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quinta-feira

Entrevista com o DUO SIQUEIRA LIMA

Retorno, uma vez mais, com a “Panacéia das Entrevistas”. E, para minha imensa honra e alegria, trago aos visitantes deste blog aquele que é considerado um dos melhores grupos violínisticos da A mérica Latina e do qual gosto muito : o DUO SIQUEIRA LIMA!

Após acumularem vários prêmios como solistas, os violonistas Cecilia Siqueira e Fernando Lima se uniram no ano de 2002 com a intenção de juntarem as vivências musicais e culturais latino-americanas, além da formação erudita que cada um obteve, para formarem um duo de violões. Desde o ínicio deste trabalho, o duo vem recebendo críticas excepcionais, conseguindo uma rápida projeção nacional e internacional. Contando aproximadamente com cinco anos de existência, eles gravaram dois discos, "Tudo ConCorda" e “Lado a Lado”, se apresentaram em quase todo Brasil e vem realizando concertos em paises como Uruguai, Argentina, Espanha, Itália, Inglaterra, Áustria, Suíça, Irlanda, Hungria e Rússia.No Brasil, eles têm realizado concertos em importantes séries e festivais, já tendo se apresentado em diversos estados e gravado em vários programas de rádio e TV.

Claramente se percebe que toda essa repercussão se deve a entrega verdadeira do Duo à sua paixão pela música. Algo que não se mesura ou analisa de maneira exata, porque se trata de sentimento. Um sentimento que eles transmitem intensa e sinceramente ao seu público em suas apresentações. Confiram os links no término desta entrevista para conhecer o trabalho notável destes músicos sinceros, generosos e brilhantes.

A PANACÉIA ESSENCIAL: Contem-nos como se deu o interesse de vocês pela música e, conseqüentemente pelo violão? Comentem a tradição musical da região aonde nasceram e, como se deu a educação musical de cada um.

Cecilia – O meu interesse pela música foi inevitável. Nasci numa família de músicos profissionais, avôs, tios e pais todos unidos pela mesma paixão. Meu pai e minha mãe são professores de violão e foi com eles que dei os meus primeiros passos na música aos meus cinco anos de idade. O violão é um instrumento muito arraigado na cultura do meu país (Uruguai), e sempre tivemos grandes intérpretes de destaque internacional.

Fernando – Sou do interior de Minas Gerais, desde que me entendo por gente tinha uma violinha de brinquedo em minhas mãos, meu avô e meu pai sempre me incentivaram a ser um violeiro, então cresci ouvindo este tipo de música, como “Tonico e Tinoco”, “Tião Carreiro e Pardinho” etc. E foi com seis anos de idade que fiz minha primeira apresentação em público tocando viola caipira. O violão eu vim me interessar aos treze anos, ouvindo um disco de Dilermando Reis, foi amor a primeira audição.

APE - Quais professores se destacaram durante o aprendizado individual de cada um e o que vocês consideram que aprenderam de mais importante com cada um deles?

Cecilia – Todos os professores foram importantes, mais dois deles tiveram especial destaque no meu aprendizado: o professor César Amaro, foi quem me influenciou a escolher esta profissão e me deu as bases fundamentais para realizar uma carreira musical. E o professor Henrique Pinto, quem me ensinou a imprimir uma personalidade no meu som e foi o principal incentivador do nosso duo.

Fernando – Tive três professores, todos foram muito importantes. Luiz Carlos da Silva foi meu primeiro professor, quem me iniciou no violão clássico, ele é um músico muito eclético, o que me influenciou muito nesse aspecto de trabalhar com vários estilos etc. Depois estudei com Marcelino Diogo Leite, no “Conservatório Estadual Marciliano Braga”, em Varginha-MG, que foi quem me apresentou Henrique Pinto, que viria ser mais tarde meu principal mestre e mentor.

APE – Falem-nos agora como se deu o encontro que fez convergir estes dois caminhos para que se formasse o Duo Siqueira Lima. E gostaríamos de saber ainda, um pouco sobre a trajetória do Duo, e sobre os CDs lançados.

Duo Siqueira Lima – Nosso primeiro encontro se deu em um concurso internacional de violões, realizado em Caxias do Sul – RG (2001). Foi um momento de grande felicidade para nós dois, pois tivemos a honra de dividir o primeiro prêmio deste concurso, o que deu um grande empurrão em nossas carreiras, que até então era de solistas. E daí surgiu uma paixão musical simultânea entre nós dois e no ano seguinte já começamos a fazer algo juntos, mas a princípio não era nada muito sério... Fazíamos participações um no concerto do outro etc., até que surgiu a oportunidade de gravarmos o primeiro disco. Daí para cá fomos nos dedicando cada vez mais para o duo até que se transformou em nossa atividade principal. Gravamos dois CDs, Tudo ConCorda e Lado a Lado e completamos este ano dez turnês pela Europa, onde percorremos Espanha, Itália, Áustria, Suíça, França, Inglaterra, Irlanda, Hungria, Polônia, Belarus, Ucrânia e Rússia.

APE – O violão tem a característica natural de situar-se na tênue linha entre o popular e o clássico. Isto exige um preparo diferenciado do músico que se dedica apenas a um destes caminhos? O duo prefere trilhar esta fronteira sutil, ou situa-se mais em direção a um destes pólos

Duo Siqueira Lima - Acreditamos que o preparo diferenciado que pode haver em cada um destes caminhos é a vivência musical. Por exemplo, é difícil você ouvir um russo tocando bem música brasileira, porque não basta apenas ler bem partitura, tem algo a mais ali que só quem ouviu nossos ritmos desde criança pode captar, ou alguém que se aprofundou um bom tempo neste estilo. Nós temos formação erudita, mas as nossas raízes musicais são populares, crescemos ouvindo o nosso folclore e as nossas primeiras apresentações em público foram neste gênero, pensamos que é por isto que o duo transita com naturalidade entre o clássico e o popular. Nós trabalhado com a mesma intensidade estes dois caminhos e muitas vezes estamos na fronteira entre um e outro.

APE – Quais violões vocês tem usado ultimamente em suas apresentações? Há alguma característica que agrada mais a vocês?

Duo Siqueira Lima - Os nossos violões são fabricados pelo luthier Sergio Abreu, o principal construtor de violões do país. O que mais nos chamou a atenção neste instrumento é a profundidade sonora que possui, aliada a uma perfeita sustentação das notas, coisas que são muito raras de se encontrar nos instrumentos de corda. Particularmente os nossos violões estão com mais de 20 anos de construção, o que destaca ainda mais as qualidades que acabamos de descrever.

APEFalemos a respeito do repertório que estão tocando atualmente. Algum comentário especial sobre alguma obra?

Duo Siqueira Lima - Atualmente estamos apresentando nos concertos um repertorio variado, começando com compositores do período barroco como D. Scarlatti e J. S. Bach e compositores do Século XX, como Joaquin Rodrigo e Astor Piazzolla. Na segunda parte entramos com coisas mais originais, tentamos trazer para o violão obras e compositores que ainda não foram explorados neste instrumento, como Dominguinhos, João Bosco, Gilson Peranzzetta, entre outros, que é o que mais tem caracterizado nosso trabalho. Um bom exemplo é a “Fuga pro Nordeste” de Dominguinhos, um “arrasta pé” que dificilmente se imaginaria no repertório violonístico, e que se tornou a peça mais comentada do nosso último disco.

APE – Como se dá a rotina de estudos e trabalho no dia a dia do Duo Siqueira Lima? Imagino que são muitos ensaios, ainda me impressiona a apresentação de vocês tocando a canção "Tico-tico no fubá" a quatro mãos, foi auspicioso. Penso no grau de dificuldade e o tempo de ensaio que foi necessário.

Duo Siqueira Lima - Nós trabalhamos o dia todo. De manhã geralmente fazemos um estudo mais minucioso das obras mais frescas, repetindo cada trecho necessário. À tarde damos uma passada no repertório, muitas das vezes gravamos os nossos ensaios para ter uma noção maior do que realmente está soando. Mas não temos horários fixos, só paramos quando alcançamos o nosso objetivo. Agora, isto muda completamente quando estamos em turnê, aí é só aquela passada e palco.

Os ensaios para ‘Tico-Tico no fubá’, que tocamos a quatro mãos, foram especiais porque tivemos que adquirir uma nova concepção de precisão. Requer uma sincronia infalível, e como se não bastasse, temos que deixar a impressão de que é fácil, uma brincadeira, rs.

APE – O público popular, a massa populacional propriamente dita, encontra sérias dificuldades de ter acesso a música erudita. O cenário da música erudita no país está muito aquém em termos da merecida divulgação e reconhecimento público. Como músicos profissionais e talentosos envoltos nesse cenário, qual é a análise que fazem e que perspectivas vislumbram para o futuro?

Duo Siqueira Lima - Realmente a musica que tem uma elaboração maior, seja clássica ou popular, fica fora dos meios de comunicação massivos o que não da à oportunidade das pessoas nem se quer saber o que é uma música de qualidade. Mesmo assim, no Brasil temos meios que ainda mantém estes valores e fazem a difícil arte da difusão cultural.

O que vislumbramos é mostrar nosso trabalho para todo Brasil. Isto não é uma missão muito fácil, atualmente temos tido mais espaço no exterior, esperamos inverter este fato.

APE- Enfim, gostaria de agradecer profundamente a participação do Duo Siqueira Lima, cujo trabalho sou um fã confesso, e pedir que deixem uma mensagem aos leitores da Panacéia Essencial e algum conselho, em especial, aos que pretendem um dia ser tornarem bons músicos.

Duo Siqueira Lima Bom, a mensagem e o conselho é que nunca sejam conformados, como músicos e como ouvintes. É sempre necessário buscar conhecer coisas novas no universo musical, e não se contentar somente com o que vemos e ouvimos nos principais canais de TV e rádio do país. E para quem quer ser um bom músico é importante se dedicar ao máximo, porque toda arte exige dedicação. E seguir os passos de “gigantes” de nossa cultura, pessoas que se doaram à música, chegando ao topo da pirâmide, deixando uma marca indelével no universo musical do nosso país e no mundo.

Também queremos agradecer a “A PANACÉIA ESSENCIAL” pela entrevista, foi grande prazer para nós falar sobre nosso trabalho a todos seus visitantes, aos quais queremos deixar um grande beijo. Muito Obrigado

Cecilia Siqueira e Fernando Lima

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