivendo abaixo das torres reluzentes. Aos povos que não conseguiram acordos com Thanagar para integrar a elite do império e tiveram seus mundos conquistados cabe o lugar de "párias" da sociedade thaganariana vivendo a miséria absoluta enquanto as riquezas de seus mundos são exploradas pelos orgulhosos thanagarianos.


No entanto, mesmo a sociedade de Katar sofre os efeitos desta situação como uma espécie de "Roma" interplanetária, o império está entrando em decadência, caracterizada entre outros pontos pela perda de sua própria identidade. Com tristeza, Katar analisa que seu povo vive na dependência dos produtos dos mundos conquistados sejam roupas, comida, bebida, invenções tecnológicas e mesmo drogas, usadas a exaustão, para entorpecer os sentidos de uma população enfastiada com sua própria opulência. Um povo distante daquele libertado pelo herói Kalmoran. 



Katar conhece esta realidade quando mesmo sendo um membro da elite resolve se alistar aos soldados comuns do império e passa a ter missões na "cidade baixa" repleta de parias. Lá, acaba se aproximando demais de descobrir uma conspiração envolvendo tráfico de armas. Os verdadeiros envolvidos conseguem incriminar Katar Hol e exilá-lo, ele se torna um pária entre os párias. 


Este é, para mim, um dos momentos mais brilhantes da trama levado a uma ilha de segurança máxima é deixado para morrer ou enlouquecer. No entanto, lá encontra outros como ele. Este encontro proporcionará um "renascimento" para Katar Hol que de membro da elite se tornará num pária revolucionário disposto a enfrentar a elite corrupta responsável por sua queda e restaurar no que puder a antiga Thanagar de Kalmoran.


Além da boa história, os desenhos de Truman são muito interessantes. Seu traço tem um estilo particular e muito bem feito. Uma obra de HQ que, sem dúvida, merece ser lida e apreciada.

Um comentário:

  1. É sem dúvida uma obra primorosa. Igual à você, eu tb conhecia muito pouco do personagem, mas essa mini-série é "sui generis", seja pela trama perfeita, pela rica narrativa ou pelos cuidadosos detalhes da arte.
    Ler seu comentário me deixou nostálgico, já que faz 19 anos (!!!!) que eu comprei essa obra, que infelizmente me tomaram emprestada e não devolveram.
    Obrigado por não deixar trabalhos assim no esquecimento.
    Abraços

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