Panacéia dos Amigos

VISITAÇÃO

sexta-feira

Entrevista com a banda "Ghost of a Rose" - Blackmore´s Night Cover


A Panacéia das Entrevistas tem a felicidade de trazer a vocês uma entrevista com a banda 'Ghost of a Rose' – Blackmore´s Night Cover . Este interessante trabalho surgiu em 2006 na cidade de Campinas, quando os irmãos Lilian Oliveira e Rob Sammore decidem homenagear a banda Blackmore's Night através de um cover e, começam a buscar músicos interessados neste projeto.
Aderem, então, Ralf Crow e Marcelo Diniz que tocavam com Rob em uma banda local cover de Deep Purple e o baterista Átilla Liberato que tocava com Lilian na banda de gothic metal Lirya e as backing vocals Pâmela e Marta Alvear. A formação foi consolidada em 2007 com a saída de Átilla entra Renato "Gordo" na bateria e o do novo membro, o violinista Anderson "Bardo".
A partir de então, 'Ghost of a Rose' vem realizando shows e tocando em eventos medievais. Em 2007, por conta da gravidez da vocalista Lilian Oliveira, a banda conta também com o apoio da vocalista Danielle Sanga que vem cobrindo sua ausência nesse período, até que ela possa retornar as atividades da banda.
 
Banda :
Lilian Oliveira : Voz
Danielle Sanga : Voz.
Rob Oliveira : Violão, Guitarras, Bandolin
Ralf Crow : Baixo
Marcelo Diniz : Teclados
"Bardo" Anderson: Violino
"Elfo" Renato Gordo : Bateria & Rithm
Sister of the moon - Lady Marta Alvear : Backing vocal

A PANACÉIA ESSENCIAL - Ocorre-me um pensamento quando penso no trabalho de vocês. Acontece que em tempos recentes assisti novamente o DVD "Castle and Dreams" e o clipe "Way to Mandalay" do Blackmore´s Night, mas, desta vez houve uma diferença interessante. Ver estes músicos que optaram por fazer a música que gostavam, a vestimenta e o ambiente que apreciavam sem se importar com o que pensariam deles, me inspirou a aceitar que, por exemplo, se prefiro escrever e desenhar temas medievais é o que devo fazer efetivamente. Pergunto-me se algo semelhante ocorreu a vocês quando optaram por se envolver com este trabalho. Como a cultura medieval chegou até vocês?
Rob Sammore– Bom, primeiramente quero agradecer a você Paulo e a PANACÉIA ESSENCIAL pela oportunidade da entrevista. Respondendo a pergunta, a cultura medieval foi passada para mim por diversos meios, desde histórias infantis até por alguns estudos de períodos históricos na escola, mas meu contato maior era com a música. Desde jovem tive uma cultura musical enriquecida, pois meu pai era músico também e apesar de tocar mais na noite paulistana e ele sempre falou para mim estudar TODOS os aspectos da música, desde sua teoria até todos os tipos de ritmos. Durante muito tempo estudei todo tipo de música mas o que me despertou interesse mesmo foi assim que conheci o Blackmore´s Night, como você disse no DVD "Castle and Dreams" você vê eles com o diferencial de parecerem fora de época, tanto com os trajes típicos quanto com o estilo peculiar de suas músicas e respondendo ao que você falou, sim nos inspiramos e ocorreu algo semelhante a ter uma banda com a mesma temática, antes era fan do Ritchie Blackmore, Deep Purple e Rainbow e gostava da temática das letras do Rainbow vendo o trabalho dele no Blackmore´s Night me inspirou muito.
Lílian Oliveira – Meu contato com a música também começou muito cedo, pois como o Rob disse sempre tivemos incentivo do nosso pai. Apesar da cultura medieval chegar até nós por diversos meios como filmes, ou mesmo nos estudos de história da escola, foram através dos meus estudos musicais que percebi quanta influência o período exerceu na história da música em si, e em sua teoria. Eu particularmente estudei canto lírico, e nesse contato com a música erudita e sua história acabei pesquisando e conhecendo mais sobre a cultura medieval em si.E quando conhecemos o Blackmore's Night, nos agradou muito ver essa riqueza da música renascentista e embora aquilo soasse "antigo" ao mesmo tempo havia um mistura que transportava para algo moderno, sem falar nas vestimentas, instrumentos antigos que eram utilizados, com certeza nos ocorreu esta idéia de "Por que não fazer se é isto que gostamos?"


APE -Contem-nos como se deu o processo que os levou a criação da banda Ghost of a Rose. Como começaram e decidiram levar o projeto adiante. Enfim, a história desta reunião. Acredito que muitos se perguntam quais foram ou são os sentimentos e as perspectivas artísticas que os levaram a este projeto de uma banda cover do Blackmore´s Night.
Rob – Começou em 2005 na verdade, eu tinha alguns projetos com a minha irmã Lílian e a nós compramos DVD "Castle and Dreams", assistindo ele vimos algo diferente que nos deixou "apaixonados" pelo Blackmore´s Night, e conhecendo mais o trabalho, pensamos, porque não fazer um tributo a essa banda?
Geralmente dizem que eu sou muito impulsivo nos projetos que faço, isso por uma lado é bom e ruim ao mesmo tempo. Na impulsividade começamos a juntar músicos para o projeto, mas era algo muito difícil. No ano de 2005 o projeto ficou travado e todos diziam que seria algo muito trabalhoso fazer uma banda "cover" do BN, mas nós não desistimos do projeto e eu, principalmente, fiquei praticamente "obcecado" [risos] pelo projeto.
Lílian – Fazer cover de uma banda como Blackmore´s Night era uma idéia um tanto ousada, pois é um trabalho que deve ser feito com muita dedicação, pois não se trata apenas da música em si, a banda nos remete a uma determinada época então teríamos que incluir instrumentos diferentes dos quais ainda não estávamos familiarizados a tocar em banda como flautas e violino, um figurino especifico, uma postura de palco diferente da qual estávamos acostumados, tudo para criar aquele "clima medieval" que a banda original traz em seus shows. Embora seja uma banda tributo, ela nos inspirou e de certa forma nos transportou para essa época fascinante. Com certeza, não seria tarefa fácil encontrar músicos dispostos a dedicar-se a este projeto. Realmente, isto foi acontecendo aos poucos. Nosso primeiro show foi uma loucura (risos).
Rob - No final eu fui pro "vai ou racha". Em 2006 eu tinha o repertório e a estrutura da banda, porém um time incompleto então com um tempo de 3 meses um amigo nosso que organiza um evento relativo geralmente em barzinhos de rock sabia do meu projeto e quis marcar um show, ainda com a banda incompleta eu marquei acreditando. Passaram 2 meses e nada de músicos para completar o time. A Lílian já estava entrando em desespero, porque eu não queria desmarcar o show, então eu chamei algumas pessoas : o nosso baixista Ralf Bezerra, que já tocava comigo em vários projetos, Marcelo Diniz para os teclados que é sem duvida também um grande amigo e profissional, Pámela Martins e Marta Alvear para fazer backing vocals, Átilla para a bateria e tivemos pouquíssimos ensaios. Eu estava com medo de algo dar errado, mas o som ficou bom, o público ajudou muito e esse show foi com certeza um dos mais tumultuados e empolgantes que já fiz.


Então a banda surgiu, houve algumas mudanças na nossa formação, o Átilla por alguns problemas de tempo acabou por deixar a banda e logo entrou o Renato (Gordo) na batera e ainda trouxe a inclusão do Anderson (Bardo) que faz violinos, flautas e outros instrumentos que trazem o diferencial na banda hoje em dia, como eles entraram na banda é uma parte que vou deixar pro bardo responder aqui embaixo [risos], nos últimos tempos nossa Vocal a Li teve que se afastar do trabalho da banda pois estava grávida e iria ter seu primeiro filho então ela nos últimos tempos foi substituída pela nossa amiga Danielle, que assumiu nesse tempo que ela está afastada os vocais.
Anderson "Bardo" – Meu ingresso na Ghost of a Rose foi de certa forma engraçado, pois assim como o Gordo, já me identificava com o estilo há tempos e nos empolgamos com a notícia de uma banda cover de Blackmore's Night na região muito antes de sequer imaginarmos tocar nesta banda. Foi uma adorável surpresa quando o Gordo, que já tocava comigo, me disse que estaria fazendo um teste para a banda e que também estavam precisando de um violinista.
Foram muitos os fatores que contribuíram para que eu me empolgasse com a idéia de tocar na banda, até então eu havia trocado poucas palavras com o Rob, mas já era o bastante para saber que era uma pessoa tranqüila para se trabalhar, como já havia assistido a um show da banda também não tive qualquer dúvida quanto à excelente qualidade dos músicos, além do mais, vi uma ótima oportunidade para crescer profissionalmente e explorar outros horizontes musicais inclusive experimentando instrumentos diferentes do que estava habituado. Desde então tem sido muito gratificante fazer parte deste time e saber que ainda poderemos levar para muitas pessoas um pouco da magia desta mistura de música renascentista com rock n' roll e deste excelente trabalho do nosso consagrado Ritchie Blackmore.


Lílian – Bom, meu filho já nasceu e em breve estarei de volta as minhas atividades tanto que estou aqui relatando como foi a criação da banda, mas a Danielle tem feito um ótimo trabalho, a banda está ficando cada vez mais popular e com certeza "o show deve continuar"!!!


APE- Além de executar as canções do BN, a banda Ghost of a Rose também compõe suas próprias canções no estilo medieval ou este é um passo a ser dado mais tarde? Vale perguntar se vocês se sentem um pouco pressionados ao executar um trabalho de artistas tão talentosos e relevantes como Ritchie Blackmore e Candice Night que vocês também, obviamente, admiram.
 
Rob - Bom, sobre composições próprias, eu tenho planos nesse estilo no futuro, mas isso ainda não foi conversado com a banda, por enquanto nos dedicamos a melhorar a execução do cover especifico, porém seria muito legal rolar isso no futuro.
Quanto a pressão, com certeza acho que em alguns aspectos um cover não pode fugir do original e isso nos prende um pouco, apesar do BN ser algo aberto para pequenas mudanças, já que o próprio Ritchie Blackmore modifica um pouco sua sonoridade nos shows, mas não sinto pressão, sinto mais responsabilidade em trazer alguma fidelidade a banda original.
Lílian – Acho que na execução de qualquer cover ocorre uma certa pressão, ainda mais por se tratar de um tipo de som tão cheio de detalhes com flautas, violinos. Porém, as músicas tem um clima tão alegre que acabamos descontraindo e esquecendo um pouco esta pressão e como o Rob disse, rola muito mais uma responsabilidade de trazer esta fidelidade em relação ao original. Quanto a composições próprias, ainda é um projeto a longo prazo, mas seria ótimo!


APE-Acompanhei numa entrevista Candice Night afirmar que eles utilizam a sonoridade medieval e renascentista, mas se sentem livres para na composição, por vezes, "modernizar" um pouco as canções (adoro o Blackmore´s Night, mas sou um tanto puritano, que me perdoem os fãs de Ritchie Blackmore, mas poderia ficar sem alguns dos solos de guitarra em algumas canções). Vocês também se sentem livres a colocar um pouco de sua versão para as canções ou preferem ser estritamente fiéis à obra original?
Lílian – Com certeza, nós colocamos um pouco da nossa "personalidade" digamos assim, porém sem fugir muito do original. Em algumas músicas até preferimos tirar as versões ao vivo porque elas dão mais espaço para esses improvisos.
Rob - De certa forma sim, nos prendemos um pouco por ser um cover especifico, porém no BN mesmo você sente a liberdade para dar seus toques pessoais, porque todo músico tem suas influências e tem sua personalidade também. Quanto as guitarras [risos] o BN tem em sua característica principal a mesclagem que o Ritchie faz de instrumentos pós modernos (já que ele é o pioneiro do estilo de guitarra chamado de guitarra neoclássico).É a essência do BN, com certeza as temáticas são medievais, mas as próprias musicas pedem bateria e intrumentos modernos, você vê isso em músicas como All For One, mesmo na parte embalada da Under a Violet Moon entre outras músicas da banda.


APE – Existe, ainda hoje, com todas as facilidades de acesso à informação, muito poucos que conhecem a música medieval e renascentista, e mesmo, a própria cultura desta época. Grupos de "folk", medieval e renascentista, ou que se utilizam desta sonoridade instrumental elaborando novas canções, mesmo entre as mais conhecidas como "Clannad", ou "Dead Can Dance" raramente se aproxima do grande público. Gostaria de saber se além do Blackmore´s Night há outros grupos desta sonoridade que vocês conhecem e apreciam?
Rob – No Estilo do Blackmore´s Night não conheço nenhuma banda, agora o Clannad e o Dead Can dance me agradam porque se aproximam um pouco do BN, Lorena Mckennitt tem um som agradável, apesar de ser diferente se aproxima um pouco do BN.
Lílian – Acho que para nós músicos, o período medieval foi também um período de grande marco na história da música. Eu particularmente, estudei canto lírico e por ter mais contato com a música erudita pude ver quanta influência o período medieval exerceu sobre a música em si, mesmo em sua teoria. Adoro canto gregoriano e acho muito interessante a idéia de alguns grupos de misturar isto com a música moderna. Mas eu também gosto de tudo o que é antigo, até já pesquisei sobre música grega antiga, assim como a música e o folclore de diversas culturas do mundo.
Além das já citadas, gosto de um grupo irlandês de música folk tradicional chamado Altan. Um grupo vocal feminino chamado Libana, embora ultilizem elementos de diversas culturas em suas músicas, acredito que as letras e algumas canções remetem a uma atmosfera antiga pois suas letras são pagãs e falam de uma época onde o feminino era considerado sagrado e os antigos veneraram não apenas um Deus, mas também uma Deusa e por fim gostaria de citar a banda galega de música celta, Luar na Lubre como outra das preferidas.
Bardo – Sou profundo admirador destes grupos que buscam as 'raízes' da música, experimentando uma mistura particularmente com o rock. Na questão da música medieval e renascentista em si, o que encontramos mais são grupos que resgatam estas músicas, algumas de compositores clássicos, outras já tão antigas que são de autoria anônima, porém esta mistura com o rock, ou qualquer tentativa de se acrescentar algo de novo já é mais raro e acredito que o Blackmore's Night é a banda que mais contribuiu nesta questão, mas claro que não foram os primeiros e nem os últimos. Uma banda que aprecio muito é o Jethro Tull, que foi um som bem diferente pra época e que agradou muito com a introdução de flautas, cravo e violino em meio aos solos de guitarra. Cito esta banda também por ter algumas regravações de músicas como "Past time with good company", composição do Rei Henrique VIII (séc. XVI), música esta que também teve sua devida homenagem pelo próprio Blackmore's Night no álbum "Under a Violet Moon".



APE-Ainda neste aspecto de acesso o Blackmore´s Night teve um pouco a mais de sorte, em virtude do trabalho de Ritchie com o Deep Purple, obviamente beneficiou o grupo, pois, causou um certo interesse sobre seu novo projeto. Mas, a música, em termos gerais, vocês acreditam que a música medieval pode agradar um público maior desde que lhe seja dado a conhecer, ou falta de um passado de cultura medieval no país implica numa falta de indenficação de difícil solução?
 
Rob – Bom o Brasil não tem uma tradição Medievalista, isso com certeza isso afasta um pouco as pessoas daqui da cultura medieval, mas a nossa cultura tem base na cultura Ocidental que tem berço na Europa, então que nunca ouviu histórias de cavaleiros e espadas? [risos]
Bom por outro lado é muito vago isso, eu pesquisando por Internet e outros meios conheci algumas músicas de autores europeus da idade média como Willian Byrd e John Dowland, entre outros e com mais pesquisa, roupas e tradições. Nossa Cultura aqui no Brasil é mista e com meios de informação hoje em dia globalizada o acesso é mais fácil para as pessoas ao ingresso ao conhecimento da cultura medievalista.
Bardo – Respondendo a esta e a pergunta anterior. Penso que esta questão de público no meio da música seja realmente definida basicamente por dois fatores: a cultura do local onde está se tentando introduzir o estilo musical e o apoio que a mídia dá ou não para tal estilo. No caso do Brasil, a enorme mistura de culturas diferentes dada desde o período colonial abre um grande leque para se explorar qualquer estilo musical e por menor que seja, sempre há um grupo de pessoas que se identificará com o estilo, como vemos pelo país diversas manifestações culturais desde a cultura afro até a nipônica. Como bem citou o Rob, o nosso país já tem sim um distante, porém forte elo com a idéia de medievalismo, mas prefiro ir além das questões históricas, muitas vezes 'perdidas' no mundo globalizado de hoje. Acredito que no Brasil, grande parte desta cultura é adquirida durante nossa infância, e do último século para cá fomos criados ouvindo e assistindo contos de Monteiro Lobato e de Walt Disney. Monteiro Lobato, que foi o precursor da literatura infantil brasileira, terminou seu trabalho na década de 40, justamente quando começaram a surgir os filmes de Walt Disney, que rapidamente dominaram as residências e começaram a fazer parte da vida de todas as pessoas e não apenas das crianças. Grande parte desses filmes e longas foram baseados em contos medievais, como o Robin Hood, conto medieval inglês, que originalmente teria sido um relato da vida do ladino-herói, contado pelos bardos através de suas cantigas, assim como Fantasia nos encantou com a estória do aprendiz de feiticeiro, já regado à uma excelente trilha sonora, Cinderela, que passou a transformar os sonhos das meninas, em castelos e príncipes, e o ilustre 'A espada era a Lei', conto sobre Rei Arthur e seus cavaleiros, que acredito ter sido um dos ápices da introdução do medievalismo durante minha infância.
Enfim, o Brasil é sim um ótimo país para se difundir o estilo de música que buscamos, porém, sem o devido apoio da mídia, que dispensa maiores comentários, o cenário acaba ficando com um público muito seleto, mas sempre pré-disposto a se ampliar.



APE-Descrevam-nos o sentimento que os tomou quando na primeira apresentação da banda em que, afinal, vocês começaram a vivenciar musicalmente e ativamente toda a rica atmosfera medieval.
Lílian – Nossa estréia foi em um evento medieval. Apesar de ter sido em um bar de rock, a organização teve a preocupação de fazer toda uma decoração para criar esta atmosfera medieval. Como já dissemos, a banda foi completa de última hora então estávamos meio preocupados e por ser a primeira apresentação não fazíamos idéia de como o público nos receberia, ou melhor, se o público conheceria o trabalho do Blackmore's Night e pra nossa surpresa a receptividade foi muito boa. As pessoas cantavam todas as músicas, dançavam e foi um show maravilhoso!
Rob – Bom eu pessoalmente estava um pouco apreensivo, como eu disse a primeira apresentação foi em um período complicado onde a banda estava formada, mas não consolidada, porém o auge da apresentação para mim foi quando tocamos a Ghost of a Rose, onde ouvimos o bar cantando conosco e depois dessa musica me senti à vontade. Antes da apresentação tivemos um trabalho com o vestuário da banda, pois todos procuramos roupas no espírito medieval que a banda tem, no final deu tudo certo e fiquei muito feliz com os resultados que a banda teve um carinho enorme do público.


APE-Não são muitos que tem possibilidade de participar de eventos e feiras medievais, quanto menos tocar neles. Relatem-nos como é a experiência sobre estes dois aspectos. E aproveitando, gostaria de saber como tem sido a reação do público ao trabalho.
 
Rob - Bom, existem poucas feiras e festas medievais no Brasil, em 2007 tivemos um contato com isso no Encontro da Medieval Brasil que foi muito bom para gente, esse encontro era recheado de palestras, comidas típicas e pessoas a caráter, com certeza valeu muito a pena que esse contato foi muito bom para todos nós, hoje em dia estamos procurando outros encontros para participar, existem outros em Minas Gerais e Brasília que tenho conhecimento.
Lílian – Realmente, são poucos os eventos que temos conhecimento, mas os que pudemos participar foram muito divertidos e nos fizeram sentir mais ainda na época, pois não era só a banda, o público também estava vestido a caráter, tocamos em baixo de árvores, sem falar nas atividades, palestras e comida típica. Infelizmente, ainda não tivemos o privilégio de tocar em um castelo como a banda original (risos), mas é muito legal que esses eventos nos aproximem dessa atmosfera medieval.

APE-Qual a razão que os levou a batizar a banda com nome "Ghost of a Rose", que nomeia também um álbum e canção do Blackmore´s Night? Vocês sentem alguma relação da banda com a canção em si, ou com o álbum do mesmo nome? 
 
Rob – Eu tive a idéia do nome "Ghost of a Rose" e sugeri pra minha irmã quando criamos a banda porque achei uma das músicas mais bonitas, tanto em questão de letra como em questão da melodia. Essa foi uma das músicas das quais me apaixonei do BN, então, realmente tem algo especial na canção em si.
Lílian – De fato, concordamos que esta é uma canção especial e por isso batizamos a banda com o nome dela, mas com certeza também é um dos melhores álbuns da banda.

APE-Quais são as canções favoritas (além da qual nomeia a banda) que a Ghost of a Rose mais aprecia tocar ou que sentem uma maior reação do público? Particularmente, aprecio especialmente canções como Wind in the Willows, Cartouche, All for one...mas, pergunto a vocês qual é a canção que transporta, definitivamente, todos para a atmosfera que vocês pretendem criar?
 
Rob - Cartouche é uma canção muito legal, era nossa música de abertura, pois ela causa impacto de inicio, realmente é uma música de abertura, sentimos isso pela reação do público, mas para nosso próximo show temos novidades na abertura. Outras canções que trazem a atmosfera que queremos criar é All for One, porque "We'll drink together, We'll sing together, We'll fight together, We'll fall together" essa letra tem o clima um por todos e todos por um.  
Lílian – Acho que Under a Violet Moon, além de ser uma das mais conhecidas do público também é uma das preferidas da banda. E tem também as versões do Deep Purple e Rainbow que agradam bastante os fãs da banda. Eu particularmente gosto muito da versão de Child in time que é emendada com a Mond Tanz.


APE-Enfim, gostaria de agradecer ao Ghost of a Rose pela participação na Panacéia das Entrevistas e parabenizá-los por este trabalho e a coragem de se envolver neste mundo rico, mágico e muitas vezes, incompreendido da era medieval. Aproveitando gostaria de pedir que deixem uma mensagem aos visitantes da Panacéia Essencial, muitos deles, garanto, apreciadores da música medieval e claro, do Blackmore´s Night, cujo trabalho vocês divulgam com tanto talento.
 
Nós que agradecemos ao Panacéia pela oportunidade de divulgar nosso trabalho e pelo blog que é muito interessante e também merece ser mais divulgado, pois contém muitas informações sobre assuntos diversificados e interessantes. Ao público, deixamos a mensagem de que todo trabalho, por mínimo que seja, tem compensações memoráveis. Somos pessoas que invadiram de "cabeça" esse mundo da música medieval e estamos tendo muito apoio do publico, isso é muito compensador e nos deixa muito felizes. Gostaríamos de convidar a todos para nosso show dia 06/12 no Blackmore bar em São Paulo e também para participar do nosso perfil e comunidade no orkut, myspace...Abraços a todos e foi um grande prazer dar essa entrevista ao Panacéia.

Myspace:
Fotolog:
Site :
Comunidade:
Contato para shows:
(19) 92051296
Vídeos no You Tube:

terça-feira

A Mensagem de Blossom Goodchild

Uma médium chamada Blossom Goodchild enviou pela Internet um comunicado em que alega ter canalizado uma mensagem extraterrestre. Segundo a mesma, os seres extraplanetários anunciam que uma das suas naves espaciais aparecerá na Terra, hoje, dia 14 de Outubro de 2008 e ficará visível, de forma bastante clara, durante 3 dias, comprovando de forma definitiva para todos neste planeta, que existem outras formas de vida no universo. Obtive uma cópia escrita da mensagem e deixo aqui na Panacéia . Verdade ou pura fantasia, não deixa de ser um fato curioso e por via das dúvidas, observarei o céu esta noite. E como disse o Marcelo Tas, hoje, bem que a humanidade merecia esse susto.

A MENSAGEM:

PARA LÍDERES, GOVERNADORES, POLÍTICOS E TODOS OS POVOS E PESSOAS DA TERRA....

Queremos que seja compreendido que no dia 14 do seu mês de Outubro do ano de 2008, uma grande nave será visível no céu. Ela estará no hemisfério Sul e passará sobre muitos dos seus estados.

Nós fornecemos a vocês o nome de Alabama*.

Foi decidido que permaneceremos dentro da sua atmosfera por um mínimo de três dos seus períodos de 24 horas.Durante este período, haverá muita agitação no seu plano terreno. Suas autoridades mais elevadas invadirão o "nosso" espaço aéreo. Esta "área de segurança" é necessária para nós, pois haverá uma "farsa", criada por aqueles entre vocês que tentarão negar que nós viemos em AMOR.

SAIBA ISTO:

NÓS VIEMOS PARA AJUDAR O SEU MUNDO. NÓS NÃO VIEMOS PARA DOMINAR. NÓS NÃO VIEMOS PARA DESTRUIR. NÓS VIEMOS PARA LHES DAR ESPERANÇA

Nós somos seres de outros planetas, que durante muitas eras do tempo de vocês temos nos preparado para os dias que estão se aproximando. Nós pedimos para cada alma que ler estas palavras para aceitar nos seus corações a verdade mais profunda, pois no fundo dos teus corações está o conhecimento que isto deverá acontecer. Haverá muitos que negarão. Haverá muitos que ignorarão.Haverá muitos que SABERÃO desta VERDADE.Não importa qual deles você é...entenda isto.IRÁ ACONTECER Nós lhes daremos a oportunidade de filmar e fotografar esta nave. Não haverá um contato na forma que aqueles do seu planeta gostariam. Nesta apresentação inicial nós apenas apresentaremos a nossa nave a vocês. Nós dizemos a vocês...esta aparição certamente será suficiente para compreenderem inicialmente.Serão tentados diversos métodos para atravessar a nossa barreira de segurança, mas eles não terão sucesso. Até nós podermos provar para vocês que nós viemos em AMOR, nós não permitiremos um contato mais próximo.

SAIBA DISTO...ESTE É O INÍCIO E NÃO O FIM

Os seus governos e a mídia tentarão nos esconder, mas isto falhará. Todas as vias foram antecipadas e cobertas por nós.A mídia não terá escolha, a não ser exibir a VERDADE, pois ela estará lá para todos verem.Amigos da Terra, não tenham medo. Nós convidamos vocês a CONFIAREM que nós viemos para trazer a queda daqueles que têm más intenções para com o bem estar do seu planeta.Se nós não intervirmos agora, como foi planejado há muitas eras do seu tempo terreno, temos receio que será tarde demais.

NÓS PEDIMOS QUE VOCÊS NOS ACEITEM COM AMOR, POIS , É POR AMOR QUE VIEMOS

As conversas que dizem que vocês foram informados sobre nós por meio de filmes, etc. não é "faz de conta". Nós temos plantado e regado algumas sementes de verdade no seu planeta em preparação para estes dias.

POIS, SEM DÚVIDA, NÓS VIEMOS EM PAZ.

Encham os seus corações com confiança nesta informação. Nós somos os seus irmãos e irmãs de outros lugares. Nossa tecnologia é muita avançada. Existem pessoas em altos postos nos governos que SABEM muito bem disto, e, portanto não adiantaria eles fingirem que precisam de armas para nos destruir No dia da nossa aparição, nós pedimos a vocês que escutem ao coração de vocês, e NÃO escutem as palavras daqueles que estarão com muito medo de perder o seu poder.Por muito tempo o seu mundo viveu sob uma "nuvem", desconhecida pela maioria de vocês. Se vocês conhecessem a verdade sobre o que foi escondido, vocês ficariam muito chocados.Chegou a hora das suas almas serem permitidas a ser quem elas são. O véu será removido.

SINTA-SE FELIZ. É HORA PARA ISTO.VOCÊ SABERÁ DISTO QUANDO O SEU CORAÇÃO ACEITAR A VERDADEIRA RAZÃO PARA A NOSSA VINDA PARA TRAZER UMA COMPREENSÃO DE AMOR. SAIBA ISTO

Nós escolhemos parar por aqui. Fique vigilante. Mantenha os olhos no céu. Mantenha AMOR no seu coração. Nós... a Federação da Luz nos despedimos, deixando encorajamento e esperança ao começarmos a ascensão para o novo mundo.Cada um de vocês escolheu estar aqui para esta ascensão. Agora você precisa decidir se a sua forma humana fará a mesma escolha...Aceite a ascensão com AMOR, ou rejeite-a com MEDO.

Que o aspecto mais elevado da sua alma te encha de luz na medida em que você avança bravamente para a frente.

Gratidão a todos aqueles que nos ajudam nesta causa.

quinta-feira

Se os Tubarões Fossem Homens - Bertolt Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quantos animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Elas ensinariam os peixinhos que entre eles e os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos Da outra língua silenciosos seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Sobre o (a) autor (a):

Bertolt Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social.

terça-feira

As sementes longínguas

Décadas atrás, uma inglesa. Lady R. acreditava firmemente nas panspermia e na coexistência cósmica e testou todas as suas adeptas com suas teorias.

Tratava-se de fecundar algumas jovens com sementes de seres do cosmos transportadas sobres ondas-luz. Lady R. tentara ela mesma a experiência, mas não obteve êxito. Concluiu que sua idade – cerca de sessenta anos – se prestava mal para a tentativa.

A experiência continuou com belas e jovens virgens que, deitadas nuas numa propriedade privada, procuravam aventuras com as estrelas. Algumas telas judiciosamente colocadas faziam convergir uma luz densa, mas atenuada, para evitar queimaduras. Dessa forma, julgavam aumentar as probabilidades de inseminação.

As virgens que Lady R. destinava a serem mães de uma nova humanidade eram, devido ao papel eminente que lhes poderia caber, alimentadas segundo o método vegetariano, mantidas fora do contato humano, como as vestais, só tinham o direito de ler a Bíblia.

Elas formavam dois clãs: um submisso a panspermia das estrelas, era composto por jovens que deviam viver completamente nuas desde o pôr do sol até o amanhecer; o outro – menos numeroso – era consagrado à fecundação solar, e as garotas, deitadas sobre leitos portáteis orientáveis segundo a deslocação do astro, oficiavam desde a aurora até o crespúsculo.

De ínicio, os resultados não foram nada encorajadores. Lady R. começava a duvidar da sua teoria quando uma das jovens começou a apresentar os sintomas de uma maternidade que o médico confirmou. Alguns meses mais tarde, teve um aborto.

Lady R., que sempre tivera um grande cuidado em afastar o "sexo forte" de seus assuntos, proclamou que a "coisa" e o filho de um homem do espaço. A imprensa zombou do caso e ninguém acreditou na jovem mãe – ela afirmava ser virgem –, nem na velha senhora , que morreu entre os seus fantasmas...

Fonte:História desconhecida dos homens-Robert Charroux

segunda-feira

A explosão sobre a Taiga

Em 30 de junho de 1908, às 7h da manhã , os habitantes da região de Kansk, na Sibéria, viram um rastro fulgurante iluminar o céu e perder-se ao longe na estepe. Ouviu-se uma formidável explosão. No mundo inteiro, os sismógrafos registraram uma nítida sacudidela, cujo o epicentro se situava a nordeste do lago Baikhal.

A Academia de Ciências de Moscou enviou para o local o Prof. Kulik, que registrou , entre a tribo nômade dos evenk, espantosas declarações:

"Estávamos a 80 verstas (85 quilômetros) de Tungusska e vimos o fogo".

"O calor era tão intenso que nos deitamos no chão".

"Eu", disse uma testemunha, "tive medo de que o fogo pegasse na minha blusa".

Numa aldeia do distrito de Podkamênnaia Tungusska, morreram repentinamente 1 500 renas...

Os nômades acreditaram que se tratava do fim do mundo, prova de que o cataclismo, todavia tão afastado deles como Chartres de Paris, era de uma intensidade sem precedentes.

Nas noites que se seguiram, produziram-se estranhos fenômenos na Europa setentrional. O céu foi invadido por nuvens fosforescentes que iluminaram, como se fosse dia, Berlim, Copenhague e Londres.

No entanto, o prof. Kulik concluiu simplesmente que se tratava da queda de um enorme meteoro.

O caso não devia ficar por ali: em 1958, a Sociedade Russa de Astronomia e da Geodesia, ao examinar de novo o problema, declarou formalmente que a 30 de junho de 1908 nenhum meteoro caíra sobre a taiga, e que a explosão se produzira não ao contato com a Terra, mas no espaço.

Em 1959, o Prof. Gucorgui Piekhanov e, em 1962, o Prof. Zigler anunciavam por sua vez:

Sobre o local do cataclismo, a cratera não se assemelha de forma alguma a uma cratera de meteoro e captamos no dito local uma radioatividade intensa.

Tudo nos leva a crer que se trata de uma explosão nuclear produzida a certa altitude na atmosfera, ou ainda da desintegração de um bloco de antimatéria.

Admitiu-se então uma outra hipótese: desintegração de uma nave espacial.

Lucien Barnier, especialista francês em questões científicas, que fez inquéritos a respeito da "Hiroshima de 1908", tomou resolutamente partido por esta explicação:

"Numerosas testemunhas", escreve ele , "descreveram o estranho engenho sob a forma de um tubo ou de uma acha. Já alguma vez se viram meteoros cilíndricos?"

E, no capítulo dos fatos curiosos, acrescentou em subtítulo ao seu artigo: "Um cogumelo de 80 quilômetros de altura...três dias sem noite em Londres e em Tóquio...e de 52 anos para cá a erva não voltou a nascer...

Fonte: História desconhecida dos Homens-Robert Charroux

sexta-feira

Bomba Atômica de Luís XV

Uma espécie de bomba atômica foi efetivamente experimentada no século de Luís XV e passou quase despercebida. Eis a forma como Paris Presse, do dia 21 de maio de 1957, apresenta os fatos:

"Luís XV, embora falecido há 183 anos encontra-se atualmente ligado à controvérsia que opõe partidários e adversários do prosseguimento das experiências atômicas."

Num artigo em que se erguia contras essas experiências , o jornalista inglês James Cameron, do New Chronicle, evoca o grande exemplo de prudência dado por Luís XV, caso se acredite pelo menos na seguinte passagem, extraída de uma crônica inglesa do século passado, o Livre de Jours, de Chambers:

Luís XV , embora nem sempre tenha tido uma vida privada exemplar, não deixava de possuir certas virtudes, sempre apreciáveis quando existem em alto grau...

Um nativo de Dauphiné, chamado Dupré, que passara a vida fazendo experiências de química, declarou ter descoberto uma espécie de fogo tão rápido e tão devastador que não podia ser nem evitado, nem combatido e a água ativava o seu poder em vez de destruí-lo.

No canal de Versalhes, na presença do rei, e no pátio do arsenal em Paris, Dupré fez experiências e o resultado consternou os assistentes. Quando ficou claramente demonstrado que um homem na posse desse segredo podia queimar toda uma frota, ou destruir uma cidade apesar de toda a resistência, Luís XV proibiu que a invenção fosse divulgada.

Embora nessa altura ele estivesse muito preocupado devido a uma guerra contra os ingleses, cuja frota seria de grande vantagem destruir, recusou utilizar a dita invenção, a qual, pelo contrário, mandou suprimir para bem da humanidade.

Dupré morreu algum tempo depois, e o seu segredo foi com ele para o túmulo. Semelhante história parece inacreditável; todavia, não parece impossível, dado o progresso da ciência, que um dia seja inventado um fogo capaz de efeitos tão formidáveis que a guerra se transformaria num absurdo e ao mesmo tempo impusesse a organização de uma política geral das nações destinada a impedir os países de entrarem em hostilidade uns contra os outros.

Este texto foi redigido há mais de um século...teria sido mesmo um armamento semelhante ao poder atômico ter sido elaborado no reinado de Luís XV? Quantas invenções teriam sido suprimidas pelo medo ou interesse dos governantes do mundo? O que haverá de extraordinário em nossos dias que permanece oculto pelos mesmos interesses? Assuntos para refletir...

Acredite se quiser

"Acredite...(pausa dramática aliada a sorriso irônico de Jack Palance)...se quiser!"

Esta é uma memória bastante nítida da infância, o programa de TV "Acredite se quiser". Era um desafio para minha coragem e curiosidade infantil assistir o programa. Afinal, suas histórias bizarras poderiam fornecer pesadelos e temores por toda uma noite de sono (adicione isto, a viver numa área rural, aonde não havia iluminação externa e falta de luz era uma constante e, então, temos um desafio de envergadura assombrosa).

Mas, era um desafio fascinante, e hoje, lembro com saudades dos sustos e descobertas do quanto o mundo era estranho. Quantas histórias surpreendentes e estranhas haviam para ser contadas naquelas tardes de domingo na saudosa TV Manchete.

O nome original é Ripley's Believe It or Not! que era, originalmente, uma coluna publicada em centenas de jornais em todo o mundo, apresentando fatos inusitados e inacreditáveis, no entanto, apontados como histórias reais.

Tempos depois, foi criado o programa de televisão, produzido pela rede americana ABC de 1982 a 1986, e exibida pouco depois no Brasil pela Rede Manchete. Era apresentada pelo ator Jack palance, acompanhado de sua filha Holly Palance, a atriz Catheryn Sherriff e a cantora Marie Osmond.

Tal como a coluna, o programa de TV se tornou um sucesso mundial exibindo casos incríveis. Rituais de acasalamento de tribos zulus, animais de três cabeças e outras histórias bizarras e misteriosas eram mostradas em blocos, e sempre finalizados com a presença de Jack Palance oferecendo o desafio: "Acredite...se quiser."

A franquia abriu uma nova série, mas apresentada por Dean Cain (o superman da série "Louis e Clark"), e não pude assistir ainda, mas guardo reservas considerando o apresentador. Afinal, a expressão divertida e quase demoníaca de Jack ao lançar o desafio era uma marca difícil de ser reproduzida.

De qualquer forma, fica a lembrança divertida deste programa que foi uma espécie de "pai" da curiosidade pelo insólito e misterioso em mim durante minha infância (hmm...será que a "mãe" foi o "Isto é incrível" do show de calouros do SS?) e por que não? "pai" da "Panacéia dos mistérios", presente neste blog.

"Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia" ( William Sheakespeare, em Hamlet)

Vídeos:

Abertura - http://www.youtube.com/watch?v=3xd1_3W24Hc

Comercial - http://www.youtube.com/watch?v=j5iQjxtC2OI&feature=related